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Responsáveis, organizadas, guerreiras, determinadas. Essas são algumas das características que se destacam em mulheres rurais que estão à frente de associações de famílias beneficiadas pelo crédito fundiário em Rondônia. São famílias que apostaram na organização feminina e, motivada por elas, seguem plantando sonhos nas terras adquiridas pelo Programa Nacional de Crédito Fundiário (PNCF).

Lucinei de Almeida, de 40 anos, viu no campo a chance de mudar de vida e, com ela, caminharam ainda 11 famílias da Associação de Pequenos Produtores Rurais de Vila Verde, em Rolim de Moura (RO). A agricultora trabalhava na cidade e vivia de aluguel. Ela afirma que não tinha muitas expectativas e que no final do mês as contas sempre ficavam no vermelho. “Aqui a gente está no que é nosso. Daqui a gente pode tirar a faculdade dos filhos, um carro, ter uma qualidade de vida melhor”, comenta.

As expectativas de Lucinei agora são as melhores. Hoje, ela já consegue sonhar e correr atrás dos seus sonhos, coisa que a agricultora afirma, não acontecia na cidade, por não conseguir imaginar o que estaria fazendo nos próximos anos.

Ela conta orgulhosa dos maracujás plantados na terra e da plantação de café dos vizinhos. A produção é vendida no Programa Nacional de Alimentação Escolar e já estão em articulação parcerias para enviar os produtos para Porto Velho. Lucinei diz que fica feliz em saber que as famílias confiam nela. “São pensamentos e pessoas diferentes. É bem desafiador, mas é compensativo. Eles falam que se não fosse algumas pessoas que estão à frente batalhando, a gente não estava aqui dentro.”

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Assim como Lucinei, Isabel Cristina Ferreira, de 36 anos, e Eliane Figueiredo, de 35 anos, respectivamente tesoureira e secretaria da Associação dos Pequenos Produtores Rurais do Acampamento Nova Esperança (Aprane), em Primavera (RO), não escondem o orgulho de estar no campo e poder ajudar o grupo de sete famílias beneficiadas pelo PNCF.

As atividades delas se dividem entre as tarefas de casa, a produção e os negócios na associação. “No começo dava vontade de largar tudo. Hoje, a gente tira de letra. A gente liga, corre atrás, tudo nós duas”, ressalta Eliane. Isabel ainda complementa e fala do orgulho dos frutos da associação e da produção das famílias. “Ver tudo isso é emocionante e ainda sabendo que o que nós estamos construindo aqui é da gente”.

Elas são mães de família, mulheres, trabalhadoras rurais e ainda responsáveis por toda a organização da associação. Conciliar as atividades não é uma tarefa fácil, mas elas sabem da importância do trabalho delas “A gente como mulher trabalha bastante e muitas vezes não somos valorizadas como os homens, mas a gente não desiste, porque é da nossa produção que vem todo o nosso alimento”, enfatiza Izabel.

Orgulho de ser mulher rural
Lucinei, Isabel e Eliane já fazem parte do grupo de mulheres que vivem na zona rural, mais precisamente 14.129.837, segundo último Censo populacional do IBGE. Elas são responsáveis por 45% dos produtos oriundos da agricultura familiar. Um trabalho que precisa ser valorizado, tanto quanto o trabalho dos homens ou das mulheres na cidade.

São mulheres que plantam sonhos no campo, que têm nos frutos da propriedade a fonte de renda e enxergam na terra um negócio. “Hoje temos mulheres que estão plantando café, limpando, adubando, que estão fazendo seu trabalho e precisam ser reconhecidas como qualquer outra mulher que está fazendo sua carga horaria na cidade”, afirma Lucinei.

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O trabalho da mulher do campo tem muito o que oferecer para a sociedade. Elas têm consciência e querem ser valorizadas por isso “ninguém está na nossa pele para ver o que a gente passa quando estamos com a enxada na mão. E é daqui que sai a produção que vai para as pessoas da cidade”, comenta Eliane. Ela ainda completa: é um orgulho para mim levantar a bandeira e dizer que eu sou agricultora”.

Aqui tem Mulher Rural
São histórias como as de Lucinei, Isabel e Eliane e de outras milhares de mulheres rurais que a campanha #MulheresRurais, mulheres com direitos quer compartilhar. Liderada pela Reunião Especializada em Agricultura Familiar no Mercosul (Reaf) e Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), a campanha abrange a América Latina e Caribe, e no Brasil é coordenada pela Sead. O objetivo da mobilização é divulgar e valorizar a força e a importância da mulher do campo.

Em 2017, #MulheresRurais, mulheres com direitos começou em março e segue até novembro e traz como tema os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) estabelecidos pela ONU.
Durante esse período, a Sead vai divulgar informações e compartilhar experiências de mulheres do campo, como a história de Lucinei, Isabel e Eliane.

 

Com informações e foto da Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário