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Whindersson Nunes e o preconceito com quem cria conteúdo para internet

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Semana passada dei aqui no blog a notícia que o Whindersson Nunes foi considerado a pessoa mais influente entre os jovens brasileiros. Outros sites e portais repercutiram a notícia e o que eu mais vi foi gente fazendo comentários altamente depreciativos com a carreira do menino. Algumas coisas mais ou menos assim:

Whindersson quem? Nunca ouvi falar

Por isso que a juventude de hoje tá perdida

Que lixo

Sem camiseta fazendo dancinhas na frente da câmera, como pode?

É fato que também surgiram lembranças de algumas piadas péssimas que o jovem fez e sobre isso ele que se defenda.

Mas o que eu quero falar é que estamos falando de um ser humano não é? Chamar uma pessoa de lixo? Desdenhar dele porque as outras pessoas responderam uma pesquisa e o indicaram? Cadê a empatia com o outro ser humano?

Outra coisa que me espanta é que ninguém lembra os ídolos da sua infância né? Mas eu vou lembrar Elvis, “The Pelvis” deixava os pais de cabelo em pé pela conduta um tanto sexual do jovem cantor que deixava as moças histéricas. No meu tempo de infância as meninas eram loucas pelos Menudos, mas também já houve a banda Restart, e tantos outros nomes influentes entre os jovens. Você não verá em nenhuma geração nem a que está a gritar desaforos para o Whinderson físicos, matemáticos ou ganhadores do prêmio Nobel entre as personalidades mais influentes entre os jovens. Isso nunca foi assim. Estamos falando de cultura pop gente, bem menos.

Agora eu vi pouca gente lembrando que o Youtuber veio de uma origem pobre de um estado que quase nunca está na pauta nacional, o Piauí, e que produz conteúdo na internet. Porque se ele fosse de uma família rica, morasse em São Paulo ou Rio de Janeiro e fosse de uma grande emissora de TV aí podia? Aí era legal?

Olha gente o rapaz podia hoje estar na rua, no crime organizado, num emprego ganhando o suficiente para mal pagar as contas, mas com uma câmera e o seu talento pessoal ele foi usando a tecnologia para mudar sua história de vida pessoal. É alguém que venceu na vida também e algo para percebermos como bom.

O problema maior e que pouca gente conta é que há sim um preconceito enorme com quem produz conteúdo para internet, como só se grandes veículos de comunicação fossem legais ou importantes.

O mais curioso é saber que no começo da televisão uma pessoa que ousasse dizer que ia ser artista poderia ser expulso de casa, afinal de contas esse tipo de profissão era visto com um certo, adivinhe, preconceito pela sociedade. Trabalhar como artista em rádio ou TV ou Teatro não era coisa de gente de família. Gente do bem. Era coisa de desocupados. Anos se passaram e olha só a gente repetindo esse mesmo modelo.

Então vamos combinar, não é porque você não conhece que não é bom ou ruim, e não é porque você não gosta que o outro não precisa gostar. E você pode não gostar sem atacar pessoalmente ninguém. Tá liberado não conhecer o Whindersson ou não gostar dele. Mas é bem chato ficar desprezando alguém que você nem conhece.

E deixe seus jovens com seus ídolos essa fase vai passar e eles vão sobreviver. Só você olhar para você e seus ídolos do passado e vai ver que tá tudo em ordem.

 

 

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1 comentário
  1. Glauce Mara da Silva Pedroso Diz

    Excelente texto sobre as novas maneiras de se comunicar que não precisa ser somente por meios de comunicação convencional. O Whindersson é muito bom no que faz, ele merece tudo oque está acontecendo na vida dele . Abraço

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