Abrindo mais uma caixa do Vale do Paraíba Paulista

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Eu moro na região do Vale do Paraíba, um cantinho próximo da capital e uma região muito industrial (apesar de estar sofrendo um doloroso processo de transformação). Se você já saiu da cidade de São Paulo e foi para o Litoral Norte, Aparecida (que não é do Norte) ou Rio de Janeiro você já usou a Rodovia Presidente Dutra, um dos eixos mais ricos do país.

E então as indústrias foram se instalando na beira da estrada e do seu entorno por um motivo bem óbvio: a logística. É bem mais fácil escoar a produção estando ali na cara do gol, ou da estrada.

Mas muitas dessas indústrias parecem caixas fechadas. Elas estão no Vale do Paraíba mas não convivem com o Vale do Paraíba. Além da natural geração de emprego você não vê muito dessas atividades na cidade. É o caso de Jacareí que recebeu dias desses um evento de cerveja mas que não teve o apoio das duas cervejarias da cidade: Heineken e Ambev. Aliás você nem vê no dia-a-dia da cidade essas empresas.

Por isso achei interessante quando recebi aqui a notícia que a Monsanto ia fazer uma ação de portas abertas para receber familiares de funcionários. E aí perguntei para a assessoria de comunicação para a marca se eu – mesmo sem ser um familiar – podia acompanhar o evento.

Acredite há dez anos que eu voltei a morar aqui na região e eu nunca tinha entrado lá e nem sabia o que a empresa fabricava. A gente conhece de ouvir falar né e há uns dois anos eu estive com eles em SP para ver o lançamento de produtos de Internet das coisas para a agricultura, mas na fábrica nunca.

Entrando no rolê.

E aí no horário combinado eu estava lá com os familiares prontos para conhecer a fábrica. No começo do evento aquela apresentação rápida e um momento interessante. Um dos funcionários deu boas-vindas e disse que ficava feliz em receber famílias de outras pessoas porque a dele mesmo estava distante. Por trás de cada uma dessas caixas que ficam no entorno da Dutra tem pessoas com sonhos, desejos e saudades da família. E orgulho de mostrar seu trabalho.

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foto: Donizetti Santos / Monsanto

E finalmente depois de uma década eu descobri que a unidade situada em São José dos Campos-SP fabrica um único produto chamado Roudup – um herbicida a base de uma substância química chamada glifosato.

A substância é cercada de polêmica e não é difícil achar críticas ao uso do produto numa pesquisa rápida à internet. Eu não sou da área da agricultura, nem agrônomo, muito menos químico ou pesquisador para lhe dar uma opinião sobre isso. E também não estou aqui exaltando o produto e suas maravilhas que eu nem conheço na prática.

Quero levar ao leitor um olhar de quem pôde visitar a fábrica (sei que muita gente como eu tem essa curiosidade de saber o que acontece nessas caixas) e deixo aos especialistas a crítica; e à empresa a defesa dela que tem uma estrutura e melhores condições de fazê-lo do que eu. Fato é que existe uma fábrica ali em que trabalham cerca de 300 pessoas e que impacta a vida da cidade em seu entorno.

Mas e como funciona a fábrica?

É tudo incrivelmente automatizado. Eles recebem uma matéria-prima vinda de outra unidade, processam e envasam em galões que são despachados para a logística. Na linha de produção do envase há somente funcionários de manutenção e controle de qualidade. As crianças adoram ver os robôs em ação e ficam meio frustradas onde esses não atuam.

Na parte de processamento químico: um prédio cheio de tubos e conexões parecidos com esses que a gente vê em filmes de ação ou videogames, todo o monitoramento é feito a distância por uma sala de controle lotada de câmeras.

Mas produzir tudo isso traz qual tipo de impacto ambiental? De acordo com a empresa tanto a água descartada quanto o vapor resultante dos processos químicos são tratados a ponto de não impactarem o meio-ambiente.

A Monsanto é cercado por uma vasta área verde e também de acordo com a empresa, eles são premiados no cuidado com o entorno, tendo conseguido resgatar até a fauna e flora nativas.

Chegando ao laboratório

Como a visita tem várias crianças (filhos dos funcionários) o pessoal do laboratório de química prepara algumas atividades lúdicas, como um líquido que muda de cor dependendo do que se adiciona neles. Tivemos ali com um funcionário uma mini aula de química sobre ácidos e base. E olhinhos brilhando fascinados com aquela alquimia. Fiquei pensando que talvez naquele momento alguma criança se inspire pela ciência e já comece a traçar seu destino. E que bom que as empresas – independente de suas externalidades – possam promover a inspiração da ciência nos jovens.

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foto: Donizetti Santos / Monsanto

E enquanto os pequenos iam aprendendo sobre compostos químicos eu tive a chance de ir visitar um outro laboratório, todo com cara desses que a gente vê em filmes, onde são feitas pesquisa e desenvolvimento e achei interessante saber que na planta em São José dos Campos saem soluções criadas por pesquisadores brasileiros e da região do Vale do Paraíba. Então além do processamento a empresa também faz P&D. É o capital intelectual da região em ação.

Outro lugar mais inusitado onde eu achei tecnologia foi numa moderna van de gestão de crise, mas assim uma crise bem grande. Como eles trabalham com produtos químicas, eu imagino que se algo der errado lá as coisas podem ficar realmente sérias, por isso eles tem equipamentos de última geração, entre eles, um drone com câmera de alta resolução que pode chegar até o local do incidente e reportar os problemas à especialistas que estão aptos para tomar a melhor decisão a distância e sem envolver humanos em áreas de acidente. A empresa trabalha em parceria com o Corpo de Bombeiros da cidade e diz fazer simulações frequentes e a tal van super moderna e equipada com outros gadgets tecnológicos já está sendo usada como referência e é também uma criação regional. Até cadeira gamer e joysticks tem. To deixando o tema leve, mas o uso é bem sério e pronto para momentos bem críticos.

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foto: Donizetti Santos / Monsanto

Em um dado momento os pais e mães puderam levar seus filhos para conhecerem o posto de trabalho do dia-a-dia de cada um e era muito bacana ver o orgulho dos pais mostrando cada cantinho e o que cada um faz ali e os filhos com a cabeça bem erguida, olhos brilhando e prestando atenção em tudo conhecendo um pouco mais da rotina dos seus super heróis favoritos.

Os investimentos no social

A empresa passa por um momento de mudança nesse tipo de investimentos. Estão sendo criados comitês com os “vizinhos” que numa gestão conjunta definem as estratégias da empresa na área social. Do que eu pude coletar de informações lá, a Monsanto em suas ações sociais chegou até a construir prédios e infraestrutura para o bairro onde está, numa pegada mais “assistencialista” e assim como outras empresas busca agora ser mais estratégica nesses investimentos.

Seria a minha primeira e última visita na Monsanto?

Foi só quando eu sai da fábrica que me dei conta de que talvez essa tenha sido minha primeira e última visita na Monsanto enquanto Monsanto. Tudo isso porque a empresa foi comprada pela Bayer em 2016 mas sofreu um processo longo de autorizações e aprovações em conselhos econômicos no mundo todo, inclusive no Brasil com a aprovação do CADE no primeiro semestre. E logo no começo de junho a marca alemã anunciou que deve suprimir a marca Monsanto, porém as marcas comercializadas devem manter o mesmo nome no mercado. A impressão que se dá de verdade é que ninguém sabe ainda ao certo o que vai acontecer e quais são os próximos passos.

Enquanto isso toda a equipe de trabalhadores e pesquisadores vai tocando o dia-a-dia possivelmente com a sensação de que um ciclo está para se fechar. No final das contas tirando as polêmicas, os tubos, os componentes químicos e o concreto, sobram as pessoas.

Aproveito para agradecer toda equipe de comunicação da planta de São José dos Campos por me acolherem tão bem e às famílias que toparam ter um elemento diferente em toda visita.

Fotos do Donizetti Santos

Como não era possível fotografar durante a visita, as fotos desse post foram feitas pelo fotógrafo oficial da companhia o paciente Donizetti Santos, do qual eu também agradeço o apoio na realização desse material.

 

 

 

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