ASUS, LG, Motorola, Samgung e etc: quais sãos as dificuldades de cobrir esse setor no Brasil?

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Eu até imagino que seja o mesmo problema de outros setores de outros blogs, mas estou aproveitando o gancho da realização do maior evento mobile do mundo, o Mobile World Conference para falar da cobertura dos lançamentos de mobile – e de certa forma – de eletrônicos em geral.
E já aviso que esse é daqueles posts que mexem com os brios e vaidades de diversas camadas desse trade, mas eu já quero deixar claro: eu não ligo.
Porque ultimamente é assim se você tem uma crítica a fazer é porque você tem recalque. É sério outro dia no meu perfil do Facebook fiz algumas críticas a algumas marcas interesseiras que patrocinaram a Campus Party e que nunca dão bola para mim mas quando tem o evento vem tudo correndo pedir notinha.

Aí assessor de marca vem mandar recado por terceiros dizendo que ficava feio, que ficava parecendo recalque que fulano fez isso e eu não. Então vamos deixar combinados que a partir do momento que eu pago os meus boletos eu falo o que eu quiser, do jeito e como eu quiser.
Ah mas eu tenho direito de achar que é recalque. Mas é claro que tem e eu realmente não me importo, pode continuar achando. Pode colocar em blacklist, pode me tirar da lista (que eu já não faço parte hahaha) e o que eu mais gosto “a gente tava pensando em chamar o Armindo mas depois do post…” . ATA.
Fica mesmo se juntando a gente que só diz amém, que só elogia, e que cria uma aura de olha que produto legal e você verá um cenário desconectado das pessoas e um monte de gente recomendando produtos muito mais pela brodagem e pela necessidade de estar numa lista/mailing do que pelo que precisa ser dito. Essa bolha não é saudável para ninguém.
Alguns sites já até abriram mão disso. Simplesmente pegam os conteúdos dos Estados Unidos, traduzem e publicam. As vezes nem de fontes oficiais. E as vezes de aparelhos que não vão ser nem vendidos no Brasil, mas cada um trabalha como pode.

Números e brodagem contam

Brodagem que eu usei lá em cima é quando você tem um brother em alguma instância da marca. Não interessa se você escreve bem, se tem um bom conteúdo. É só ter o amigo certo no lugar certo. E claro que os números contam. Não interessa se você está falando com o público certo. Outro dia vi uma marca de celular fazendo ação com youtubers focados no publico infantil, mas com número grande de assinantes. Fico pensando uma criança de cinco anos de idade pedindo aquele celular com câmera selfie de 5 megapixel.
Não interessa se você está falando de um celular de R$ 5 mil. Vale falar com aquele portal que exibe 2 milhões e tá só preocupado em repercutir se o processador vai ser snapdragon ou não. Coisa de vital interesse para o cidadão comum que compra os aparelhos.
E aí veremos nos comentários desses portais cada vez mais as pessoas tratando celulares como commodities e comparando peça por peça qual é o melhor celular. Azar das marcas que criaram o ambiente para isso e que agora não conseguem sair dele. A culpa é de vocês o fato das pessoas escolherem um concorrente por conta de 1 megapixel na câmera.
Importamos essa mentalidade do jornal impresso e apesar dos blogs terem sido criados em 1900 e guaraná com rolha seguimos com isso. Apenas fale com a massa e você eventualmente vai impactar algum consumidor.

Você é legal desde que publique como pensamos

Algumas empresas não querem que você conheça mesmo o aparelho, querem só que você fale bem. Por isso entopem a sua caixa postal de releases cheios de adjetivos. E há algumas – pasmem – que ainda depois criticam quem usa o release. Eu aqui mesmo uso quando a informação é relevante ao leitor, mas uso porque é o que eu tenho em mãos, ainda não tenho bola de cristal nem poderes de teletransporte.
Então o que temos é muito disparo de e-mail e pouco relacionamento. Tudo diferente do que a gente vê como as melhores práticas.

Envio de material para review? HAHAHAHAHAHAHA

A marca vai desligar o telefone e falar que você tá querendo aparelho de presente, mas vai te dizer que não tem disponível e vai te colocar numa lista. Tem marca que já lançou a terceira versão e eu não fui nem atendido na versão anterior.
Já podia falar olha a gente só tem 3 aparelhos e eles vão sempre pros mesmos veículos primeiro e depois para os outros de sempre, pode esquecer que não teremos como mandar para você. Prefiro relações mais sinceras assim.
Se você pede é o “influenciador pedinte” que o Relações Publicas tanto reclama nos grupos do Facebook especializados. Se não pede também nunca vai conseguir porque sempre vai ter o cara chato que foi mais chato do que devia e conseguiu pela chatice.

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“Só fale da nossa marca e não nos dê trabalho por favor”

Vamos lembrar ao leitor que aparelhos de review não é dado de presente, mas emprestado para usar. Ahhh Armindo o que você não sabe é que temos poucos aparelhos e prioridades internas, e a empresa não dá conta. Olha marca eu tenho 18 anos de jornalismo. Eu sei como funciona.  E é justamente essa mentalidade que eu tô criticando: não era para ser assim.
E o que eu sei mesmo é que eu e muita gente é obrigada a escrever sobre produtos que não conhece, porque você, marca, sequer faz um evento para que as pessoas possam ver e quem sabe tocar no produto.
Sei também que houve um tempo que os blogueiros/influenciadores ganhavam e vendiam os produtos em lojas no Mercado Livre. Então como a marca não consegue filtrar o joio do trigo, então todos são picaretas. Os bons pagam pelos maus não é isso? Mas precisava mesmo ser assim?
Tem marca que anuncia na coletiva que tem uma lojinha com 30% de desconto no final da coletiva. Sei lá me incomoda misturar imprensa com venda de produto. Acho que deveriam ser momentos distintos.
E teve marca que recentemente me mandou o release do evento de lançamento do celular que eu não fui chamado. Ah Armindo você é obrigado a ser convidados para os eventos de lançamento. Mas é claro que não. Isso a gente nem discute. Ninguém é obrigado a nada, eu só quero entender a lógica de mandar o release depois.
É como se a marca dissesse olha Armindo o que você perdeu, mas queremos que você publique no seu blog e também só a parte boa que escrevemos aqui para você. Não queremos você por perto mas queremos seu blog e os seus leitores. Ué… Me explica? E aí eu vou reclamar, sou chato, arrogante. Quem me conhece bem mesmo sabe que eu não sou assim. 
Pedir então ajuda de custo para fazer a cobertura pode ser considerado o cúmulo da folga. Mesmo que você chegue no evento e veja vários outros que chegaram de avião, van, hotel com tudo pago pela marca. Não é um universo equilibrado e que acabou criando desculpas próprias para se justificar. Blogueiros não tem CLT, carro da firma, voucher, ajuda de custo, diária.
Há uma marca ali de cima do título que nunca me mandou nada, convidou para nada e nem sequer pediu uma notinha no blog. É uma marca que não falamos aqui no Blog e eu não consigo recomendar justamente porque eu não conheço. Mas eu acho super coerente. De verdade. Eu não sou importante para ela, mas ela também não pede nada. Esse tipo de coerência que falta em algumas marcas.

Nem tudo é perdido

Seria um erro colocar todo mundo no mesmo balaio. Tem umas marcas muito legais e que deixam a gente trabalhar. Estabelecem um canal sincero de relacionamento e nos deixam trabalhar de forma profissional e séria. Lidam com as críticas super bem e principalmente: sabem dialogar.
E há algumas que a gente vê uma vontade sincera de mudar, de fazer diferente e de romper com essa lógica arcaica da assessoria de imprensa tradicional que era feita com grandes veículos e que hoje não me parece mais fazer sentido, mas que ainda sofrem tanto da cultura da empresa (de PR ou do cliente), mas pelo menos tentam, o que é louvável.

Mas por que falar tudo isso Armindo?

Esse é o tipo de post que eu penso mil vezes antes de escrever porque eu sei que costuma dar dor de cabeça. Mas eu tento me pautar pelas coisas que eu acredito.
Então eu fiz esse post porque eu sei que os leitores gostam de bastidores, mas que também tem o direito de saber que muitas vezes aquele conteúdo que ele pesquisou para basear a sua compra nem sempre foi influenciado por fatores que garantam a correta informação. Há muita gente escrevendo e dando opinião sobre produtos que nunca colocaram a mão. E isso por culpa das marcas.
Há também que cubra a área e fique empolgado demais com determinados lançamentos, mas esquece de avisar como foi que essa empolgação surgiu.
Também escrevi porque eu acho que se a gente não toca nesses assuntos isso tudo fica no limbo e todo mundo continua fazendo porque acha que tá lindo e tá maravilhoso.
Da minha parte eu só quero levar o melhor conteúdo disponível para o leitor para que ele tome a melhor decisão de compra possível. Mas do jeito que as coisas estão construídas isso tá cada vez mais difícil.

Acredite sorrir para tudo, dar tapinha nas costas e aceitar qualquer migalha das marcas seria o jeito mais fácil de cobrir o setor.

Mas não é indo pelo caminho mais fácil que eu construí a minha carreira. E se alguma marca do setor quiser se posicionar, como sempre, o espaço está aberto. Tenho certeza que você sabe como me achar.

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