Blogueiro em São José dos Campos: quando a assessoria te ignora

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Não vou negar que quando vejo essas coisas em outras regiões e proporções fico um pouco mais tranquilo e vejo que não é só aqui no Vale que blogueiros como eu e tantos outros de nichos diferentes sofrem para pelo menos receber informações ou trabalhar. Isso pra nem entrarmos na seara de investimentos publicitários que pelo menos regionalmente insiste em despejar rios de dinheiro em mídias com cada vez menos pessoas.

Mas eu não posso deixar de destacar o excelente artigo da Bia Granja no Youpix onde ela conta a história de uma jornalista com mais de 15 anos de experiência no setor de música que foi barrada pela assessoria de imprensa do Lollapalooza por ser de um “veículo pequeno”. O artigo completo está aqui e quero destacar só um trechinho:

Estar na grande mídia não significa mais nada se ela não representa o seu público. Informação é uma coisa. Formação de opinião é outra totalmente diferente. Um grande veículo pode ter meios pra produzir mais conteúdo e mais informação. Mas informar não é influenciar.

E se nos grandes eventos ainda impera esse pensamento reducionista e antigo imagine no cenário regional. Eu já perdi a conta de vezes que não fui credenciado em eventos locais por não fazer parte da meia dúzia de grandes veículos regionais. Também já fui barrado em outros porque não era da panela x mas aí isso vai ter em tudo quanto é lugar então eu nem me esquento mais.

E vamos ser sinceros, ok a vida é assim e vai ser assim independente do meu grito certo? Certo! Concordo plenamente com isso. Mas o que realmente me espanta é quando o assessor de imprensa ou a marca mesmo achando você um veículo inferior, menor, inútil, irrelevante, medíocre, ou qualquer outro termo que passe pela cabeça dele quer que você dê uma notinha, ou então só quando a assessoria tiver interesse convidar você para o evento.

Não se iludam colegas eu trabalho na indústria de produção de conteúdo há anos e tive a oportunidade de trabalhar nos maiores veículos de comunicação do país e sei bem o que vai nos relatórios, e as moedas de trocas envolvidas nesse tipo de relação: somos adultos.

Principio da reciprocidade

O termo é jurídico e muitas vezes usado no ambiente diplomático:

O princípio de reciprocidade consiste em permitir a aplicação de efeitos jurídicos em determinadas relações de Direito, quando esses mesmos efeitos são aceitos igualmente por países estrangeiros. Segundo o Direito Internacional, a reciprocidade implica o direito de igualdade e de respeito mútuo entre os Estados.

Mas tenho usado para lidar com assessorias de imprensa e marcas. Se a marca me ignora eu ignoro. Se não quer me credenciar para que eu possa trabalhar e levar conteúdo aos meus leitores eu também não vou falar nada sobre e muito menos usar os releases enviados pela assessoria. Acho justo ser tratado como insignificante, justamente por não ser um grande veículo de comunicação – sei o meu tamanho e o que entrego por mês – mas que isso seja coerente. Ou seja se eu não sou um bom canal para falar da marca não sou e ponto, senão fica parecendo abuso né? Ou que eu talvez seja bobinho demais, não sei?

Que tal criar relacionamento?

Eu to falando aqui de mim na primeira pessoa para dizer aos leitores porque muitas vezes não abordo aqui um ou outro assunto que gostaria. E é pelo simples fato das marcas barrarem nosso acesso à informação. Eu queria ter falado, por exemplo, de Campus Party, mas fui barrado. E quero te contar um segredo: eles não só me ignoram mas ignoram você que é meu leitor. Porque na prática eles fazem o seguinte pensamento: os leitores do veículo não são relevantes. Percebe o qual míope isso pode ser?

Também sei que não acontece só comigo. Sei de blogueiros que cobrem política que não recebem sequer releases das assessorias de imprensa das prefeituras e quando fazem pedidos de informação são ignorados.

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Eu passaria aqui uma tarde falando para vocês os desrespeitos que passo quase todos os dias com marcas e veículos de comunicação e nunca é demais lembrar o choro é livre. Mas se eu puder dar uma dica para essas marcas é: tentem criar relacionamento.

Se uma marca se relaciona muito bem comigo, se ela dá informações para os meus leitores e se ela me deixa trabalhar de forma independente eu com certeza terei condições de produzir um bom conteúdo.

Ahhh mas os números?

Olha tem colega que realmente precisa se atualizar, mas vamos lá. Não dá pra comparar audiência de impresso ou de TV com internet. E nem achar que todos os veículos da região vão ter um milhão de leitores. A mídia está cada vez mais pulverizada. Um blogueiro que fala com mil pessoas fãs de uma determinada marca de nicho é mais forte que um comercial na TV que vai pra um zilhão de pessoas mas que não fala com ninguém de forma específica. Recentemente foi criado aqui no Vale do Paraíba um coletivo de blogueiras e que podem ser muito mais interessantes para o conteúdo de uma determinada marca, que uma notinha num jornal impresso ou na TV.

Além disso números na internet podem ser comprados de forma qualificada ou não. Com poucos Reais eu consigo fazer um texto que criei aqui no Blog do Armindo ir para milhares de pessoas com audiência específica no Facebook ou se quiser usar práticas do mal posso comprar audiência em sites especializados nesse tipo de comércio ou ainda, como muita gente faz, manipular os números. Tem gente que usa até Photoshop pra adulterar dados do Google Analytics.

É pago ou gratuito?

Outra pergunta que eu recebo com frequência e também me espanto, mas como sei que para alguns é tudo muito novo, vamos lá.

Eu recebo diariamente mais de 100 releases de diversas fontes regionais e nacionais e é óbvio que nenhuma dessas marcas me pagou pra mandar nada e aí baseado na linha editorial dos meus blogs eu vou dar aquela notícia ou não e eu tenho algumas diretrizes básicas, como nunca linkar para nenhum site ou produto ou dar uma notícia que não tenha conteúdo algum e seja simplesmente uma divulgação.

Já para os casos que a marca queira realmente fazer um lançamento ou divulgar produtos para os nossos leitores há o custo de produção de conteúdo e veiculação uma vez que aqui não temos formato banner. Até nosso conteúdo publicitário é focado em conteúdo relevante para o leitor. Na dúvida você pode me consultar e eu vou explicar de forma clara o que é cobrado e como funciona.

O mais importante nessa discussão toda é: sou um produtor de conteúdo independente e jornalista com cerca de 15 anos de experiência. Tenho orgulho em ter um veículo de comunicação que fala com formadores de opinião relevantes, como você que está me lendo neste momento, e de ter uma rede de contatos que admiro e respeito demais.

Vale ainda lembrar que isso regionalmente funciona bem com algumas assessorias das quais eu tenho profunda gratidão em apoiarem meu trabalho. Já nacionalmente tenho contato com grandes assessorias que já romperam essas discussões e hoje me tratam como qualquer outro veículo e entendem que é na cauda longa que está a criação dos novos canais de comunicação com os consumidores.

Vamos fazer um trato?

Se a sua marca tiver respeito com isso, pode apostar, eu vou respeitar ela.

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