Cidades inteligentes e um novo jeito de pensar o espaço público com o 5G

Assine nossa newsletter

Hoje chego ao último texto da nossa série especial sobre as casas do futuro pós Covid e é curioso ver que quando nos jogamos numa série de reportagens especiais como essa a história vai tomando vida e nos levando para caminhos que muitas vezes nem tinham sido planejados.

Confira todos os textos desse especial

  1. COMO A COVID VAI MUDAR O JEITO QUE MORAMOS?
  2. CONECTIVIDADE E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL: COMO AS CASAS TOMARÃO DECISÕES SOZINHAS ENQUANTO VIVEMOS NELAS.
  3. A SALA COMO UMA NOVA PROTAGONISTA DA CASA: O HOME-ENTERTAINMENT NUM OUTRO PATAMAR
  4. CASAS COMO MORADIA, LOCAL DE TRABALHO E ESTUDO
  5. CIDADES INTELIGENTES E UM NOVO JEITO DE PENSAR O ESPAÇO PÚBLICO COM O 5G

Foi lendo e ouvindo várias vozes (este texto foi escrito de dentro do momento de pandemia então todas nossas entrevistas foram feitas por e-mail, conferência em vídeo ou ligação telefônica) que eu pude notar que não fazia muito sentido falar da casa do futuro, sem falar na cidade do futuro, afinal de contas uma coisa está diretamente relacionada com a outra e quando pensamos em casas conectadas elas também devem estar conectadas ao seu contexto de cidade.

A série exclusiva da Amazon Prime Vídeo “Upload” retrata o nosso futuro daqui a cerca de 10 anos (o que não é muito) e o tema central é a possibilidade de podermos subir nossa consciência pós-morte para um ambiente virtual, uma espécie de videogame futurista. Mas a trama toda começa com o protagonista da série Nathan Brown (interpretado pelo ator Robbie Amell) sofrendo um acidente de carro por um problema no sistema de inteligência artificial do veículo(não darei mais detalhes para evitar spoilers). Assim podemos ver na série o que seria um carro do futuro:

Imagem da Série Upload/ Amazon Prime Video – Divulgação. Todos os direitos reservados.

E um jeito bem parecido de dirigir a um videogame:

Imagem da Série Upload/ Amazon Prime Video – Divulgação. Todos os direitos reservados.

Eu tentei através da equipe de comunicação da Amazon Prime Video brasileira uma entrevista com o showrunner da série Greg Daniels (que foi criador do The Office e Parks and Recreation) mas obtive o retorno de que não seria possível.

O leitor talvez fique pensando o quão perto estamos de sistemas de inteligência artificial cuidarem dos nossos passos e nos ajudarem a tomar melhores decisões e se tudo isso que vemos nas peças de ficção pode um dia se concretizar.

E quando falamos de soluções nesse segmento a IBM é um player de referência nesse setor, principalmente por ser a companhia por trás do Watson, um sistema de inteligência artificial complexo e que hoje está presente em diversas aplicações.

A Jeni Shih, Líder de Strategy, IBM Cloud & Cognitive Software América Latina me falou mais sobre isso. “É comum ter uma visão dos potenciais da Inteligência Artificial associada a filmes épicos como Exterminador do Futuro (1984) e também Homem de Ferro (2008), com o super assistente de Tony Stark, J.A.R.V.I.S. Nestes dois filmes, observamos duas propostas opostas sobre o que a “máquina” pode exercer na vida dos seres humanos: um inimigo imbatível e imortal, ou um parceiro também imbatível capaz de ampliar todas as habilidades de um homem para salvar a humanidade. Estes extremos exibidos nos filmes influenciam nossa percepção, mas também é certo que a realidade está em algum ponto entre as duas versões de IA para longe da forma como são explorados na ficção científica.”

Ela me explicou que conforme vamos aumentado a base de dispositivos conectados mais possibilidades surgem. “Atualmente, bilhões de aparelhos e sensores interconectados estão coletando grandes volumes de dados em tempo real, porém não estão sendo utilizados. Apenas 4% da produtividade da IA foi aproveitada no mundo até o momento. À medida que as redes físicas se integrarem com os sistemas digitais, estima-se que os dispositivos IoT ultrapassem 20 bilhões nos próximos anos, já que quase tudo estará conectado. E especialistas estimam que os dados desses aparelhos vão gerar insights que gerarão valor econômico de mais de US$11 trilhões até 2025 (Fonte: McKinsey). Ainda assim, existe um senso de que isso é somente a ponta do iceberg pois, segundo a IDC, em 2020 somente 10% dos dados mundiais serão produzidos por dispositivos IOT e será um desafio usar todos esses dados efetivamente. Vamos ter insights a partir dos dados que nunca pudemos alcançar antes e ter a possibilidade de criar novas realidades assim como desmaterializar verdades atuais – com menos viés e mais transparência.”

Vale a pena conferir o TEDx dela, falando sobre tecnologia para todos. Algo que falaremos a seguir.

 

E ela termina com um poderoso insight:

Diante de tantas possibilidades, acredito que devemos sempre ter em mente a pergunta: “Qual o propósito?” e “Quais os impactos na sociedade?”. O futuro será criado pelo ser humano e a tecnologia será o habilitador, uma poderosa ferramenta aliada. Por isso acreditamos na parceria entre as pessoas e as máquinas, pois ela possibilitará explorar o melhor do Ser Humano com o melhor da Tecnologia.

E quanto aos filmes e séries de ficção científica Jeni? “Vamos preparar a pipoca e nos divertir!”

 

“O carro autônomo tá aí, mas não tá aí”

A fala acima não é minha mas do Fábio Rabelo, gerente executivo de Digitalização e Novos Modelos de Negócio da Volkswagen América do Sul. “Não é algo tão simples e até difícil de prever. Eu as vezes tento usar o meu telefone e ele cai direto e aí eu penso o aparelho de telefone tá ok, mas será que a tecnologia está pronta para ele? Quando isso vai acontecer? E requer investimento. Um carro conectado transmite terabytes de informações e isso gera um custo para gerar e coletar e quem vai ficar responsável por essa conta é o cliente? É a montadora? É a companha de telefonia celular? Então tem muitas perguntas para serem colocadas na mesa também, mas a grande é verdade é que eu acredito muito nisso.

E claro que eu quis saber dele sobre as possibilidades do 5G. “Essa tecnologia fará uma revolução nessa história e a gente nem consegue cantar a bola do que vai acontecer. Mas a gente vai ter cidade conectada, carro conectado, um volume de dados interligados que mudam o jogo e esse jogo provavelmente a gente nem viu o começo dele em tudo isso.”

E quando o assunto é 5G não pode faltar na discussão a Arina Tian, CMO da Huawei CBG Brasil. “A tecnologia de 5ª geração representa um divisor de águas, não só para o setor de tecnologia, mas para a sociedade no geral, porque traz enormes impactos na velocidade de navegação e deve mudar a realidade em diversas setores da indústria, como a saúde pública, construção civil, mobilidade urbana, telecomunicação, logística, entre outras. Serão mudanças profundas nas arquiteturas das casas, nas cidades e na economia.”

Sim como você deve ter percebido ao longo da nossa jornada: pensar numa casa do futuro realmente conectada com a cidade passa pela utilização do 5G e todas as possibilidades que essa tecnologia proporciona.

Assine nossa newsletter

Mas falando tanto de tecnologia faltou uma última ponta para fecharmos essa discussão e esse nó está em você que me lê agora.

Ou seja para que teríamos tanta tecnologia se não for para pensar nas pessoas?

Uma cidade inteligente diferente do que eu poderia imaginar.

Imagem reprodução internet.

Enquanto fechava esse material recebi uma sugestão para fazer uma pauta sobre uma nova cidade inteligente. Um conceito de condomínios criado pela empresa Planet Smart City – líder global em cidades inteligentes inclusivas e está construindo no Ceará a Smart City Laguna, em uma área de 300 hectares voltadas para 25 mil pessoas. A cidade reúne mais de 50 soluções inteligentes em planejamento e arquitetura, meio ambiente, tecnologia e inovação social.

E então eu tive a oportunidade de ter uma belíssima conversa com a Susanna Marchionni, CEO do Planet Smart City. Eu fui ávido querendo falar sobre todas as tecnologias que um projeto desse poderia ter, mas a empresária me fez colocar um pé no freio e só falou disso depois de falar sobre pessoas e porque uma cidade inteligente precisa ser criada e pensada para elas.

Susanna Marchionni, CEO do Planet Smart City / foto: divlugação

 

Olha Susanna se você estiver lendo esse texto – e eu espero que esteja – essa foi a melhor coisa que você poderia ter feito por mim e por essa série.

Hoje já existe uma Planet Smart City em Laguna no Ceará e uma nova operação em Natal no Rio Grande do Norte. São áreas enormes divididas em diversas possibilidades: de casas prontas e de valores compatíveis com o programa do Governo Federal “Minha Casa Minha Vida” até terrenos maiores onde podem ser construídas casas mais elaboradas. A ideia aqui é criar um ecossistema saudável contando ainda com escolas e comércios.

A Susanna é italiana e trouxe com ela uma visão europeia diferente do que temos aqui no Brasil quando o assunto é classe social e muitas vezes notou perplexa as segregações existentes aqui no Brasil como uma pessoa que não tem um olhar viciado como temos quando estamos envoltos na cultura local.

Tá mais e a tecnologia? “Uma cidade não pode ser tecnológica sem pensar nas pessoas.  A parte social e de disponibilizar serviços para todos é fundamental. O nosso aplicativo do bairro é um aplicativo gratuito para os moradores e os não-moradores. É o que chamamos de painel de controle da cidade. Tem festas, eventos, horários de programação da biblioteca. E a possibilidade de trabalhar a economia compartilhada. Tem grupos onde as pessoas podem vender e trocar serviços. Tem pessoas de comunidades carentes que vivem no entorno do nosso empreendimento que vendem produtos e serviços para os nossos moradores. É o caso de uma pessoa que vende decoração de festas pelo aplicativo e isso gera além de renda, inclusão digital.”

Imagens do app.

Ter um aplicativo que gerencia toda cidade pode parecer algo extremamente simples depois de tudo que falamos nos últimos dias, mas ao mesmo tempo parece fazer muito sentido. Isso porque ele de fato agrega valor para os moradores. “No aplicativo podemos criar grupos de diversas formas:  mães que se juntam para revezar de levar os filhos para escola, grupos que se juntam por quadra para segurança. As pessoas possam podem ver os livros da biblioteca e reservar livros. Mas também temos ferramentas: martelo, furadeira e áreas de lazer compartilhadas. Temos um botão de SOS que te geolocaliza e manda alertas para cinco amigos pré-defindos.”

Imagens do app.

E quem paga a operação de todo esse aplicativo? Empresas que tem interesse em vender para os moradores podem fazer parcerias onde oferecem desconto e a gestão da empresa cobra uma comissão de menos de 1% e com esse valor é possível pagar a operação do aplicativo. O segredo está na escala.

O espaço todo é monitorado por câmeras públicas e que podem ser acessados por todos, porém pode se pagar um extra para ter sua casa monitorada pelo aplicativo com câmeras internas e sensores: tudo interligado. Há ainda uma figura chamada “Gestor Social”- uma pessoa que cuida para que conceitos de economia compartilhada e viver em rede sejam executados e compreendidos por todos.

Imagens do app.
Imagens do app.

E no final de toda essa jornada a gente acaba pensando que não adianta ter toda tecnologia do mundo se não pensarmos que ela precisa ser de fato acessível para todos e que também impacte positivamente a vida de quem mora na cidade, independente de classe social.

“Tem gente do interior do Ceará que nunca foi num cinema e eu vi gente chorando fazendo isso pela primeira vez no nosso condomínio e então essas pessoas começam a se sentir parte e criam um sentimento de pertencimento”, explicou a Susanna Marchionni.

E ela me contou um momento muito peculiar e que eu compartilho com o leitor para refletirmos juntos sobre com o que realmente uma cidade conectada precisa se preocupar.

Uma vez falei com uma criancinha e perguntei qual era o sonho dela, e ela me respondeu você é rica então você pode sonhar. Isso é um mundo que roda todo ao contrário. Eu acredito que eu posso mudar essa realidade.

Agradecimentos

E eu não poderia terminar essa série sem deixar um agradecimento especial a todos os assessores de imprensa e relações públicas que me ajudaram nesse material, nem que seja com uma resposta negativa e também a todos executivos e especialistas que nos atenderam no meio de agendas corridas e dificuldades naturais geradas pelo momento da pandemia.

Assine nossa newsletter

Comentários estão fechados.

Esse site usa cookie para melhor sua experiência Aceitar Leia mais

Nossa Política de Privacidade.