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Confira os destaques da tarde do segundo dia do SET Expo 2023

A pandemia provocou um avanço acelerado no uso e na evolução da produção remota. O que antes era uma saída emergencial para uma situação inédita de quarentena, hoje é uma ferramenta para ganhos de produtividade e redução de custo. Na prática, é uma solução que reduz a necessidade de grandes equipes e equipamentos na cobertura de eventos artísticos e esportivos, cobertura jornalística ou demandas corporativas.

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Esses avanços foram tema de um painel mediado por Cauê Franzon, Gerente Executivo de Tecnologia de TV e Rádio da RBSTV, com a participação de Fábio Eitelberg, diretor-executivo da 2Live Streaming, Igor Moraes, fundador e diretor executivo da Vem TV, e Frederico Pereira, Head of Capture and Production Platform da Globo. Em sua apresentação, Fábio Eitelberg ilustrou a evolução da tecnologia de mochilink, literalmente, uma mochila, para aparelhos que podem ser presos à cintura. Ele falou sobre as novidades tecnológicas para produção remota, que hoje são utilizadas não apenas por emissoras de TV, mas também no ambiente corporativo em diversas ocasiões.

Exemplo de novidade são as câmeras robóticas, que operam em situações que poderiam representar risco para um operador in loco. Eitelberg explicou que, em relação à produção tradicional, as produções remotas podem reduzir custos em até 70%. Como case, o executivo apresentou uma parceria com a RBS para a transmissão do campeonato gaúcho de futebol, com a captação nos locais dos jogos e o centro de operações em São Paulo.

Com profunda experiência em produção remota, Frederico Pereira discorreu sobre o que, na sua opinião, são pontos fundamentais para se ter sucesso e qualidade com esse tipo de tecnologia. Entre eles estão conectividade intra e inter-regiões, equipamentos que suportam múltiplos protocolos, sites com arquiteturas tecnológicas compatíveis para garantir padronização, desenvolvimento das competências adequadas nas equipes envolvidas, revisão de procedimentos operacionais e otimização de set ups.

Um caso exemplar de como a pandemia obrigou as empresas a experimentarem novas e versáteis tecnologias de produção remota foi trazido por Igor Moraes. Durante o painel ele contou como, em 2020, precisou atender a uma demanda do SporTV para a cobertura de um evento gamer por meio de produção remota.

“Foram 12 dias de transmissão, com média de seis horas diárias, com narrador, comentarista, diretor de TV, diretor de produto, operador de GC e demais profissionais, cada um trabalhando de sua casa. Além da parte técnica, o grande desafio foi treinar todos os envolvidos até que estivessem confortáveis em seus respectivos papéis e com o uso da tecnologia”, relatou Moraes. “A gente precisa experimentar, tentar fazer e perder o medo da nuvem e do remoto. As ferramentas estão aí para a gente utilizar”, finalizou.

TV no streaming: canais FAST abrem portas para novos mercados

Em uma cadeia de valor onde a audiência é o centro das atenções, como o mercado de mídia e entretenimento irá amadurecer no Brasil? Daniela Souza, conselheira da SET e SVP AD Digital, mediu um painel abordando as possibilidades que o tema FAST Channel (canais gratuitos de streaming suportado por propagandas) carrega neste segmento durante o Congresso do SET Expo nesta terça (8).
 

“Nossa mensuração é de que 131,5 milhões de brasileiros têm acesso à internet e metade deles são usuários de CTV (TV Conectada), sendo que 96% possuem uma SmarTV. A CTV está em pleno desenvolvimento diante de um mercado extremamente promissor”, destacou Ingrid Veronesi, diretora sênior da Comscore Brasil, que ainda trouxe outras informações de uma pesquisa feita pela empresa em outubro de 2022.
 

Aline Jabbour, diretora de desenvolvimento de negócio LATAM da Samsung TV Plus, exaltou a entrada de novos canais em seu serviço. “O Fast não é mais uma ideia. Quando se vê os players criando canais e apostando nisso, mostramos que o Fast é uma realidade próspera”, comentou.
 

“O formato é o mesmo da TV, mas com uma dinâmica diferente. Pode ser que sirva como uma porta de entrada para pequenos anunciantes. Por outro lado, será preciso um investimento das agências para os grandes anunciantes”, ponderou Roberto Grosman, diretor de transformação digital do SBT.
 

Mídias regionais se reinventam com novas tecnologias


Diante das transformações da mídia e do alcance cada vez mais globalizado, as empresas regionais se reinventam para oferecer soluções diferenciadas ao mercado. Patrícia Rego, diretora de planejamento e contratos da Globo, mediou um painel nesta terça (8), no Congresso SET Expo, para apresentar três casos de sucesso em diferentes locais do Brasil.

“Sempre tivemos o investimento em tecnologia como um pilar estratégico. Vivíamos um período onde as inovações tinham um ciclo mais alongado do que hoje, logo havia mais tempo para se planejar. Agora, a velocidade das transformações é exponencial. Produzimos conteúdos que unem relevância e proximidade com nossos espectadores”, afirma Vinicius Garrido, CEO da TV TEM.

“Nossa essência é servir a Amazônia. O foco é em tecnologia, mas pensamos no consumidor, apostando em conteúdo local e fazendo com que as pessoas se vejam na TV. Queremos aumentar a quantidade de ferramentas para que nossos jornalistas potencializem seus conteúdos”, disse Phelippe Daou Junior, CEO no Grupo Rede Amazônica.

Para finalizar, Rodrigo Liborio, diretor comercial Curitiba e mercado nacional na RPC (Rede Paranaense de Comunicação), trouxe o case Rocket, grande inovação da emissora. “Entendíamos que o paranaense precisava mais disso. Este projeto dá visibilidade para as startups: a prova é que estamos em nossa quinta edição e um de nossos patrocinadores é a empresa ganhadora da primeira edição. O projeto tem um impacto grande de inovação e conhecimento ao nosso Estado”, destaca.


Pulverização da audiência exige novas ideias tanto de produtos como de monetização

O Congresso de Tecnologia e Negócios de Mídia e Entretenimento do SET Expo reuniu, em seu segundo dia, especialistas e executivos para discutir estratégias para prosperar em um mercado digital e em transformação. Em comum, Acácio Luiz Costa e Eduardo Coutinho vieram preparados para discutir as últimas novidades de suas empresas. Costa, secretário executivo do conselho da CNN Brasil, falou sobre a expansão do sinal da emissora para todo o país, de forma aberta e via satélite.

“A cada minuto uma nova mídia surge e outra perece. Precisamos evoluir o tempo todo”, disse. “Não vendemos publicidade. Vendemos soluções de comunicação. Por isso, quando da prospecção e comercialização de espaços comerciais, precisamos de profissionais multiplataformas, que pensam diferente e que entendam as demandas e o negócio do cliente”.

Já Coutinho, como diretor de planejamento comercial da Warner Bros Discovery, comentou a recente fusão que resultou no novo grupo, cujo propósito é unir dois universos: a emoção da Warner e a vida real da Discovery. “Queremos oferecer um ecossistema completo, com cinema, streaming, games, TV linear e digital, eventos e produtos de consumo”, afirmou. “Ante a fragmentação da audiência, provemos um portfólio de oportunidades para nossos clientes, seja em esporte, realities ou dramas”.
 

Mathias Guille, vice-presidente da Broadpeak, e Thiago Fernandes, CEO da Nextdial, por outro lado, abordaram tendências do setor. Guille mostrou como a integração do streaming pago com a publicidade está avançando a passos largos e que mesmo players, antes refratários, estão abraçando a solução, como Netflix e Disney. Segundo ele, trata-se de um modelo híbrido que ajuda tanto a reter clientes como atrair novos consumidores.
 

Fernandes, por fim, ressaltou como é importante captar dados e analisar hábitos de consumo. Segundo ele, todas as mídias devem saber ou menos perguntar à sua audiência o que ela compra, bem como quando e por que adquire determinado produto. “Assim, você consegue mapear os desejos e motivações das pessoas e, consegue, com mais facilidade, fechar contratos de publicidade multiplataforma”.
 

Painel sobre mudanças regulatórias reúne especialistas do Ministério das Comunicações e da Anatel
 

Painel realizado no segundo dia do Congresso de Tecnologia e Negócios de Mídia e Entretenimento do SET Expo reuniu lideranças do Ministério das Comunicações e da Anatel para abordar o que de mais importante aconteceu no âmbito regulatório no último ano e o que devemos esperar para os próximos.
 

O primeiro a falar, Wilson Diniz Wellisch, secretário de comunicação social eletrônica do ministério, fez um balanço das iniciativas já contempladas em 2023, com destaque para a política pública referente à TV 3.0. Quanto ao que virá adiante, mencionou a consolidação de decretos, licenciamento único de estações compartilhadas e prorrogação do prazo para a multiprogramação.
 

Vinícius Caram, superintendente de outorga e recursos à prestação da Anatel, comentou a dimensão e o número de canais no Brasil e como a agência tem conseguido lidar com tamanha complexidade – com ênfase para o desafio de se encontrar espectro, limitado por natureza, para todo mundo. Como novidade, ressaltou um estudo para estabelecer regras e permitir estações de radiodifusão complementares no país.
 

Representante da regional sudeste da SET, Geraldo Cardoso de Melo encerrou o debate com um elogio à atual administração e listando as necessidades do setor. “Temos uma agenda regulatória definida no fim de cada ano para que seja colocada em prática no ano seguinte”, disse. “Havia dúvidas se programas do governo anterior seriam mantidos pelo atual. E fico contente por verificar que os bons programas foram, sim, continuados”.
 

Arena
 

Aberta ao público, SET Arena reúne grandes nomes da tecnologia e da inovação

Em seu primeiro dia, a SET Arena, espaço aberto ao público instalado em pleno pavilhão da Feira de Tecnologia e Negócios de Mídia e Entretenimento do SET Expo, reuniu grandes nomes da tecnologia e da inovação. A programação teve início às 13h, o DIT Felipe Delgado falou sobre os benefícios da nova Ciência de Cor e o Workflow da câmera ALEXA 35. Após 12 anos no mercado, a ARRI, líder na fabricação de câmeras e sistemas de vídeo, lança o que é a evolução dos sensores utilizados na família ALEXA, entregando 2.5 stops a mais de latitude, melhor desempenho em pouca luz e ainda cores mais ricas.

Às 14h foi a vez do português João Neto, CEO da empresa VoiceInteraction. O engenheiro de software falou sobre o AI Smart Cut, ferramenta desenvolvida em parceria com o canal de notícias CNA, a Qvest e o grupo Singapura Mediacorp. O programa realiza clipping automático de notícias e permite à emissora desbloquear novas possibilidades de monetização e alcançar novas audiências. A ferramenta utiliza a plataforma de Monitoramento de Mídia (MMS) da VoiceInteraction, que inclui recursos avançados como extração de Metadados AI de notícias. A tecnologia combina Reconhecimento Automático de Fala (ASR), para transcrição de fala-para-texto da transmissão, com algoritmos de IA para segmentação automática e geração de metadados.

Os clipes gerados são enriquecidos com palavras-chave, tópicos e sumário. Ao utilizar o reconhecimento de voz para identificar segmentos de notícias e entrevistas, e editá-las automaticamente em clipes individuais para publicação em várias plataformas, a ferramenta economiza 4 horas diárias no fluxo de trabalho da equipe jornalística da CNA, transformando seu workflow. Essa identificação e indexação de conteúdo agiliza o processo de clipping de notícias, ao mesmo tempo em que oferece aos espectadores uma experiência de usuário personalizada e mais completa. Medalha de prata do prêmio “Melhor Inovação na Transformação de Redação de Notícias”, o AI Smart Cut está pronto para ser implementado nas emissoras brasileiras.

Às 15h o espaço SET Arena de Conteúdo sediou o encontro entre Patrícia de Filippi, diretora criativa da Massapê Audiovisual e do Estúdio 17, e Fábio Tsuzuki, sócio-fundador da Media Porta. Eles bateram papo e conversaram com o público sobre o longo e árduo processo de modernização e digitalização do CEDOC da TV Cultura/Fundação Padre Anchieta. Responsável pela empreitada, a dupla explicou como todos ambientes de arquivo foram preparados para receber os diferentes conteúdos, e sobre como o sistema de MAM (Media Asset Management) está sendo ampliado, permitindo a incorporação de novos recursos e, sobretudo, de outros acervos, até então tratados de forma isolada. O trabalho de triagem de material e organização está tornando possível a implantação de uma pesquisa integrada e unificada de todos os itens de mais de 50 anos de acervo.

Já às 16h, João Paulo Cruz Araújo, sócio-fundador da Viacast, sediada em Uberlândia, compartilhou sua expertise sobre as mais recentes inovações em transmissão de vídeos, como o mmWave e 5G, que utilizam frequências de ondas milimétricas para expandir sua capacidade e estender o raio de cobertura dos equipamentos. Para o executivo mineiro e sua equipe, não existem limites para a transmissão de dados: nem mesmo as alturas! Araújo focou sua conferência na surpreendente maleta para transmissão em aeronaves, uma solução com design compacto e tecnologia de ponta, que permite transmitir vídeos ao vivo diretamente de aviões ou helicópteros, proporcionando uma cobertura aérea em tempo real para eventos esportivos, notícias e até mesmo para transmissão da caixa-preta via 5G.

Encerrando a programação do dia, Luis Bechtold, gerente da Adobe, fez uma apresentação sobre a ferramenta Adobe Firefly, que conta com tecnologia IA generativa para criadores. Pelos gráficos demonstrados na tela, essa tecnologia inovadora que faz uso de Inteligência Artificial funciona como um passe de mágica: o usuário pode escrever o tipo de imagem que deseja, incluindo cores, textura e background. E o resultado possivelmente fica acima do esperado. A ferramenta ainda oferece Integração Nativa IA, recurso hospedado em nuvem, IA-As-A-Service, um pacote de serviços compartilhados, e Sensei GenAI, um assistente de IA desenvolvido especialmente para profissionais do marketing. Bechtold ainda apresentou em primeira mão o Adobe Firefly para Vídeo, previsto para o final de 2023/ começo de 2024, que permite criar e editar vídeos por IA com a mesma facilidade que ilustrações, maquetes ou fotografias. Como na versão já disponível, quanto mais detalhado o texto enviado para a IA, mais interessante e rico em detalhes será o resultado.

A SET Arena de Conteúdo segue até quinta, 11, das 13h às 17h. Confira a programação Link

Avanços e tendências em soluções para metadados, indexação e enriquecimento de acervo é tema de painel no SET Expo

Os avanços no uso de metadados têm trazido ganhos de eficiência em muitas frentes para a indústria de produção de conteúdo. Seja na otimização da produção de conteúdos, seja na gestão e enriquecimento de acervos, as possibilidades trazidas pela combinação de metadados com a Inteligência Artificial (IA) têm se multiplicado rapidamente.

Este tema foi abordado em mais um painel do Congresso SET Expo 2023, dentro da trilha de Produção. Na mediação estava Matt Silva, CEO do CIS Group Corp, que conduziu a conversa com Fábio Ferraz, Diretor de Soluções de Mídias da Globo, Shailendra Mathur, Vice-Presidente e Arquiteto-Chefe da Avid Technology, William Rogério de Oliveira, Gerente de Tecnologia e Produtos Digitais da Fundação Cásper Líbero e Fernando Castelani, Cloud Consulting Account Lead do Google.

Em sua apresentação, Fábio Ferraz disse que para a indexação de acervo ainda não existe um modelo ou uma solução pronta, porque vive-se uma transformação digital que está impactando os negócios em múltiplas frentes, como as novas aplicações de IA, por exemplo. Segundo ele, a indústria de mídia, durante toda a sua existência antes da era digital, olhou muito para processos internos. Agora o desafio é olhar para fora e absorver novidades e tendências. Ele enfatizou ainda que hoje o acervo não é mais um grande arquivo, mas um grande tesouro que pode ser fonte de novas oportunidades de monetização.

Na indexação e busca dentro do acervo, Shailendra Mathur trouxe novidades sobre a busca semântica e a busca fonética. Ele explicou que o futuro para encontrar e acessar conteúdos antigos não é mais sobre procurar por palavras, mas sobre procurar por diferentes significados naquilo que se está buscando. Fernando Castelani complementou essa visão ao falar sobre uma API do Cloud Vision, que gera metadados a partir de diversos elementos de um vídeo de um modo que seria impensável poucos anos atrás. Reconhecimento facial, elementos gráficos ou de cenário, voz e texto são alguns exemplos de como a ferramenta gera dados de forma contextual e frame a frame. Tudo isso com auxílio da IA.

Na otimização de processos de produção, William Oliveira trouxe o case da Gazeta, que vem implementando diversas tecnologias para obter mais eficiência na produção e disseminação de conteúdo. Ele reforçou que o desafio é produzir com agilidade e qualidade conteúdos para múltiplas plataformas, em diferentes linguagens e formatos e dentro da identidade de cada programa.

SOBRE a SET, organizadora do evento

Centro de excelência de atualização, representação e difusão de conhecimento de profissionais e empresas do setor, a SET – Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão – é uma associação que atua como HUB de tecnologia, debates e negócios de toda a comunidade que compõe e mantém contato com o mercado, atual e futuro, de broadcast, mídia e entretenimento.

SET Expo 2023

Congresso: de 7 a 10 de agosto de 2023
Feira: de 8 a 10 de agosto de 2023
Local: Expo Center Norte – Pavilhão Azul (Rua José Bernardo Pinto, 333 – Vila Guilherme, São Paulo – SP)

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