Falei com a Volkswagen sobre o futuro das tecnologias para carros de passeio

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Recentemente estive com a Volkswagen numa experiência incrível e dá pra ver no vídeo abaixo, meus olhos brilharam com o carro estacionando sozinho, e pra usar um mega clichê não é magia, é tecnologia.

E enquanto os carros que dirigem 100% sozinhos não chegam a gente tem um caminho incrível de uso de tecnologia embarcada nos carros.

Inteligência artificial cognitiva (aquela que você fala e o sistema responde em voz para você), sensores que conversam entre si e Internet das Coisas são cada vez mais presentes nas nossas vidas. Para entender mais sobre essas revoluções eu falei com o Fábio Rabelo, gerente executivo da área de Digitalização e Novos Modelos de Negócios da Volkswagen do Brasil e América do Sul. Confira a entrevista abaixo concedida ao Blog do Armindo.

Muito se fala sobre o carro autônomo mas vejo que temos um bom caminho a percorrer em direção assistida por computador. É o caso do T-Cross com seus sensores múltiplos que avisam quando você está muito perto de algo, mas é ainda algo muito básico. Podemos pensar num carro que tome decisões sozinho baseado nessas informações?

R. Nós já temos esses carros hoje. Alguns modelos da Volkswagen como o Golf, o Passat, a Tiguan Allspace e o Touareg, por exemplo, contam com soluções desse tipo. Vou citar alguns exemplos: oferecemos o ACC (Adaptive Cruise Control – controlador automático de velocidade e distância), que funciona como um “piloto automático” inteligente, que mantém automaticamente a distância escolhida pelo motorista em função da velocidade do veículo à frente. Dependendo da situação, o ACC pode frear automaticamente o veículo até a imobilidade. Sempre que a estrada à frente estiver livre, o sistema funciona como um controlador de velocidade convencional, mantendo a velocidade pré-estabelecida pelo motorista. Temos também o Front Assist, que monitora a distância entre veículos durante o deslocamento e detecta riscos de colisão. Ele atua em situações de trânsito em cidades acionando os freios automaticamente quando necessário.

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Outra solução é o sensor de fadiga, um sistema eletrônico que verifica o modo de condução do motorista no início do trajeto e reconhece quando o condutor está cansado, emitindo sinais de alerta para chamar a sua atenção, recomendando uma pausa.

Essas soluções hoje estão disponíveis para veículos Premium da marca, mas assim que as tecnologias se tornarem mais democráticas e forem adotadas em maior escala, essas inovações chegarão em mais modelos. Além disso, a tendência é a evolução constante das funcionalidades baseadas em inteligência artificial, que devem causar uma grande transformação na indústria automotiva.

A interface de voz veio para ficar e deve ser um concorrente à altura da interface de tela. Hoje temos o manual cognitivo com Watson num app, mas podemos pensar em breve que essa inteligência artificial possa ser embarcada direto no carro e eu possa perguntar sobre uma luz ou sobre um posto de gasolina mais próximo, ou ainda uma ajuda mais elaborada sobre qual caminho seguir?
R: Você fez uma previsão de tendência correta. Sim, existe essa possibilidade e a Volkswagen está estudando esse caminho.

A IoT tem se popularizado, tanto que hoje um celular num cabo com o Android auto praticamente exporta o celular para a interface multimídia, ficando tudo uma coisa só. Com a chegada do 5G podemos esperar um novo nível de conectividade?
R: Com certeza. O 5G permitirá uma grande revolução na forma de conectividade mas, antes disso acontecer, a Volkswagen implementará diversas inovações nas áreas de digitalização, engenharia e tecnologia. No momento oportuno poderei revelar mais detalhes sobre essas inovações.

Ainda na linha da pergunta anterior podemos prever quer os carros conseguirão lidar com outros elementos IoT da casa. Por exemplo, ao chegar em casa, o sistema do carro avisa o sistema da casa que estou próximo e então desliga o alarme, abre o portão, acende a luz e ajusta o ar-condicionado da sala? Ou na geladeira inteligente posso receber uma notificação de que preciso calibrar os pneus ou abastecer o carro?
R: Sim, isso irá acontecer, mas não consigo prever quando. O grande desafio é equalizar o custo da inovação com o interesse do consumidor em adquirir essa tecnologia.

Sei que a VW tem um compromisso sério com a segurança. Como IoT e 5G podem redefinir esses protocolos de segurança de carros. Poderá no futuro um carro prever um comportamento de acidente? Frear sozinho quando o condutor não o faz? Jogar o carro para o acostamento sozinho sem que o motorista decida sobre isso mas para preservar a sua vida?
R: Realmente a Volkswagen tem um grande compromisso com segurança. Nós registramos o maior número de modelos com nota máxima na proteção para os ocupantes no ranking do Latin NCAP (New Car Assessment Program), programa independente de avaliação de carros novos para a América Latina e Caribe. São quatro modelos com cinco estrelas tanto na proteção para adultos quanto para crianças: Golf, Polo, Virtus e T Cross. Alguns dos nossos carros já preveem comportamentos que podem causar acidentes, como o Front Assist e o City Emergency Braking (que podem frear o carro sozinho). Acredito que com a democratização da tecnologia, essas funcionalidades também devem ser encontradas em mais veículos da Volkswagen.

E até onde a IA estará nos carros e como ela irá moldar os pensamentos do carro do futuro?
R: Hoje a IA já mudou muito a forma como nos relacionamos com os automóveis e essa evolução está apenas começando. Um ponto importante que deve sempre ser considerado quando falamos em IA é a privacidade dos dados dos usuários, mas certamente o uso dessa tecnologia está somente no início.

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