Fizemos poucos avanços desde o Creators do Vale

Antes de mais nada é bom deixar claro lá vou eu sim apontar um monte de coisa que deveria acontecer no mercado regional e não acontece. E faço isso porque eu acho que alguém tem que fazer. E também deixo claro – é bom nesses momentos que não se tenha meias palavras – trata-se tudo de opinião minha e você tem todo direito de concordar ou discordar do que eu escrevi. Dito isso vamos em frente…
Essa causa de querer melhorar a indústria dos criadores de conteúdo regionais já me rendeu bons frutos então penso que estou no caminho certo. Também já me rendeu boicotes, caras feias e gente que não me suporta então também mostra que estou no caminho certo.

>> Assine meu canal no Youtube <<

Ano passado realizamos em São José dos Campos um evento chamado Creators do Vale que reuniu grandes players do cenário nacional de creators para discutir mais o cenário local. E acredite o cenário é bom e tem muita coisa boa.
Alguns creators precisam de uma lapidada, outros de estímulo e muitos de reconhecimento. E a maioria deles precisa de capacitação e de um “vá em frente faça isso”. É algo que não podemos desperdiçar.

Mas desperdiçamos

E fazemos isso simplesmente por conta de uma cultura local do tradicionalismo e que é claro impacta no investimento em mídia. O mercado de São José dos Campos ainda aplaude uma revista impressa, um canal novo na TV a Cabo que ninguém vai ver, mas não consegue apoiar produtores de conteúdo para a internet. Mas ok é uma cultura local e enquanto cultura não é algo que mude assim do dia pra noite. Mas vai mudar, só poderia ser mais rápido.
O fato é que o evento acabou tomando um rumo inesperado e em muitos momentos tivemos o temido embate marcas x criadores de conteúdo. Essa disputa de um versus o outro rendeu até um importante artigo no Youpix que tive a honra de escrever e que colocou nosso cenário em evidência nacional e com um alerta importante, os criadores de conteúdo estão ficando de saco cheio das marcas que estão ficando para trás no universo digital.
Eu já ouvi aqui na região mesmo, que isso é mimimi de blogueiro. E também ouvi outras coisas não só no evento, mas no pós-evento:

  • Ninguém manda mídia-kit;
  • Ninguém sabe quem são os blogueiros/youtubers;
  • Eu nunca recebi a visita de nenhum;
  • Não sei como contratar ou quanto pagar.

Quando a gente ouve que é mimimi de blogueiro a gente tem certeza que é alguém que não passa o aperto de todo mês fechar as contar com o conteúdo que produz. Na maioria das vezes vem inclusive de alguém que trabalha CLT e que se não fizer nada as oito horas que é contratado vai ter ainda o salário no final do mês. Ou de empresário que anda por aí de carrão importado mas esmaga fornecedores. É esse tipo de gente que acha que isso é mimimi de blogueiros.
Mas enfim eu fui mesmo com o espírito de baixar a cabeça e pensar que talvez as marcas estivessem certas. Como eu já tive um site que cobria o mercado de comunicação e também por dois anos apresentei um programa de rádio onde eu entrevistei pelo menos três dezenas de gestores de comunicação e marketing da região eu pressuponho que as pessoas nesse segmento me conheçam. Mesmo assim todas as empresas que falaram no evento que não receberam mídia-kit de ninguém, lá estava eu. Algumas eu fui visitar pessoalmente inclusive.
Também demos visibilidade para os blogueiros locais, fica difícil acatar essa desculpa de que ninguém sabe quem eles são. Blogueiros e Youtubers do Vale estão organizados em grupos, associações e iniciativas que os reúnem. É fácil achá-los acredite.
Eu também dei palestras, cerca de dez, escrevi artigos e me ofereci para palestrar em tantos outros lugares. Só no ano passado chutaria de cerca de 100 empresários me ouviram de alguma forma falar sobre marketing com influenciadores. Até reunião com empresa grande e sem ganhar nada eu fui pra ajudar. O mais curioso é que a empresa fez um evento e nem me deu bola hahahahahah, mas ok fiz a minha parte.
Com isso praticamente derrubo todas as teorias acima. Eu visitei agências, entreguei mídia-kits, contribui para o mercado falando sobre contratação e precificação e tenho tentado dar visibilidade para produtores locais em listas como essa.

Não sou porta-voz de todo mundo

Assim sendo vou falar de mim. Sei que é a realidade da maioria e que muitos tem medo de falar e principalmente de serem boicotados pelas marcas e eu nunca me canso de repetir: me boicotem. Não há um único fio de cabelo que irá sair da minha cabeça por conta disso. Eu vivo sem a sua marca, mas será que a sua marca vive sem mim? Se sim vá com Deus…
Mas o fato é que tem jovem produtor de conteúdo que se sente ameaçado por marcas, olha o ponto que chegamos. Depois de tantas visitas e tantos encontros e palestras e artigos publicados quantas ações regionais de comunicação fechadas com as mesmas agências e empresas que falaram com todas as letras que a culpa era dos produtores de conteúdo e não das marcas ou das agências (que rufem os tambores):
ZERO
hahahahahahahaha.
ZERO
Fico aqui pensando qual vai ser a desculpa do próximo encontro. Queda de meteoros? Crise econômica? Aumento da mussarela no supermercado? Já sei a eminência de um ataque zumbi.
Na verdade há sim um verdadeiro status quo regional e pouca vontade mesmo de mudar. No discurso é tudo lindo, é cheio de “veja bens”. E na prática? Zero. hahaha. Desculpem mas eu realmente estou rindo enquanto eu faço esse post.
E pra comprovar essa tese de que a culpa disso não está nos criadores de conteúdo eu fiz uma espécie de experimento social que eu vou contar a seguir e que teve um desfecho também muito engraçado. Mas preciso dizer que algumas coisas mudaram pra melhor também.

Sim tivemos uma melhora do cenário

Se ainda não temos investimento publicitário pelos menos as mercas começaram a olhar pra esse fenômeno pelo lado das assessorias de imprensa e relações públicas. Até grandes marcas, como é o caso da Volkswagen, que não estavam nem aí pra criadores de conteúdo me chamaram para participar de ações.
E eu comemoro como se não houvesse amanhã não pela ação em si, mas por saber que se estão olhando meu trabalho também vão olhar pelos demais. Esse fenômeno vem de uma simples e óbvia constatação, não há tantos veículos de comunicação “tradicional” no Vale. E essas assessorias vão falar com quem? Com 3 emissoras de TV que não podem dar tudo, um jornal impresso e algumas rádios?
E aqui há o mérito muito importante de empresas de assessoria de imprensa e assessores das empresas que são modernos e se destacaram saindo na frente nesse cenário. E se tivemos uma melhora nesse cenário em parte o mérito é todo deles que tem inclusive comprado brigas com clientes digamos mais tradicionais.
Sim as assessorias de imprensa e relações públicas estão virando protagonistas nesse cenário onde a publicidade se esconde atrás do armário e do BV.
Assim se não houve investimento publicitário houve investimento em eventos de ativação e ações de relacionamento e sim são investimentos e portanto precisam ser aplaudidos de pé.
Também vi algumas ações pontuais com outros criadores de conteúdo – alguns que vivem numa ilha sem se preocupar com o cenário – o que é legal também. Como eu disse essas iniciativas precisam ser aplaudidas.

E porque é importante investir nesse cenário

Olhe ao seu redor e pesquise o número de empregos por aí. Veja a quantidade de jovens que não terão postos de trabalho. Agora olho no Youtube e veja a quantidade de pessoas fazendo um excelente trabalho, com comunidades relevantes e que poderia ajudar de uma forma única as marcas.
Sei que muitas vezes parece que delego em causa própria, mas queria dizer que eu me viro. Mas se esses produtos editoriais não tiverem apoio vão minguar. Ahhh mas as marcas não tem essa função social, elas só querem anunciar e vender. Será?

Além disso leia qualquer veículo especializado em publicidade e marketing quando falam de tendências para 2017. Todos eles vão falar de marketing com influenciadores e micro influenciadores. Pra qualquer lado que se olhe você verá que não tem desculpa que cole as empresas da região não estarem investindo pesado nisso.
Além disso por ser um contexto novo as marcas que saírem na frente terão aprendizagem. Terão desenvolvido métricas próprias, saberão o que funciona ou não e terão pago barato por isso. Acredite daqui a uns dois anos tudo vai ficar mais caro e difícil e quem correr o risco de surfar no começo da onda pode se dar muito bem.
Eu sou muito grato a empresas que estão comigo desde o começo e cresceram junto comigo. Mas isso foi cultivado há 3 anos. A empresa investiu muito tempo e dinheiro pra colher essa gratidão agora. E as marcas que nem começaram ainda?

Experimento Social CCXP

E pra zerar de vez essa história de que a culpa não era minha (ou de qualquer outro creator) fiz um teste com a minha cobertura da CCXP. Como já estava com a cobertura fechada com outras marcas fiz um pacote especial de R$ 200,00 para que outras marcas da região pudessem vir comigo para o evento. E sai divulgando pelos quatro cantos e principalmente pelas minhas redes sociais.
Vai lá bater numa emissora regional e vê o que você faz com R$ 200,00. Ou cota um anúncio no jornal impresso que ninguém mais lê e vê o espaço que você consegue com R$ 200,00.
E eu normalmente também não cobro só isso, mas enfim, duzentão. E adivinhe quantas marcas?
Se você chutou
Zeroooooo
Acertou. O que me faz ter algumas reflexões:

  • O meu blog e a minha cobertura de eventos são muito ruins e não valeriam R$ 200,00. Ok posso lidar com isso;
  • As marcas e agências não ficaram sabendo. Mas ué elas não deveriam monitorar as oportunidades de mídia?
  • Elas não tinham R$ 200,00 em caixa. Mas estranho eu vi algumas com comerciais caros na TV;
  • Elas não vem nenhum valor em ações de influenciadores e de digital. Mas ué se fala tanto em mídias digitais e internet hoje em dia…
  • Elas iam ter muito trabalho me contratando. Ué mas eu já entrego tudo pronto com métricas e relatórios…
  • Elas ignoram tudo isso porque vão sempre fazer a mesma coisa que fizeram…

É claro que eu tenho as minhas conclusões, mas vou deixá-las para mim. E peço ao leitor que tire as suas.
Ahhh a minha cobertura da CCXP foi a mais lida de todo ano no blog  e só um dos meus posts teve mais de 780 compartilhamentos…

Sem comentários
  1. Lucas Cantisani Diz

    Ótima reflexão.
    Como ‘creator junior’, confesso que ainda falho muito em vários pontos, inclusive na divulgação, contatos, etc. Conheci (e passei a acompanhar) seu trabalho no fim do ano passado, acho que seria interessante um post (se é que já existe) sobre o outro lado. O que nós, creators, precisamos fazer (desde os pontos básicos mesmo) para ser mais ‘interessantes’ aos olhos dos possíveis anunciantes.
    Grande abs!

    1. Armindo Ferreira Diz

      Olá Lucas obrigado pelo comentário, tem sim mas meio espalhado. Vou tentar condensar tudo num post só =)

  2. Lucas Cantisani Diz

    Ótima reflexão.
    Conheci o trabalho Armindo (e passei a acompanhar) no fim do ano passado, acho muito importante esse trabalho ‘quase didático’ que é feito por aqui.
    Como ‘creator junior’ (risos) confesso que ainda cometo muitos erros, inclusive em divulgação, contatos, etc. Penso que seria interessante (se é que já existe), um post com dicas claras sobre o que um creator deve fazer para ser ‘bem visto’ pelos possíveis anunciantes (algo mais prático mesmo, além da parte de conteúdo, periodicidade, etc. Algo sobre como montar um midia kit, como fazer a divulgação desse material…).
    Parabéns pelo trabalho. Grande Abraço.

  3. Bruna Diz

    Acho que vc esqueceu o fator “crise”, muitos jornais impressos do vale fecharam as portas por falta de anunciantes. O momento foi ruim e está sendo para a área de marketing num todo. As empresas não estão investindo pois mesmo com uma boa audiência dos criadores, as marcas não têm retorno, não há fechamentos. Por isso, não se culpe e não culpes as marcas, elas parecem que têm grana, mas estão fechando no vermelho e despedindo pessoas.
    A TV, mesmo sendo bem mais cara, ainda é a preferida por atingir um público bem mais amplo. 780 compartilhamentos não significam nada pra as marcas, isso é poeira pra eles. E quanto mais barato vc cobra vc pode transparecer que é amador e está desesperado. O CCXP também não foi bem esse ano, a crise afetou eventos e esse tipo de evento não representa muita coisa para o vale. E os eventos estão ficando obsoletos para marcas, elas podem fazer tudo isso aí elas mesmas e o marketting na internet por um custo zero. Pagar estandes e divulgação em eventos não traz mais o retorno de antes, pois as empresas podem fazer seu network na internet. O evento ficou caro e dá prejuízo. E seu texto é muito derrotista, apesar da sinceridade. Dizer que fez poucos avanços pode não ser muito bom para sua empresa. Seja sempre positivo e venda seu peixe com entusiasmo para 2017, mesmo que pareça nublado agora. Se ano passado não teve nada bom, discurse sobre o futuro.

    1. Armindo Ferreira Diz

      Olá Bruna tudo bem?
      Antes de mais nada obrigado pelo comentário, sempre bom ter bons comentários assim. Eu não sei se você esteve no Creators do Vale, ou se conseguiu ler os outros textos e na verdade esse aqui fala especificamente desse contexto e de uma discussão que rolou lá. E não acho que contribuo com o mercado e mudanças falando coisas bonitas. Eu acho que alguém precisa ser mais pragmática coisa que não tem acontecido ultimamente – mas quero deixar claro que entendo e respeito a sua opinião.
      Quanto aos números desde sempre vendo um conceito de qualidade melhor que quantidade mas entendo a sua percepção sobre eles e sobre ser poeira e é justamente sobre isso que tenho lutado e sobre esse pensamento de que as “marcas coitadinhas não tem culpa”, na minha opinião elas tem sim.

Comentários estão fechados.

Esse site usa cookie para melhor sua experiência Aceitar Leia mais

Nossa Política de Privacidade.