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A busca pelo relógio inquebrável: a história da G-Shock

Do laboratório à cultura urbana, como o engenheiro japonês, Kikuo Ibe, transformou resistência em estilo global

Atualizado em 03/03/2026 às 17:03, por Armindo Ferreira.

Do laboratório à cultura urbana, como o engenheiro japonês, Kikuo Ibe, transformou resistência em estilo global

Divulgação: Kikuo Ibe

A história da revolução que mudaria para sempre a forma como o mundo enxerga os relógios começou em 1976, quando Kikuo Ibe, recém-formado em engenharia mecânica pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Sophia, em Tóquio, ingressou na Casio. Nos primeiros anos na empresa, atuou no departamento de design externo, dedicando-se ao desenvolvimento de relógios digitais convencionais.

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 A motivação para ir além surgiu de um episódio marcante: o relógio herdado de seu pai se quebrou em uma queda acidental. A frustração diante da perda de um objeto carregado de valor sentimental transformou-se em uma obsessão, criar um relógio verdadeiramente inquebrável. Essa determinação levou Ibe a liderar o projeto que, em 1983, resultaria no lançamento do G-SHOCK DW-5000C, o primeiro relógio capaz de resistir a quedas, choques e condições extremas, inaugurando uma nova era de resistência e durabilidade na indústria relojoeira.

O conceito era simples e revolucionário: um relógio que não quebrasse. A execução, porém, exigiu tecnologia avançada e testes extremos. O G-Shock foi projetado para suportar choques, quedas, resistência à água e forças gravitacionais intensas. Não demorou para conquistar atletas, militares e entusiastas de esportes ao ar livre, tornando-se rapidamente um símbolo de robustez e confiança.

 

 

A resistência do G-Shock não é força de expressão. Modelos já foram enviados ao espaço, sobreviveram a quedas de dezenas de metros e, em um feito que entrou para o Guinness World Records, suportaram o atropelamento por um caminhão de 24,9 toneladas.

Ao longo das décadas, a marca expandiu sua linha com recursos que vão além da durabilidade: cronômetros, bússolas, termômetros, conectividade Bluetooth e integração com plataformas como o Strava. Essa evolução técnica consolidou o G-Shock como referência em inovação, mas também abriu espaço para sua presença na moda urbana e no lifestyle contemporâneo. Hoje, o relógio é visto tanto nos pulsos de atletas quanto como acessório de estilo em grandes centros urbanos.

O reconhecimento internacional reforça essa trajetória. A G-Shock recebeu o Good Design Award no Japão em 1987 e novamente em 2023, além de diversas edições do prestigiado Red Dot Design Award. Em 2014, Kikuo Ibe foi nomeado CEO of the Year pela Japan Management Association, e em 2019 recebeu o Prêmio de Excelência do Japão por sua contribuição ao design e desenvolvimento da linha.

Quarenta anos após o lançamento do primeiro modelo, Kikuo Ibe continua ativo nos laboratórios da Casio, supervisionando novos projetos e inspirando a próxima geração de engenheiros e designers. Sua visão transformou o G-Shock em muito mais do que um relógio: um ícone cultural que une história, tecnologia e moda, permanecendo como símbolo de resistência absoluta e inovação contínua.


Armindo Ferreira

É jornalista com uma carreira sólida de mais de 22 anos na área – tendo passado pela TV Globo e SBT. Foi ainda finalista de um prêmio Esso e vencedor de um prêmio Unimed de Jornalismo. Hoje cobre três editorias: tecnologia, negócios e marcas. Há mais de 15 anos criou o Blog do Armindo para falar dos assuntos que gosta mais. Sempre de um jeito simples e descomplicado, com objetivo de empoderar o leitor para tomar melhores decisões quando o assunto é tecnologia.