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A demanda dos consumidores por compras com IA cresce rapidamente, mas a confiança no comércio agêntico ainda precisa evoluir

Atualizado em 06/07/2026 às 15:07, por Armindo Ferreira.

Pesquisa da Checkout.com revela que um terço dos consumidores (33%) espera que pelo menos 10% de suas compras sejam realizadas por IA dentro de um ano, mas existe uma lacuna entre as expectativas dos consumidores e a preparação da indústria 

A confiança continua sendo uma barreira para a adoção: 27% dos consumidores afirmam não confiar em nenhuma organização para operar um agente de compras baseado em IA, enquanto 24% dizem que nunca delegariam compras para uma inteligência artificial 

Uma nova pesquisa da Checkout.com, empresa global líder em pagamentos digitais, revelou uma crescente diferença entre a demanda emergente dos consumidores e os níveis de confiança, controle e infraestrutura necessários para sustentar o comércio agêntico*. Os dados fazem parte do novo relatório da empresa, Agentic Commerce 2026: The State of Consumer Demand and Merchant Readiness

Um terço dos consumidores (33%) espera que pelo menos 10% de suas compras sejam conduzidas por inteligência artificial dentro de um ano. Os varejistas reconhecem essa transformação: quase três quartos (72%) concordam que os consumidores adotarão compras realizadas por agentes de IA mais rapidamente do que a maioria dos comerciantes está preparada para atender. 

Uma parcela significativa dos consumidores acredita que as compras por IA ganharão escala rapidamente. Embora os comerciantes enxerguem mudanças em etapas como descoberta de produtos, checkout e autenticação, também reconhecem que a infraestrutura do setor, os padrões tecnológicos e os modelos de responsabilidade ainda estão em processo de desenvolvimento. 

O resultado não é apenas uma lacuna de expectativa, mas também uma lacuna de confiança. Os consumidores demonstram interesse nas compras lideradas por IA, porém muitos ainda não estão preparados para delegar seus gastos sem garantias claras de segurança. A pesquisa mostrou que um em cada quatro consumidores (24%) afirma que nunca delegará compras para uma IA, enquanto 27% não confiam em nenhuma organização para operar um agente de compras baseado em inteligência artificial. 

Os consumidores acreditam no potencial da IA para transformar a experiência de compra, mas esperam que as empresas construam essa confiança por meio de controles transparentes, mecanismos claros de autorização e facilidade para cancelar ou interromper as operações. 

Os entrevistados também deixaram claro quais condições precisam existir para que se sintam confortáveis em delegar compras a um agente de IA. Em média, os consumidores permitiriam que um agente de compras gastasse até £177 por transação sem necessidade de aprovações adicionais nos seis mercados analisados. Esse valor é inferior à expectativa dos comerciantes do Reino Unido e dos Estados Unidos, que estimam um limite médio de £200. 

Para os consumidores, os requisitos mais importantes para confiar nesse modelo são limites de gastos predefinidos (30%), possibilidade de revogar permissões instantaneamente (29%) e cancelamento simples e rápido (28%). Os comerciantes também reconhecem a importância da transparência e do controle: 75% afirmam que oferecer aos clientes a capacidade de retirar permissões em tempo real será fundamental para a adoção do comércio agêntico. 

A principal motivação dos consumidores para utilizar agentes de compras baseados em IA é a conveniência. Eles desejam automatizar tarefas rotineiras para ganhar tempo e obter experiências de compra mais eficientes. Um em cada quatro entrevistados (25%) aponta a economia de tempo como principal motivo para utilizar um agente de compras de IA, enquanto 20% afirmam que gostariam de usar a tecnologia para garantir que nunca percam uma oferta melhor. 

Os resultados sugerem que o comércio agêntico crescerá de forma gradual e desigual, começando por categorias de menor risco e compras recorrentes antes de avançar para segmentos mais complexos. Os consumidores demonstram maior disposição para delegar compras de supermercado (41%) e itens domésticos (31%), por considerá-las compras previsíveis e de baixo risco. 

Por outro lado, compras que exigem maior análise, como serviços financeiros, aparecem entre as menos delegáveis, com apenas 15% dos consumidores dispostos a permitir que a IA tome essas decisões. Esse dado contrasta com a expectativa dos comerciantes, que acreditam que o comércio agêntico poderá ganhar tração justamente em decisões mais complexas, como a contratação de produtos financeiros. 

Segundo Rory O’Neill, CMO da Checkout.com, “o comércio agêntico está rapidamente deixando de ser um conceito para se tornar realidade. Os consumidores começam a experimentar agentes de IA para compras do dia a dia e vemos uma colaboração crescente em toda a indústria para criar os protocolos e padrões que sustentarão essa próxima fase do comércio eletrônico. No entanto, embora a adoção esteja acelerando, a infraestrutura necessária ainda está em desenvolvimento. Os consumidores precisam ter confiança de que os agentes de IA operarão dentro de controles claros relacionados à segurança, reembolsos, permissões e limites de gastos. Até que essas bases estejam estabelecidas, a confiança continuará sendo uma das maiores barreiras para a adoção." 

O comércio agêntico também tem potencial para transformar a lealdade às marcas. Mais da metade dos consumidores (57%) permitiria que um agente de compras baseado em IA trocasse de marca caso encontrasse uma alternativa com melhor relação custo-benefício. 

A Inteligência Artificial já está mudando a forma como consumidores descobrem produtos, comparam opções e escolhem marcas. Se as empresas conseguirem resolver questões relacionadas à confiança, responsabilidade e controle, a IA poderá redefinir profundamente o mercado de comércio digital. 

Atualmente, segundo comerciantes do Reino Unido e dos Estados Unidos, apenas 3% das transações envolvem agentes de IA. Ainda assim, 89% dos comerciantes afirmam estar se preparando ativamente para o comércio agêntico, sinalizando que a adaptação do mercado já está em andamento, mesmo enquanto padrões e modelos de confiança continuam amadurecendo. 

Metodologia 

A pesquisa foi conduzida pela Censuswide com uma amostra de 12.005 consumidores com mais de 18 anos em seis mercados (Reino Unido, Estados Unidos, Brasil, China, França e Emirados Árabes Unidos) e 400 líderes de pagamentos com mais de 25 anos, atuando em empresas voltadas ao consumidor nos setores de comércio eletrônico e varejo, bens e serviços digitais, venda de ingressos e viagens, supermercados e delivery de alimentos, trabalhando em tempo integral no Reino Unido e nos Estados Unidos. 

Os dados dos consumidores foram coletados entre 2 e 9 de março de 2026. Os dados dos comerciantes foram coletados entre 25 de fevereiro e 2 de março de 2026. 

A Censuswide segue as diretrizes da Market Research Society (MRS), o código de conduta da entidade e os princípios da ESOMAR. A empresa também é membro do British Polling Council. 

Familiaridade e Conforto Geral 

Alto nível de familiaridade: 61,14% dos brasileiros afirmam estar familiarizados com o conceito de agentes de compras baseados em IA, sendo que 28,42% se considera muito familiarizados" com a tecnologia. 

Níveis de conforto: Mais da metade dos consumidores brasileiros (54,90%) se sente confortável em permitir que um agente de compras com IA conclua uma compra em seu nome, enquanto apenas 29,22% se dizem desconfortáveis com essa possibilidade. 

Ritmo de Adoção e Principais Categorias 

Adoção acelerada: 12,69% dos entrevistados no Brasil afirmam que já realizam pelo menos uma em cada dez compras online utilizando um agente de compras com IA. Outros 22,78% planejam começar a fazer isso nos próximos seis meses. 

Categorias mais delegadas: Quando perguntados sobre quais compras delegariam primeiro a um agente de IA, as principais respostas foram produtos de supermercado e itens essenciais do dia a dia (46,93%), beleza e cuidados pessoais (36,29%) e itens básicos de moda (34,35%). 

Hábitos de Consumo e Controles Desejados 

Limites de gastos automáticos: O valor mais aceito pelos consumidores brasileiros para que uma IA realize compras sem aprovação prévia está na faixa entre £51 e £99 (42,07%). 

Controles indispensáveis: Antes de permitir que uma IA realize compras em seu nome, os consumidores brasileiros consideram essenciais a definição de um limite de gastos por compra (39,96%), a possibilidade de cancelamento ou reversão simples da compra (32,22%) e um teto de orçamento mensal (31,07%). 

Motivações e Busca por Valor 

Economia de tempo e dinheiro: As principais razões para utilizar um agente de compras com IA no Brasil são economizar tempo durante as compras (36,11%) e garantir que nunca deixem passar uma oferta melhor (27,87%). 

Lealdade à marca versus melhor custo-benefício: Um percentual expressivo de 65,48% dos consumidores concorda que permitiria que um agente de IA substituísse um produto ou trocasse de marca caso encontrasse uma opção com melhor relação custo-benefício. 

Evitar filas: 78,07% dos entrevistados afirmam que utilizariam um agente de compras com IA para evitar filas na compra de ingressos para festivais, shows ou eventos. 

Confiança, Dados e Principais Preocupações 

Em quem os brasileiros confiam: Quando o assunto é realizar pedidos e processar pagamentos, os consumidores brasileiros tendem a confiar mais em grandes empresas de tecnologia e inteligência artificial (21,98%), seguidas por carteiras digitais e serviços de pagamento (17,18%) e bancos ou emissores de cartão (13,79%). 

Compartilhamento de dados: Os brasileiros se mostram mais confortáveis em compartilhar seu histórico de compras (36,31%), dados pessoais relacionados ao perfil de consumo, como tamanho de roupas ou restrições alimentares (35,26%), e preferências por marcas e produtos (32,22%). 

Principais receios: A confiança nos agentes de IA diminuiria significativamente caso o consumidor fosse vítima de fraude ou comprometimento da conta (48,05%), tivesse seus dados pessoais ou de pagamento utilizados de forma inadequada (47,55%) ou se a IA realizasse uma compra sem autorização (44,46%). 

Recomendações patrocinadas: Uma ampla maioria dos entrevistados (75,42%) teme que agentes de compras com IA priorizem marcas que pagam para serem recomendadas. 

Responsabilidade por erros: Caso um agente de IA cometa um erro, como comprar o produto errado, 41,86% dos consumidores brasileiros acreditam que o principal responsável por solucionar o problema deve ser o fornecedor do agente


Armindo Ferreira

É jornalista com uma carreira sólida de mais de 22 anos na área – tendo passado pela TV Globo e SBT. Foi ainda finalista de um prêmio Esso e vencedor de um prêmio Unimed de Jornalismo. Hoje cobre três editorias: tecnologia, negócios e marcas. Há mais de 15 anos criou o Blog do Armindo para falar dos assuntos que gosta mais. Sempre de um jeito simples e descomplicado, com objetivo de empoderar o leitor para tomar melhores decisões quando o assunto é tecnologia.