Depois de apenas dois anos de atuação no Brasil, a Lity — marca de eletrônicos e acessórios com foco em design e custo-benefício — anuncia seus primeiros passos rumo à internacionalização. Os alvos iniciais são Chile e México, dois mercados considerados estratégicos para a construção de uma presença sólida na América Latina. Em meio à alta competitividade do setor, a empresa aposta na fórmula que deu certo no Brasil: produtos com identidade visual marcante, conexão com o estilo de vida do consumidor e parcerias com influenciadores de nicho. “Sabíamos que não bastava oferecer só funcionalidade. Era preciso gerar valor de marca desde o início”, afirma Sergio Amaral, Gerente de Exportação e Novos Negócios da Lity.
Nessa entrevista ao Blog do Armindo ele detalha um pouco mais sobre esse plano de expansão e os próximos passos da Lity.
A Lity completa dois anos no Brasil, um mercado reconhecidamente competitivo, e já mira a expansão internacional, começando por Chile e México. O que levou a empresa a entender que este é o momento certo para dar esse passo e como essa decisão se conecta com a estratégia de longo prazo da marca?
Embora sejamos uma marca relativamente nova, conseguimos construir uma trajetória sólida e de credibilidade no mercado brasileiro de eletrônicos e acessórios. Por esse motivo, enxergamos que era o momento de dar esse próximo passo. Em paralelo, observamos que o setor de varejo da América Latina está fazendo o movimento de diversificar o seu mix de fornecedores e se abrir para novas possibilidades. Esses dois fatores contribuíram para apostarmos em uma internacionalização. Além disso, quando se internacionaliza um negócio, é fundamental se adaptar a cultura local. Neste sentido, Chile e México se tornam bons pontos de partida. Além de serem mercados consumidores com potencial high-tech.
A Lity tem investido em produtos com design muito diferenciado, se destacando dos concorrentes que acabam brigando em um mercado de produtos mais genéricos e de baixo valor agregado de marca. Como foi fazer essa construção com o público brasileiro?
Desde o início sabíamos que queríamos construir um portfólio que fosse além da funcionalidade para gerar esse valor de marca. O consumidor brasileiro é dinâmico e conectado a tendências, valorizando empresas que se posicionam de uma forma autêntica, o que nos deu espaço para investir em um design diferenciado e com uma linguagem própria. Mas sabemos que um negócio não se sustenta apenas pelo visual e seguimos em uma busca constante por promover entregas de ainda mais qualidade. Outro aspecto importante da nossa estratégia é estudar o estilo de vida do nosso consumidor para adequarmos o nosso portfólio, as suas necessidades e desenvolver uma comunicação assertiva para nos conectar com esse público. Hoje, por exemplo, apostamos muito no marketing de influência por meio de um squad de influenciadores de skate e beach tênis. Todo esse conjunto nos permitiu criar uma proximidade com os nossos possíveis clientes e crescer com sustentabilidade no país.
Os primeiros produtos a chegar aos novos mercados serão fones de ouvido TWS, cabos de carregamento, caixas de som e power banks. Por que começar exatamente por esse portfólio e qual percepção de valor a empresa quer construir junto aos varejistas e consumidores locais?
Uma marca pode se adaptar, mas o seu valor permanece o mesmo. Sendo assim, o nosso propósito é seguir com produtos de qualidade e preço justo. Optamos por entrar no Chile e no México com esses itens porque costumam ser muito procurados pelo consumidor no dia a dia. São produtos com alta demanda e que funcionam como porta de entrada estratégica para a construção da marca em um novo mercado. Esse mix básico nos dará a chance de conquistar a confiança dos varejistas locais e estabelecer credibilidade com o consumidor final posteriormente. Nosso objetivo não é apenas vender, mas construir uma relação de longo prazo. Neste nicho, Chile e México não possui marcas 100% consolidadas, isso nos dá a chance de, em um curto passo, trabalharmos para ocupar o topo, ou seja, o “capitão da gôndola”.
O mercado latino-americano tem particularidades culturais, desafios tributários e forte presença de marcas globais. Quais são os principais desafios mapeados pela Lity e como pretendem construir um posicionamento diferenciado frente a essa concorrência?
Apesar de enxergarmos mais semelhanças que diferenças na cultura latina, sabemos que entrar nesse mercado exige muito mais que ter um bom produto. Por isso, a nossa abordagem é muito focada em respeitar essas nuances e trabalhar com parceiros locais experientes, como no caso da INFOCWB, que nos apoia na distribuição e operação logística com profundo conhecimento de cada território, nos permitindo reduzir os nossos riscos. Outro ponto importante é a construção gradual da confiança. Começamos com um mix de produtos essenciais, mas com padrão elevado, justamente para mostrar ao mercado que somos uma alternativa séria e comprometida.
No Brasil, a Lity apostou em ações de marketing com influenciadores e canais de comunicação de nicho. Essa mesma lógica será levada aos novos mercados ou haverá adaptações na comunicação para dialogar melhor com os públicos locais?
Estamos entrando no Chile e México com foco em B2B, mas com certeza o marketing de influência é uma estratégia que está no nosso radar quando for o momento.

Quais devem ser os próximos passos da Lity na América Latina e até onde a empresa quer chegar? A internacionalização deve incluir novos produtos como a linha de Green Energy ou até mesmo outros mercados?
A entrada no México e no Chile é apenas o início de tudo. Nossa visão de negócio é a de mostrar ao mundo que o Brasil é, sim, capaz de desenvolver produtos tecnológicos com qualidade, design e competitividade. Estamos dando os primeiros passos em países estratégicos, mas com o intuito de levar a marca para outros mercados da região à medida que consolidarmos a nossa operação. A inclusão de novos produtos é um processo natural.



