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Data centers de IA colocam a transmissão de energia no centro da expansão digital brasileira

Para Juan Collado, Country Manager da Redinter no Brasil, desafio não está apenas em gerar energia limpa, mas em garantir que ela chegue com confiabilidade aos grandes centros de processamento

Para Juan Collado, Country Manager da Redinter no Brasil, desafio não está apenas em gerar energia limpa, mas em garantir que ela chegue com confiabilidade aos grandes centros de processamento
imagem criada por IA.

A expansão dos data centers no Brasil ganhou um novo impulso com a sanção do Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata), mas a construção de grandes instalações para processamento de dados traz uma questão que vai muito além dos incentivos fiscais: como levar a energia necessária até esses centros de processamento?

Enquanto boa parte das discussões sobre a infraestrutura necessária para inteligência artificial se concentra no volume de energia consumido pelos data centers e na necessidade de utilizar fontes renováveis, a transmissão elétrica aparece como uma etapa fundamental para conectar a geração aos grandes consumidores.

Essa é a avaliação de Juan Collado, Country Manager da Redinter no Brasil, empresa da Redeia especializada em transmissão de energia elétrica. Para o executivo, o Brasil não enfrenta apenas o desafio de ampliar a oferta de energia para atender à expansão da economia digital, mas também de garantir que essa energia esteja disponível onde os novos centros de processamento serão instalados.

“A criação de incentivos fiscais, como é o caso do Redata, é importante, mas a equação dos data centers no Brasil tem um elo decisivo: a transmissão. Hoje, nosso desafio não é a falta de geração de energia limpa, mas garantir que ela chegue com confiabilidade aos centros de processamento.”

Segundo Collado, as cargas associadas à inteligência artificial e aos serviços em nuvem trazem novas exigências para o planejamento do sistema elétrico.

“As cargas intensivas de inteligência artificial e dos serviços em nuvem exigem conexão direta ao Sistema Interligado Nacional (SIN), fontes estáveis e inflexíveis de energia e planejamento antecipado. A transmissão deixou de ser um suporte invisível e se tornou o fator que define onde a nova economia digital será instalada no país.”

A energia limpa precisa chegar ao consumidor.

O Brasil parte de uma característica relevante para a expansão dos data centers: uma matriz elétrica com forte participação de fontes renováveis. O desafio apontado pelo executivo está na localização dessa geração em relação aos grandes consumidores.

A região Nordeste, por exemplo, concentra grande potencial de geração renovável, especialmente eólica e solar. Para que essa energia possa atender novos polos de consumo, entretanto, é necessário contar com infraestrutura de transmissão capaz de transportar eletricidade em larga escala e com confiabilidade.

É nesse ponto que a expansão dos data centers se conecta diretamente ao planejamento do sistema elétrico.

Para Collado, a discussão sobre sustentabilidade precisa considerar toda a infraestrutura necessária para atender à nova demanda.

“É perfeitamente possível. A nova lei estimula polos como o Nordeste, que conta com um enorme potencial de geração renovável, mas essa energia geralmente é produzida longe das instalações tecnológicas. A transmissão é o elo crítico que permite transportar essa energia limpa de forma segura.”

O próprio Redata estabelece critérios relacionados às fontes de energia utilizadas pelos empreendimentos beneficiados. A legislação determina que as instalações habilitadas atendam a requisitos de sustentabilidade e publiquem informações sobre as fontes utilizadas para suprir sua demanda.

IA aumenta a pressão sobre o planejamento.

A expansão da inteligência artificial acrescenta uma nova camada ao planejamento da infraestrutura. O Redata inclui expressamente entre os serviços de data center atividades de computação em nuvem, processamento de alto desempenho e treinamento e inferência de modelos de inteligência artificial.

Isso significa que a expansão da capacidade computacional passa a depender de uma cadeia de infraestrutura que envolve não apenas servidores e conectividade, mas também energia, transmissão e disponibilidade de rede.

Na avaliação de Collado, o planejamento precisa ocorrer antecipadamente para acompanhar a velocidade com que a demanda digital pode crescer.

A questão também se conecta aos desafios identificados por outros executivos e entidades ouvidos pelo Blog do Armindo após a sanção do Redata. Ricardo Araújo, Diretor e COO da Omid, apontou disponibilidade e transmissão de energia, conectividade, custo de capital, mão de obra especializada e velocidade de implantação como alguns dos desafios para a expansão dos data centers no país.

O ponto em comum é que o incentivo tributário é apenas uma parte da equação. A instalação de novos centros de processamento depende de uma infraestrutura física capaz de acompanhar a demanda.

Sustentabilidade vai além da fonte de energia.

Para Collado, a discussão ambiental também precisa incluir a própria infraestrutura de transmissão.

“A verdadeira sustentabilidade exige que a própria rede elétrica incorpore critérios de ecodesign e adaptação climática.”

O conceito amplia a discussão tradicional sobre os data centers. Não basta considerar apenas a origem da eletricidade consumida pelo empreendimento. A expansão da rede necessária para transportar essa energia também envolve obras, território, impactos ambientais e relacionamento com as comunidades.

“A isso se soma o fato de que o desenvolvimento socioeconômico e o respeito às comunidades não são elementos complementares, mas estruturais: é essa licença social que garante que a infraestrutura seja aceita e resiliente no longo prazo”, afirma o executivo.

Uma infraestrutura que normalmente fica em segundo plano.

A expansão dos data centers costuma ser apresentada a partir de números relacionados a capacidade computacional, investimentos, consumo energético e crescimento da inteligência artificial. A transmissão, entretanto, permanece menos visível para o usuário final.

É justamente essa infraestrutura que conecta os pontos da cadeia: a geração de energia, muitas vezes localizada distante dos grandes centros consumidores, e instalações que demandam grandes volumes de eletricidade para manter serviços de nuvem, processamento de dados e aplicações de inteligência artificial.

Com o Redata já transformado em lei, o Brasil entra em uma nova etapa da discussão sobre data centers. Os incentivos podem ajudar a criar condições para novos investimentos, mas a expansão efetiva dependerá também da capacidade de infraestrutura do país de acompanhar essa nova demanda.

Nesse cenário, a transmissão deixa de ser apenas uma etapa técnica do sistema elétrico e passa a fazer parte da própria infraestrutura necessária para sustentar a expansão da economia digital brasileira.

Armindo Ferreira

News Influenciador

É jornalista com uma carreira sólida de mais de 22 anos na área – tendo passado pela TV Globo e SBT. Foi ainda finalista de um prêmio Esso e vencedor de um prêmio Unimed de Jornalismo. Hoje cobre três editorias: tecnologia, negócios e marcas. Há mais de 15 anos criou o Blog do Armindo para falar dos assuntos que gosta…