Antes de começar a escrever esse texto, é importante deixar claro ao querido leitor duas coisas importantes. A primeira é que eu naturalmente sou um fã de Assassin's Creed de uma maneira geral. Gosto de todo o lore, gosto de aprender um pouco sobre história jogando e de toda essa preocupação da Ubisoft com isso. Mas não joguei todos os títulos ainda e nem gosto de todos. Valhalla eu larguei no meio do caminho, Syndicate eu fiz todas as mínimas missões e adoro os irmãos protagonistas e os cenários da Londres antiga. E evidentemente eu sabia do acerto que era Black Flag, lançado em 29 de outubro de 2013, para PS3, Xbox 360, Wii U e PC. As versões de PS4 e Xbox One saíram um pouco depois, como jogos de lançamento dos novos consoles: 15 de novembro (PS4) e 22 de novembro (Xbox One) daquele ano. Porém, por uma série de motivos, eu não cheguei a jogar nessa versão.
Ou seja, o texto que você lerá a seguir é de um jogador que, de uma maneira geral, é fã do lore de AC e que jogou pela primeira vez Assassin’s Creed™ Black Flag em sua versão Resynced.
Primeiro, vamos falar um pouco do game para quem também jogará pela primeira vez.
Assassin’s Creed Black Flag Resynced apresenta-se como um remake moderno desenvolvido na versão mais recente da engine Anvil, a mesma tecnologia de ponta utilizada em Assassin’s Creed Shadows. Esta atualização técnica permite uma experiência visual de alta fidelidade com a implementação de Raytracing (tanto por hardware quanto por software) e Micropoly, além de um Asset Remake completo que revitaliza o Caribe. A exploração foi otimizada com a introdução de cidades "seamless", eliminando telas de carregamento, e ambientes que agora contam com objetos dinâmicos e destrutíveis.
No campo da jogabilidade, o título traz inovações significativas tanto em terra quanto no mar. O sistema de combate terrestre foi reformulado para focar em defesa e contra-ataque, introduzindo parries perfeitos, finalizações em cadeia (chain takedowns), chutes contra paredes e ataques pesados (heavy strikes). O sistema de parkour também evoluiu, agora permitindo o pulo manual e o uso de tirolesas. Para o combate naval, o navio Jackdaw recebeu armas modernizadas, mira manual para as canhoneiras de suporte e novos tipos de munição, como os Tiros Aquecidos (Heated Shots) e Barris de Estilhaços (Shrapnel Barrels).
Narrativamente, o jogo mantém a essência da jornada de Edward Kenway durante a Era de Ouro da Pirataria (1715–1722), em que o capitão pirata se vê envolvido na guerra milenar entre Assassinos e Templários enquanto busca fortuna e o lendário Observatório.
Minha experiência de jogabilidade.

A Ubisoft fez a aposta mais óbvia desse momento do mundo dos games: pegar um dos jogos mais amados da história de Assassin's Creed e trazer de volta com engine nova. Perceba que é um caminho muito parecido que a indústria do cinema está seguindo.
Nos primeiros minutos do jogo, eu já sabia onde estava. É tudo muito amigável para quem já jogou algum AC. Eu tenho um perfil de jogo mais focado em furtividade e parkour, e andar pelas cidades pelos tetos é uma felicidade.
O Animus Hub é um ecossistema digital integrado que funciona como uma central para a franquia Assassin’s Creed, tendo sido lançado originalmente com Assassin’s Creed Shadows. Em Black Flag Resynced, ele evolui para oferecer recompensas exclusivas, novos desafios e conteúdos narrativos inéditos. No remake, o Hub ganha funções práticas e narrativas importantes:
* Rifts (Fendas): A narrativa do "tempo presente" foi movida para o Hub por meio dos Rifts.
* Ferramenta de Benchmark (PC): No computador, o teste de desempenho do hardware é acessado exclusivamente por meio do menu do Animus Hub.
* Recursos Online: Ele centraliza funções como notícias do jogo, loja interna, modo foto e a progressão cruzada (cross-progression) entre plataformas.
A gameplay oferece várias possibilidades. Você pode andar de forma furtiva pelos arbustos, esconder-se em cantinhos, carros de feno e armários dentro das casas. O sistema de combates é bem rico e, além dos ataques tradicionais, você pode empurrar ou dar rasteiras. Também pode se proteger com belos contra-ataques que rendem igualmente belas coreografias.
Eu estava bem curioso para conhecer a famosa dinâmica de navegação dos navios e fiquei, de fato, bem impressionado. Há um certo desafio em pegar o jeito do combate, mas, quando isso acontece, é bem divertido. E logo no começo do jogo há uma cena linda com fortes ondas e raios que, de fato, irá te colocar na pele de um pirata. Também há mecânicas de gerenciamento do navio que vão sendo explicadas aos poucos.
Para quem gosta de explorar, temos muitas opções. Logo na primeira ilha pequena em que você irá parar para tomar um ar, há tesouros escondidos, inclusive no fundo do mar. Se você tem esse perfil explorador, vale a pena degustar cada mapa.

Mas vale a pena comprar Assassin’s Creed™ Black Flag Resynced?
Boas histórias no mundo dos games são atemporais e Assassin’s Creed™ Black Flag Resynced é o tipo de game que merece um remaster, seja pelo fator nostalgia, seja pela necessidade de atualizar o lore ao mundo moderno e para novas audiências. O uso da engine Anvil é um acerto e garante uma atualização que vale a pena o investimento. A leve mudança no lore não me incomoda; isso é tão comum hoje no mundo do entretenimento, inclusive com retcons bem mais agressivos.
Então, sim, é um game que traz novidades para quem já jogou e, como no meu caso, o melhor jeito de descobrir por que esse título é consagrado dentro do universo de AV.
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