Livro de Laura Hauser propõe reflexão sobre tecnologia, polarização e conexões humanas
Especialista em ética na IA analisa os impactos da transformação digital nas emoções, nas empresas e na forma como as pessoas se relacionam.
capa / divulgação
A tecnologia, cada vez mais presente na rotina das pessoas, pode começar a influenciar não apenas decisões práticas, mas também a forma com a qual os indivíduos se relacionam, elaboram emoções e constroem vínculos? A socióloga, historiadora, pesquisadora e especialista em ética na Inteligência Artificial Laura Hauser lança o livro Saber conversar na Era da IA: (sobre)viver na TecnoAfetividade, obra que propõe uma reflexão sobre os impactos das tecnologias digitais nas relações humanas, na comunicação e na vida emocional em uma sociedade cada vez mais mediada por algoritmos.
Em meio ao avanço acelerado da Inteligência Artificial, à hiperconexão permanente e ao crescimento da polarização social, a autora convida o leitor a olhar para aquilo que vem se perdendo nas interações humanas: a escuta, a empatia e a capacidade de sustentar conversas profundas em um ambiente marcado por respostas instantâneas, excesso de estímulos e certezas absolutas.
Com uma trajetória que transita entre pesquisa, educação, inovação, consultoria e mediação cultural, Laura parte de situações cotidianas, como discussões familiares atravessadas por telas, ambientes corporativos tensionados e relações sociais marcadas pelo pensamento binário, para refletir sobre a forma como as plataformas digitais e os sistemas algorítmicos moldam comportamentos, emoções e percepções de mundo.
Um dos pontos abordados pela autora é justamente a transformação silenciosa na maneira como as pessoas lidam com questões emocionais. O avanço do uso de inteligências artificiais para conversas sobre angústia, ansiedade, relacionamentos e sofrimento emocional vem revelando mudanças importantes no comportamento humano. Disponíveis a qualquer hora, gratuitas e programadas para responder sem confrontos ou julgamentos, ferramentas de IA passaram a ocupar um espaço antes restrito aos vínculos interpessoais e, em alguns casos, ao acompanhamento terapêutico.
Laura propõe uma discussão sobre os limites éticos, emocionais e sociais dessa relação crescente entre humanos e máquinas. Sem adotar um discurso alarmista ou tecnofóbico, a autora analisa os riscos de uma sociedade que substitui gradualmente a complexidade das relações humanas por interações mediadas por sistemas programados para oferecer conforto imediato, validação constante e respostas previsíveis.
O livro também analisa como a lógica das redes sociais contribui para o fortalecimento da polarização e da intolerância, afetando não apenas o debate público, mas também a criatividade, a diversidade de pensamento e a capacidade de colaboração dentro das empresas. Ao conectar tecnologia, comportamento e ética, Laura mostra que os efeitos da transformação digital ultrapassam o universo técnico e impactam diretamente a forma como a sociedade se organiza, trabalha, aprende e estabelece vínculos.
A obra também reúne contribuições de nomes relevantes do universo da inovação e da tecnologia, a partir de entrevistas exclusivas concedidas à autora. Entre elas, estão Glaucia Guarcello, referência em foresight estratégico, inovação e transformação corporativa, e Dora Kaufman, escritora e professora do programa de Tecnologias da Inteligência e Design Digital da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. O livro conta ainda com prefácio de Mari Castro, editora-chefe da Fast Company Brasil e head de curadoria do KES.
Saber conversar na Era da IA: (sobre)viver na TecnoAfetividade propõe uma reflexão sobre o presente e o futuro das conexões humanas em uma realidade em que a Inteligência Artificial passa a ocupar espaço central nas decisões, nas relações profissionais e até nos afetos. A autora defende a importância de preservar o pensamento crítico, a escuta ativa e a complexidade humana em tempos de automação crescente.
A obra já reúne reconhecimento de nomes ligados à inovação, comunicação, comportamento e tecnologia, que destacam a capacidade de Laura Hauser de traduzir temas complexos de maneira acessível e sensível, ampliando o debate sobre os impactos da IA na sociedade contemporânea.
Quem é Laura Hauser
Curadora do KES e pesquisadora do departamento de Comunicação e Semiótica da PUC-SP, onde desenvolve doutorado sobre Inteligência Artificial e seus impactos éticos e comportamentais, Laura Hauser tem se consolidado como uma das vozes mais instigantes no debate sobre tecnologia, cultura e sociedade.
Graduada em História pela Universidade Panthéon-Sorbonne e mestre em Sociologia da Cultura pela Universidade Sorbonne-Nouvelle, Laura também possui formação em “Tecnologia de Mercado na Era Digital” pelo Instituto Holon de Tecnologia de Israel. Além da pesquisa acadêmica, atua como consultora, palestrante e curadora de conteúdo estratégico para alta liderança.
Autora de livros como Políticas Públicas para Cultura (2018) e Apesar de Tudo (Editora Patuá, 2022), Laura tem dedicado sua produção intelectual a refletir sobre como a tecnologia molda comportamentos, relações sociais e imaginários contemporâneos. Em seu novo livro, ainda inédito, a pesquisadora vai aprofundar as conexões entre inteligência artificial, afetos e convivência social.
No doutorado que desenvolve na PUC-SP, Laura investiga como as pessoas recorrem à inteligência artificial para o companheirismo – seja como namorada, amiga, terapeuta ou confidente. Para ela, esse fenômeno está diretamente ligado ao contexto atual de epidemia de solidão e de precarização do acesso à saúde mental.
Serviço
Livro: Saber conversar na Era da IA: (sobre)viver na TecnoAfetividade
Autora: Laura Hauser
Editora: Actual Editora
Publicação: 13 de maio de 2026
Páginas: 260
ISBN: 978-6583400482
Idioma: Português

Armindo Ferreira
É jornalista com uma carreira sólida de mais de 22 anos na área – tendo passado pela TV Globo e SBT. Foi ainda finalista de um prêmio Esso e vencedor de um prêmio Unimed de Jornalismo. Hoje cobre três editorias: tecnologia, negócios e marcas. Há mais de 15 anos criou o Blog do Armindo para falar dos assuntos que gosta mais. Sempre de um jeito simples e descomplicado, com objetivo de empoderar o leitor para tomar melhores decisões quando o assunto é tecnologia.






