/apidata/imgcache/3043520d5f73833975dfc106f728e83a.png?banner=left&when=1775933927&who=375
/apidata/imgcache/3043520d5f73833975dfc106f728e83a.png?banner=right&when=1775933927&who=375
/apidata/imgcache/dc160ba170be17f3ec72dffe54fb863a.webp?banner=top&when=1775933927&who=375

Rayman 30 Anos: quando a saudade chega numa via e entrega com a outra.

Atualizado em 07/03/2026 às 15:03, por Armindo Ferreira.

Quando eu era bem mais jovem e via a caixa do Rayman na prateleira da locadora, parecia que aquele personagem sem braços e sem pernas encarnava tudo que o videogame prometia ser: criativo, estranho e completamente impossível de parar de tentar. Não era bem assim. Rayman era brutal. Você morria mais do que avançava. Pensando aqui, a locadora ficava rica no fim de semana.
 

Trinta anos depois (tecnicamente 31), chegou Rayman: 30th Anniversary Edition, desenvolvida pela Digital Eclipse. Para quem não conhece, a Digital Eclipse é o estúdio que transformou a arte de relançar jogos antigos em algo próximo de arqueologia séria. Fizeram isso com Mortal Kombat, TMNT, Worms. A expectativa, portanto, era justificada.
 

/apidata/imgcache/310135c27086a77d0f284d32b566bde1.png?banner=postmiddle&when=1775933927&who=375

O pacote entrega cinco versões do jogo original: MS-DOS, PlayStation, Atari Jaguar, Game Boy Color e Game Boy Advance. Mais de 120 fases extras dos pacotes de PC dos anos 90, que muita gente nunca viu porque eram distribuídos de maneiras que hoje pareceriam estranhas até para quem viveu aquela época. E o prato especial: o protótipo para SNES de 1992, que nunca foi lançado e que permite entender como o jogo começou antes de encontrar sua forma definitiva. Para quem se interessa por história do videogame, é material valioso de verdade.
 

Tem também um documentário interativo com mais de 50 minutos de entrevistas com a equipe original, incluindo Michel Ancel, o criador do personagem. Concept arts, documentos de design, um dossiê de 60 páginas do projeto antes do desenvolvimento. A Digital Eclipse faz isso bem. Melhor do que qualquer museu físico já faria.

Agora, a outra via.

A trilha sonora original, composta por Rémi Gazel, não está aqui. No lugar, uma versão reimaginada por Christophe Héral, que trabalhou nos jogos mais recentes da série. Héral é competente, o resultado não é ruim, mas é uma decisão que pode incomodar todo mundo que lembra do som original. Provavelmente uma questão de direitos que ninguém resolveu a tempo, mas que tira precisamente o que transforma uma coleção de ROMs em memória afetiva.

Eu joguei no PC com controle e a experiência em geral foi boa com todas as versões. Você pode ligar filtros que lembram as TV's antigas. Mas confesso que senti um gostinho de quero mais: quatro das cinco versões são basicamente o mesmo jogo. Quem esperava Rayman 2 e Rayman 3 no pacote vai sair com aquela sensação de ter ganho uma festa que acabou cedo.

A Ubisoft parece estar agora num momento de necessária transformação e é curioso lembrar que que Rayman foi exatamente o jogo que a transformou de estúdio francês entusiasmado na maior empresa de desenvolvimento da Europa, nos anos 90. Usar isso como produto de nostalgia enquanto a empresa enfrenta uma crise de identidade e de mercado não deixa de ser emblemático.

Vale comprar? Para quem jogou na época, ou é muito aficcionado pelo mundo dos games, sim. O material de bastidores é genuíno, e poder voltar ao Dream Forest sem perder o save toda vez que o jogo decide travar é uma qualidade de vida que o Armindo mais jovem teria abraçado com os braços que o Rayman não tem.

Para quem nunca jogou e quer entender o personagem: o jogo ainda segura. A arte envelheceu melhor do que a maioria dos plataformers da mesma geração. Mas vai querer o rewind ligado.


Armindo Ferreira

É jornalista com uma carreira sólida de mais de 22 anos na área – tendo passado pela TV Globo e SBT. Foi ainda finalista de um prêmio Esso e vencedor de um prêmio Unimed de Jornalismo. Hoje cobre três editorias: tecnologia, negócios e marcas. Há mais de 15 anos criou o Blog do Armindo para falar dos assuntos que gosta mais. Sempre de um jeito simples e descomplicado, com objetivo de empoderar o leitor para tomar melhores decisões quando o assunto é tecnologia.