Quando a TecToy me convidou para testar o Zeenix Pro durante 15 dias, confesso que fiquei animado. Primeiro porque tenho uma ligação afetiva com a marca, que marcou a infância de muita gente da minha geração. Segundo, porque eu realmente queria ver uma empresa brasileira entrando em um dos mercados mais disputados da tecnologia: o dos PCs portáteis para games.
É fato que não é 100% brasileiro, mas isso também não tira o mérito do trabalho de nacionalização, venda e distribuição da Tectoy.
Depois de duas semanas usando o aparelho como qualquer consumidor faria, cheguei a uma conclusão que talvez não agrade quem procura uma resposta simples. O Zeenix Pro não é um produto perfeito, mas também está longe de ser um produto ruim. Ele tem qualidades que merecem destaque e limitações que precisam ser conhecidas por quem pensa em investir nele.
Minha primeira impressão foi de desconfiança e estranhamento.
Não vou mentir ao leitor, minha primeira impressão não foi muito boa. É verdade que, ao abrir o equipamento desligado, ele mostra uma qualidade de construção interessante, inteligente e robusta.
A TecToy merece reconhecimento pelo trabalho realizado. O Zeenix Pro transmite uma sensação de produto sólido, bem montado e com acabamento caprichado. Não encontrei folgas, peças mal encaixadas ou qualquer aspecto que lembrasse um equipamento "improvisado". Pelo contrário. A impressão é de um projeto bem executado.
Mas, na hora de ligar, começou minha confusão.
E isso porque o Zeenix deixa claro que é um computador portátil, mas a minha cabeça estava esperando um console portátil. E são coisas distintas.
O Zeenix Pro roda Windows. Isso significa que, ao tirá-lo da caixa, a experiência é muito mais parecida com configurar um notebook do que ligar um videogame. Foi preciso configurar o Windows, fazer login na conta Microsoft, instalar atualizações do sistema, atualizar drivers, instalar Steam, Epic Games Store, fazer login em cada plataforma e, só então, começar a baixar os jogos.
Isso não é exatamente um defeito. Afinal, o Zeenix Pro é um PC portátil. Um console você liga e começa a jogar.
Nesse momento, o teclado que vem junto vai ser bem útil para configurar nomes de usuários e senhas e digitar informações solicitadas pelo Windows.

Na caixa vem também um importante guia. Vale a pena ler com calma para entender melhor as funcionalidades.


O equipamento vem numa caixa muito bem estruturada e acompanha um estojo que faz a diferença na hora de levar o equipamento na mochila ou na mala numa viagem.

Essa configuração inicial que falei acima exige tempo e paciência até que o primeiro gameplay aconteça. Foi justamente nesse momento que senti falta de um pouco mais da identidade da TecToy.
A empresa tem uma história enorme no mercado de videogames e hoje também trabalha com produtos ligados ao universo retrô, como o Atari. Por isso, imaginei que seria interessante encontrar alguns jogos leves, clássicos licenciados ou até demos já instalados no aparelho. Enquanto os jogos maiores estivessem sendo baixados, o usuário já poderia começar a se divertir.
É um detalhe que não muda o hardware, mas melhora bastante a primeira experiência de quem acabou de comprar o produto.

A ergonomia também foi uma grata surpresa.

O formato das empunhaduras encaixa muito bem nas mãos e o peso é bem distribuído. Durante as minhas sessões de jogo, não senti desconforto, mesmo depois de um bom tempo segurando o console. Esse é um detalhe que costuma passar despercebido na ficha técnica, mas faz toda a diferença no uso diário.

Os controles também me agradaram bastante. Os analógicos oferecem boa precisão, os gatilhos respondem bem e os botões passam sensação de qualidade. O direcional funcionou corretamente nos jogos que testei e a distribuição dos comandos é intuitiva. Além dos controles tradicionais, o Zeenix Pro ainda conta com botões traseiros.


Os testes de gameplay para valer.
Meu tempo de testes era restrito e leva um certo tempo para instalar os aplicativos e depois os games. Assim, escolhi 3 opções para ser mais prático.
O primeiro foi Dying Light 1, justamente porque possui momentos que exigem bastante da GPU, principalmente quando o cenário abre e a cidade inteira aparece na tela. É um game que eu costumo usar para esse tipo de testes.
O desempenho foi bom. O jogo rodou de forma satisfatória e proporcionou uma experiência agradável. Em compensação, percebi um aquecimento considerável na região da tela durante essas sessões mais pesadas. Não chegou a comprometer a jogabilidade, mas foi um comportamento que chamou minha atenção. Mas a gameplay foi lisa.

Já com Fortnite, tive a melhor experiência dos testes.
Foi o jogo em que simplesmente parei de pensar que estava fazendo um review e comecei a jogar por diversão. Os controles responderam muito bem, a ergonomia fez diferença nas partidas e a experiência foi bastante positiva. Se alguém me perguntasse qual jogo mostrou melhor o potencial do Zeenix Pro durante meus testes, provavelmente seria Fortnite.

O terceiro teste, porém, acabou revelando um problema inesperado. Queria jogar Horizon Chase, um excelente game brasileiro que considero perfeito e divertido para um portátil. Só que não consegui sequer iniciar a partida. Logo na primeira execução surgiu a tela de contrato de licença (EULA), mas completamente desconfigurada. O botão para aceitar os termos ficou fora da área visível da tela e, sem conseguir avançar dessa etapa, também não consegui acessar nenhuma configuração do jogo.
É importante dizer que isso pode ser uma incompatibilidade específica entre o jogo e a configuração utilizada durante meus testes, e não necessariamente uma limitação do hardware. Mas, para quem compra um videogame portátil, pouco importa a origem técnica do problema. Se o jogo não funciona, a experiência acaba sendo frustrante.
Onde o Zeenix ainda precisa evoluir.

Depois de 15 dias usando o aparelho, minha principal impressão é que o hardware está pronto para competir. A experiência de uso, porém, ainda depende muito do Windows e do amadurecimento do ecossistema de software. Pequenos detalhes de interface, configuração e compatibilidade acabam quebrando essa imersão.
E digo isso justamente porque gostei do projeto.
A TecToy acertou bastante na construção do equipamento. O hardware mostra potencial, transmite qualidade e demonstra que a empresa é capaz de desenvolver um produto competitivo.
Talvez por isso minha expectativa tenha aumentado ao longo dos testes.
Vale a pena comprar o Zeenix Pro?
A resposta depende muito do perfil de quem vai comprar e do quanto você está disposta a investir. É um produto que boa parte vem da importação em dólar e estamos num momento em que os componentes eletrônicos estão cada vez mais caros. Não vai ser uma opção barata.
Se você procura um PC portátil bem construído, confortável e com bom potencial para rodar seus jogos, o Zeenix Pro entrega qualidades importantes.
Mas quem espera uma experiência tão refinada quanto a dos principais concorrentes do mercado ainda pode encontrar algumas barreiras, principalmente relacionadas ao software e à integração do Windows com a proposta de um videogame portátil.
Eu poderia simplesmente devolver o produto e dizer que não gostei. Também poderia fazer um review apenas destacando os problemas. Mas isso não seria justo.
O compromisso de um review não é agradar o fabricante nem criticá-lo por criticar. É informar o consumidor.
E, sendo justo, a TecToy fez um excelente trabalho no hardware do Zeenix Pro. Ao mesmo tempo, acredito que ainda exista espaço para evoluir na experiência de uso. A boa notícia é que essa evolução passa muito mais por software, otimizações e integração do sistema do que por mudanças no equipamento em si.
Saí desses 15 dias com uma sensação curiosa: gostei bastante do potencial do Zeenix Pro. Em vários momentos, especialmente jogando Fortnite, esqueci que estava testando um produto e apenas me diverti. Em outros, esbarrei em pequenas limitações que me lembraram que a plataforma ainda está amadurecendo.
No fim das contas, é justamente isso que espero de uma primeira geração: um produto que mostra competência, aponta um caminho promissor e deixa claro que ainda há espaço para evoluir. E, sinceramente, espero que a TecToy continue investindo nessa ideia. O mercado ganha quando há mais concorrência, e o consumidor ganha quando empresas ouvem o feedback de quem realmente coloca o produto à prova.




