Antes de começar esse texto, é preciso deixar claro uma coisa ao leitor: eu tenho um carinho muito especial pela BGS e pela importância que o evento tem na minha carreira e no mundo dos games. Acho que é um evento que você pode jogar de graça nas áreas de free to play, coloca fãs perto de pro players e comunidades com seus criadores. E deixa muita criança e jovem feliz da vida, vi vários aliás.
Mas também não dá para não dar voz para as dezenas de reclamações nas redes sociais sobre alguns problemas pontuais da edição desse ano. O primeiro parece ser o critério para distribuição das pulseiras para o Meet and Greet com o Hideo Kojima: ao não ficar claro o motivo, muitos fãs ficaram decepcionados, com certeza o inverso do que a organização do evento queria. A gente poderia até dizer que em outros eventos esse tipo de atividade é cobrada, aqui gratuita. Mas também não quer dizer que não poderia ser melhor a dinâmica. Um sorteio eletrônico entre inscritos, um aplicativo com fila de espera digital, dá para melhorar isso o ano que vem, eu tenho certeza que sim.
Outra coisa que não dá para ignorar é a ausência de brindes legais e ativações criativas. Aqui é bom que se diga, a organização do evento tem pouca responsabilidade sobre isso. Mas as pessoas esperam esse tipo de coisa. Há sempre centenas de vídeos com os caçadores de brindes mostrando orgulhosamente seus loots. Sim, todo gamer gosta de um loot e de exibir sua experiência épica ao conseguir. E não, potinho com meia dúzia de batata frita ou um pacotinho de alguns gramas de amendoim não é brinde legal. Aí o que sobram nas redes sociais são reclamações sobre isso. Pessoas frustradas, chateadas e não querendo voltar no próximo ano. Recuperar essa pessoa vai demandar trabalho árduo.
Mas também é injusto dizer que não houve acertos. O novo local é mais plano e os standes ficaram mais próximos. Vi algumas pessoas reclamando que estava muito lotada. Sábado e feriados sempre foi assim. Se o evento estivesse vazio, muita gente ia dizer que o evento flopou e tal. Então aqui é algo que nunca vai agradar todo mundo. Mas quero deixar claro: se a pessoa pagou do bolso dela a entrada e não ficou satisfeita, ela tem todo direito de se manifestar.

Um avanço evidente para mim foi a área Indie foi a melhor dos últimos anos: espaçosa, com possibilidade de andar entre os estandes sem aperto, e jogar e conversar com os desenvolvedores. Sam Quino, cuida do Marketing da Big Blue Sky Games, e falou comigo sobre a importância para eles, um estúdio independente do Canadá, de participarem desse momento. “Estamos aqui para receber feedback, especialmente do público brasileiro. Sabemos que as capivaras são um símbolo importante da cultura do Brasil, então quisemos homenagear isso e fortalecer a conexão com a comunidade brasileira.” Eles trouxeram o game Capy Castaway, um cozy-game (game sem muito agito, feito para explorar com calma) de uma capivara e seu amigo corvo. Numa fase demo jogável que pude testar era preciso procurar ingredientes para fazer uma sopa. “Recebemos muitos retornos positivos: as pessoas adoram a fofura do jogo, o personagem capivara e a possibilidade de jogar com amigos. Até criamos uma atividade inspirada o futebol para homenagear o público brasileiro”, finalizou Quino.

Entre erros e acertos, a Brasil Game Show ainda é um ponto de encontro da comunidade.
Há também reclamações de poucos títulos novos para jogar, algo que sempre foi muito marcante na Brasil Game Show. Mas isso também é um reflexo na maioria do mercado gamer em uma maneira geral que de fato esse ano, na minha opinião, está bem fraco de novidades e vive uma crise do começo do fim de uma geração. Também não tem tanto dinheiro como tinha antes e isso é claro que se refletiu nos corredores do evento.
Para muita gente, entre os erros e acertos, o que vale é o grande ponto de encontro gamer que a BGS é. É o caso do empresário Elio Filho, que é um brasileiro morando em Portugal e atravessou o mar para participar da Brasil Game Show. Vale a pena viajar tanto para participar do evento? ” Sempre vale a pena. A BGS é um encontro da de gerações de gamers, não é só de um gamer ou do que eu gosto. É a paixão. A Brasil Game Show reúne não só marcas, mas os fãs e eles conseguem interagircomm os players, com a com as próprias marcas. Acabei de vir no estande da Nintendo, o atendimento que eles têm ali com as pessoas, com as crianças, isso é importante, isso a gente encontra na BGS, acessibilidade.” Ele também comentou o novo espaço. “Eu gostei esse ano de ser tudo plano, tudo térreo, sem rampa, tudo muito acessível, muito limpo, muito conjugado. Gostei. Tá de parabéns a BGS”, finalizou.

Há anos a Brasil Game Show é um dos pontos de encontros também para a Team Liquid, que em mais um ano brilhou num belo estande com ativações, loja da cavalaria e claro muitos games. O Rafael Queiroz que é General Manager Brazil at Team Liquid me contou a importância desse contato. “Eventos presenciais como este são momentos únicos para nos aproximarmos dos nossos fãs. A Liquid é, essencialmente, uma marca do mundo digital, então raramente conseguimos encontrá-los pessoalmente. Esses encontros nos dão a oportunidade de reunir todos os talentos da Liquid, oferecer experiências diferentes e ouvir diretamente o público – algo que, muitas vezes, é mais difícil no ambiente digital, onde tudo é mais efêmero.”

Samsung e Path of Exile se destacaram no evento.
Num ano em que as principais empresas de eletrônicos não estiveram no evento (a TCL estava lá, mas eu não levo muito a sério a linha gamer deles e muito menos recomendo) a Samsung sem dúvidas chamou a atenção num estande enorme, abarrotado de ativações, com muitas estações para jogar e novidades em monitores. A Marina Correia, gerente de produto de monitores da marca, me falou mais sobre a participação da Samsung no evento.

“Este ano, quisemos apresentar as tecnologias mais incríveis e oferecer experiências realmente diferentes para os usuários. Entre as novidades estão monitores de 500 Hz e 360 Hz, além do Odyssey 3D, um monitor que permite jogar em 3D sem precisar de óculos. A área de experimentação também conta com supertelas de 57 e 49 polegadas, perfeitas para fãs de automobilismo que nunca conseguiram montar um simulador tão imersivo em casa.”
Mas não é só tecnologia: a Samsung também apostou na interação direta com o público. Atletas, influenciadores e celebridades participaram de ativações no estande, permitindo que os visitantes encontrassem com seus ídolos. “A ideia é aproximar a galera dessas celebridades e tornar a experiência ainda mais memorável”, completa.
O objetivo da marca é claro: transformar a visita ao estande em uma experiência única, divertida e inesquecível, mostrando que a BGS pode oferecer muito mais do que apenas ver produtos — é sobre vivenciar a tecnologia.
Igualmente imponente estava o estando do Game Path of Exile 2, e aqui é preciso registrar é impressionante o investimento que a empresa Grinding Gear Games, desenvolvedora e publicadora baseada na Nova Zelândia, fez no Brasil para ativar o game. Dezenas de estações para jogar, ativações, mega celebridades e brindes concorridos. A empresa deu uma aula de como toda empresa deveria participar da BGS.
Eu aproveitei para jogar uma atividade de ir rushando e matando boss, mas não fui muito bem não. Na hora que cheguei no terceiro, meu tempo acabou.
Aliás, é o que o mundo dos games mais nos ensina: tem vezes que a gente ganha, outros a gente perde, numas fases a gente vai bem, outras nem tanto. E essa cultura fala muito sobre a edição do evento desse ano.
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