The Division Resurgence: a Ubisoft colocou um looter-shooter de verdade no seu bolso,
Durante anos, a promessa do jogo mobile AAA soou como conversa de vendedor. Todo lançamento grande trazia o mesmo pitch: "experiência de console no seu celular." O resultado invariável era uma casca bem produzida com mecânicas mutiladas e uma loja agressiva esperando você na curva. The Division Resurgence não é isso.
O jogo foi lançado em 31 de março de 2026, depois de um desenvolvimento que deveria ter terminado em 2024 e só não terminou porque a Ubisoft decidiu reconstruir a base técnica e expandir a equipe. O resultado chega para iOS e Android gratuito, com uma campanha completa, mundo aberto compartilhado, Dark Zone funcional e cinco especializações disponíveis desde o primeiro dia.
A narrativa se passa entre The Division 1 e The Division 2. Você é um agente de primeira onda que entra em coma durante o colapso de Nova York e acorda num cenário que os fãs da franquia vão reconhecer imediatamente: neve, caos, e facções transformando a cidade num campo de batalha
O que impressiona de verdade é o que está embaixo de tudo isso. O loop central de The Division, aquela mecânica quase hipnótica de atirar, cobrir, saquear, melhorar o equipamento e repetir, está intacto. O mundo aberto reproduz cerca de 60% do mapa do jogo original, com os mesmos carros abandonados, a mesma neve cinza, a mesma atmosfera de cidade que desistiu de si mesma. A Ubisoft usou Unreal Engine em vez do Snowdrop próprio da franquia, e você nota a diferença em iluminação mais plana e pop-in constante, mas o conjunto visual ainda é impressionante para um título mobile gratuito.

Os controles no touchscreen funcionam. Não é a mesma coisa que um controle físico, não chega perto, mas são funcionais. Você vai trocar para um controle bluetooth na primeira hora e vai perguntar por que ficou nos toques por tanto tempo. Com controle físico, o jogo muda de categoria. A diferença é comparável a ouvir uma música em speaker de celular e depois no fone.
Resta ver como vai ficar a questão da monetização. The Division Resurgence é gratuito, e isso significa que existe uma economia de recursos paralela à progressão do jogo. Não é o tipo mais agressivo de free-to-play, mas os submenus de itens, upgrades e acessórios formam um labirinto que lembrará a qualquer veterano de mobile que ele está num jogo projetado para gerar receita contínua. O jogador casual vai ignorar. O jogador que quer maximizar o personagem vai sentir o atrito.
The Division Resurgence é bom demais para o que é. Ele replica a experiência das versões de console com fidelidade suficiente que no meu caso eu penso que é mais próximo de um game para PC que eu já joguei no celular com a facilidade da mobilidade.
Para quem nunca tocou na franquia, Resurgence é uma porta de entrada surpreendentemente digna. Para fãs de longa data que querem continuar a grind longe do setup fixo, faz o trabalho. Para quem esperava que celular fosse virar o lugar principal onde joga The Division, a experiência vai ser honestamente boa, mas vai deixar uma pontada de que a versão de verdade está em outro dispositivo.
A Ubisoft fez algo difícil: um jogo mobile que não envergonha a franquia que carrega no nome. O preço dessa honestidade é que agora você vai ficar querendo a versão que não cabe no bolso.
Eu joguei num Moto Edge Ultra e não experimentei problemas de perfomance.

Armindo Ferreira
É jornalista com uma carreira sólida de mais de 22 anos na área – tendo passado pela TV Globo e SBT. Foi ainda finalista de um prêmio Esso e vencedor de um prêmio Unimed de Jornalismo. Hoje cobre três editorias: tecnologia, negócios e marcas. Há mais de 15 anos criou o Blog do Armindo para falar dos assuntos que gosta mais. Sempre de um jeito simples e descomplicado, com objetivo de empoderar o leitor para tomar melhores decisões quando o assunto é tecnologia.









