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Um mês com o Basilisk V3 Pro 35K Phantom Green: quando o peso vira vantagem.

Um mês testando o mouse gamer premium da Razer em Fortnite e no remake de Black Flag, entre pegada, RGB e a estética translúcida que virou tendência.

Um mês testando o mouse gamer premium da Razer em Fortnite e no remake de Black Flag, entre pegada, RGB e a estética translúcida que virou tendência.

Passei um mês inteiro com o Razer Basilisk V3 Pro 35K na edição Phantom Green sobre a mesa. Testei em Fortnite, onde a resposta rápida separa quem sobrevive de quem vira estatística no mapa, e no remake de Assassin's Creed Black Flag, em que o ritmo é outro e a mira conta menos do que o conforto ao longo de horas de sessão. É essa combinação que me interessava entender. Um mouse que promete ser bom em tudo costuma não ser excelente em nada. Não foi o que aconteceu aqui.

Abrir uma caixa de um equipamento Razer é sempre uma experiência agradável. Nela vem o próprio mouse, o dongle wireless acompanhado de um adaptador USB para o dongle, um cabo USB de 1,8 metros e o guia de informações importantes do produto. Existe um compartimento removível na base do mouse que guarda o dongle quando ele não está em uso, então tecnicamente esse dongle "mora" dentro do próprio mouse durante o transporte.

A pegada que o peso constrói.

O primeiro impacto é físico. Com 112 gramas, o Basilisk V3 Pro 35K está bem longe da onda de mouses ultraleves que dominou os lançamentos dos últimos anos. E é justamente aí que ele me conquistou. Uso palm grip, mão inteira apoiada, e sinto falta de estabilidade em mouses muito leves. Eles deslizam rápido demais, exigem controle fino demais para movimentos simples. O Basilisk vai na direção oposta. Ele fica no chão. A sensação é de que o mouse tem massa própria, presença própria, e isso se traduz em precisão quando o que importa é controle, não velocidade pura. Aliás, é bom reforçar: é um mouse extremamente preciso, inclusive devido ao sensor, mas falaremos sobre isso logo mais.

Em Fortnite senti isso na prática em cada troca de arma durante combate próximo. O gatilho multifuncional e os botões de polegar ficam exatamente onde a mão espera encontrá-los, e o apoio ergonômico segura o pulso sem esforço extra, mesmo depois de partidas longas. Já em Black Flag, em que o jogo pede exploração, navegação em menus e câmera solta, o peso deixou de ser questão e virou conforto puro. Não senti fadiga nem depois de sessões de quatro horas seguidas.

Dito isso, o alerta que já fiz antes em outras coberturas de hardware se confirma aqui na prática. Quem usa fingertip ou claw grip, e principalmente quem tem mãos pequenas, vai sentir o peso como obstáculo, não como vantagem. Testei alternando pegadas durante o mês e, em claw grip, o mouse perde parte da naturalidade. O apoio de polegar, que é ótimo em palm grip, atrapalha quando os dedos ficam elevados. Se esse é o seu estilo, vale testar pessoalmente antes de comprar, porque a experiência muda bastante. Além disso, se você joga levantando muito o mouse para rodar (por falta de espaço na mesa, por exemplo), ele vai te cansar um pouco.

Sensor e switches: tecnologia que não aparece, mas se sente.

O sensor Focus Pro 35K sustenta números que, na prática, ninguém usa no dia a dia: 35 mil DPI de sensibilidade máxima e 750 IPS de velocidade, mas o que realmente importa é a consistência. Em nenhum momento senti aceleração indevida ou perda de rastreamento, mesmo trocando de mousepad no meio do teste. Os switches ópticos de terceira geração entregam cliques secos e sem ruído de duplo clique, o que em Fortnite significa confiança total na hora de confirmar uma eliminação.

A roda HyperScroll Tilt Wheel merece destaque à parte. Alternar entre rolagem tátil e livre virou hábito rápido, e o modo automático Smart Reel resolveu um problema que eu nem sabia que tinha. Rolar planilha e documento fica mais rápido com giro livre, enquanto trocar item ou habilidade em jogo pede a resposta tátil. 

Aqui nos testes eu não troco de mouse, porque meu dia a dia é esse: eu jogo, escrevo, edito com o mesmo mouse e poder trocar o perfil dele, sem precisar trocar de equipamento, é uma tranquilidade.

E aqui é bom dizer que, para os meus testes, eu usei o Mouse Mat Firefly V2 Pro da mesma linha Phantom Green Edition. E é claro que o equipamento usado em conjunto oferece uma melhor performance. Falarei dele em breve aqui. 

Vale um parágrafo à parte para os pés de deslizamento, os chamados skates. O Basilisk V3 Pro 35K usa PTFE puro, material padrão em mouse premium, mas a distribuição foge do modelo tradicional simétrico. Aqui são quatro peças, pensadas para compensar o formato assimétrico do próprio mouse: duas pequenas nos cantos superiores, uma tira mais longa sob o apoio de polegar, uma curva na base e uma ao redor do sensor óptico. Depois de um mês de uso diário. O deslizamento segue uniforme mesmo do lado do polegar, onde o volume extra do design ergonômico poderia pesar mais sobre a mesa. É esse tipo de detalhe que só aparece com o tempo de uso.

Bateria e carregamento.
A autonomia é outro ponto que só um mês de uso real consegue validar de verdade. A Razer promete até 140 horas no modo HyperSpeed Wireless 2,4 GHz e até 210 horas via Bluetooth, dependendo, é claro, do perfil de uso e de quanto tempo o RGB fica ativo. No meu caso, uma carga por semana já resolveu. Vale reforçar esse detalhe: iluminação ligada o tempo todo consome bateria de forma sensível, e criar um perfil sem RGB no Synapse para os dias de trabalho é a forma mais simples de esticar a autonomia sem abrir mão da experiência visual quando ela realmente importa, em sessão de jogo à noite. O carregamento acontece via USB tipo C, e o mesmo cabo que vem na caixa serve tanto para recarregar quanto para usar o mouse no modo com fio, sem qualquer perda de resposta. Quem investir no Mouse Dock Pro ou no Wireless Charging Puck, vendidos separadamente, ganha a conveniência de carregamento por indução sem precisar tirar o mouse da mesa, mas, mesmo sem esses acessórios, a rotina de recarga do Basilisk está longe de ser um problema no uso cotidiano.

Synapse 4 e a liberdade de ter um mouse para cada momento.

Boa parte da experiência de um mês inteiro passou pelo Synapse 4. Criei perfis separados para Fortnite, para Black Flag e para o meu fluxo normal de trabalho no blog, cada um com curva de DPI, mapeamento de botão e até iluminação diferentes. A troca entre eles é automática por aplicativo, e isso faz o Basilisk se comportar como um periférico completamente diferente, dependendo do que estou fazendo na tela.

Há muitas possibilidades de configuração e isso pode ter dois efeitos distintos. Para quem quer controle de precisão máxima, é um parque de diversões, e para quem é novato num equipamento premium, pode se assustar um pouco. Na dúvida, deixe as configurações padrão ou mude para as funções inteligentes, que decidem por você a melhor performance em cada momento.

E há possibilidade de configurar os efeitos de luz.

E até de consumo. É aqui também que você pode criar os perfis de uso. Vale a pena explorar as possibilidades. 

Phantom Green: quando estética também é argumento de compra.

Aqui entra o ponto que fatalmente pesa na decisão de compra de quem escolhe Razer. A marca nunca foi só sobre desempenho, ela vende identidade visual como parte do produto, e a edição Phantom Green entrega isso sem meio termo. O chassi translúcido revela o interior do mouse enquanto o RGB de 12 zonas ilumina por dentro e por baixo, criando um efeito de profundidade que a versão preta simplesmente não tem.

Antes de testar o produto, eu pude falar com uma especialista em produto direto dos Estados Unidos e eu cheguei a perguntar se isso segue uma tendência da estética “glass”, que tem sido usada por diversas marcas, entre elas a Apple, e ela me disse que faz sentido sim. 

Na mesa, ao lado de outros periféricos com o mesmo acabamento, o efeito de conjunto supera qualquer expectativa que eu tinha antes de abrir a caixa. É um mouse que comunica algo mesmo desligado, e ligado vira quase peça de vitrine. Para quem monta setup pensando em fotos e vídeos, ou simplesmente gosta de olhar para a própria mesa e sentir orgulho do que está ali, esse detalhe pesa tanto quanto qualquer especificação técnica.

E aqui cabe uma ressalva importante sobre o próprio conceito. A engenharia interna do Phantom Green é idêntica à da versão opaca. Mesmo sensor, mesmo switch, mesma roda. A Razer não está vendendo desempenho adicional com a transparência, está vendendo estética como categoria própria de valor, e depois de um mês convivendo com o mouse aceito que faz sentido cobrar por isso.

O veredito depois de um mês de uso real.

O Basilisk V3 Pro 35K Phantom Green não é para todo mundo, e isso não é defeito, é definição de público. Quem joga em claw ou fingertip com mão pequena talvez não goste do peso. Quem busca o mouse mais leve possível para flick shot em jogo competitivo de alta cadência, talvez o Razer Viper V4 Pro seja a melhor opção.

Mas, para quem joga em palm grip, valoriza estabilidade em vez de leveza extrema e quer transitar entre um jogo de ritmo acelerado como Fortnite e uma experiência mais contemplativa como Black Flag sem trocar de periférico, o Basilisk entrega isso com sobra. Some a isso a personalização profunda do Synapse 4 e o apelo visual da edição Phantom Green, e fica claro por que a Razer segue como referência quando o assunto é mouse gamer premium.

É de longe o melhor mouse gamer que já testei aqui para o Blog. 

Armindo Ferreira

News Influenciador

É jornalista com uma carreira sólida de mais de 22 anos na área – tendo passado pela TV Globo e SBT. Foi ainda finalista de um prêmio Esso e vencedor de um prêmio Unimed de Jornalismo. Hoje cobre três editorias: tecnologia, negócios e marcas. Há mais de 15 anos criou o Blog do Armindo para falar dos assuntos que gosta…