Samsung surpreende na CES 2020 num speech histórico

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O presidente CEO da divisão de eletrônicos da Samsung HS Kim subiu no palco da CES (maior evento de lançamentos tecnológicos do mundo) para um discurso histórico.

Pode passar um pouco desapercebido inclusive para a mídia mais deslumbrada e normalmente só se percebe isso depois de anos do ocorrido.

Acreditava-se que a empresa lançaria pra valer seu celular de tela curva, TV’s 8K e geladeira conectada. De fato a empresa lançou coisas nessas áreas, mas não foi esse o destaque na conferência para imprensa da marca.

Decretando uma nova era

Fazer o que você não pode fazer é uma tagline bem ousada e eu sempre achei que a Samsung arriscava nesse mote justamente por ser algo muito difícil de concretizar. Empresas globais tem dificuldades de serem inovadoras e tem que colocar na balança o resultado no final do exercício e até onde pode-se ir no limite entre errar e perder dinheiro ou ter um grande acerto (inovação sempre vai pressupor eventuais erros).

Mas então Kim começou decretando uma nova Era da Experiência. São dois os pavimentos que permitiram esse anúncio tão arrojado: o cada vez mais popular desenvolvimento com ferramentas de inteligência artificial e o 5G.

Por trás de cada solução de Inteligência Artificial existe uma máquina de aprendizagem e estas têm ficado cada vez mais afiadas. Os programadores (os profissionais que criam os programas de computador) tem tido cada vez mais acesso facilitado a esses recursos. Não seria exagero meu dizer que hoje um jovem que assista alguns tutoriais no Youtube e faça alguns cursos gratuitos de programação já consegue fazer alguma coisa nessa área.

O 5G pode parecer uma apenas um upgrade, uma velocidade de internet maior que o 4G, mas não só isso. Essa tecnologia ira permitir a interconexão dos equipamentos conectados e cria uma malha de comunicação que permitirá soluções que nem imaginamos ainda.

E então entra no palco o Ballie um robô em formato de bolinha que consegue interagir com o seu dono e com os equipamentos do ecossistema Samsung. Existem outros robôs similares, mas Ballie é muito simbólica porque ele (no site da Samsung ele é referido como “guy” então adotei o artigo no masculino) tangibiliza a Samsung como uma empresa de robótica.

Vários amigos associaram imediatamento ao carismático robô BB-8 de Star Wars. Teria a ficção científica de fato inspirado a realidade?

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Pois é a agora empresa de robótica apresentou também uma espécie de exoesqueleto com aplicativo de Realidade Aumentada. A plataforma chamada de Gems pode ser usada para aplicações tais como fazer uma atividade física guiada por um personal trainer virtual que consegue avaliar milimetricamente seu desempenho. Mas o mesmo conceito pode ajudar pessoas com dificuldade para locomoção.

Andar por um parque e ver uma exposição virtual de dinossauros ou criar uma casa praticamente viva que se molda e toma decisões únicas para os seus moradores a cada momento.

O mesmo acontece com as cidades que ao adotarem milhões de sensores espalhados vão permitir que serviços de mobilidade urbana se interconectem para tomar decisões e até evitar acidente, como uma colisão de carros, por exemplo, ou ainda avisar moradores em tempo real sobre enchentes ou ajustar todo sistema semafórico a cada instante de forma a dar mais vazão para o trânsito?

É esse o mundo anunciado pela empresa em Las Vegas.

Mas por que o discurso é histórico?

A Samsung é detentora de uma das marcas mais valiosas do mundo. O site Business Korea estima que ela tenha o valor de mercado na casa de US$66 bilhões. Além disso a empresa é líder em diversas áreas de atuação ao redor do mundo e tem sobrevivido mesmo com a ascensão de empresas chinesas – algumas dessas inclusive que trabalham em colaboração (ou dependência) de recursos da Samsung.

Por isso qualquer coisa que a empresa de tecnologia fala acaba impactando em todo mercado. As empresas que não tem o mesmo punch para fazer pesquisas e inovação vão acabar indo para onde a Samsung vai como uma forma de economizar etapas. É a brincadeira do “Siga o líder” no mercado corporativo.

Antigamente seria a Apple com Steve Jobs a impactar tão profundamente o mercado de eletrônicos – e faz tempo que isso não acontece. Como não lembrar do anúncio do iPad? Foi a mesma sensação que eu tive ao ver Ballie em ação.

E eu falei que a Samsung era uma empresa de tecnologia? Pois o CEO na verdade acha que a empresa é bem mais que isso afirmando que a missão da companhia agora é “create unforgettable moments that make your lives better and make a difference for humanity”. Ou numa tradução livre minha:

Criar momentos inesquecíveis que melhoram a vida das pessoas e fazem a diferença para a humanidade.

Sem saber o pequeno robô Ballie trouxe para o palco da CES não só um resumo simbólico do que vem por aí, mas a missão da Samsung em não ser mais reconhecida tão somente por seus celulares ou televisores, mas uma empresa que realmente leva um impacto positivo para as pessoas seja lá para onde a tecnologia for. Será que podemos dizer que em 2020 a Samsung deixou de ser uma empresa de tecnologia para ser uma empresa focada em pessoas?

Ballie chega mais: ligue a cafeteira, a luz da sala e a TV que eu quero sentar na minha poltrona e assistir o futuro que acabou de começar, de novo.

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