Detox tecnológico: dicas práticas para você não ficar tão viciado em tecnologia

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Não é mentira. Eu realmente fiquei espantado com a quantidade de pessoas que entrou em contato comigo depois que publiquei o post Detox tecnológico: desliguei meu celular por 4 dias e acredite não morri!.
O que mais me chamou a atenção entretanto foi o motivo de muitos terem falado comigo. Em alguns casos a frase era a mesma:

Eu simplesmente não teria condições de fazer isso

E eu estou aqui para dizer que se eu consegui acredite você consegue também. Como no último post eu foquei em dar um relato da minha experiência e não propriamente em dicas para fazer, neste post resolvi fazer então algo diferente e vou tentar ajudar você a ficar mais desencanado com isso.

Pare com essa visão de que tecnologia é ruim, escraviza e não vive sem ela

A primeira discussão importante nisso tudo é que o negócio tá aí para te ajudar. Você vê lá o comercial dizendo para você largar a tecnologia para ir curtir o sol. Vê o filme de “auto-ajuda-motivacional” perguntando se você é on ou off e que on é bom e off é mal. Esqueça essa divisão on e off, você é gente, tem nome sobrenome e as vezes tá na internet, simples assim. Não encane com isso: o celular e a internet te ajudam em muitas tarefas do dia-a-dia como uma ferramenta.
Tem gente que precisa mesmo do carro para trabalhar, ou então de um ônibus, ou um mecânico que precisa de um determinado martelo, por exemplo. Ele precisa daquilo para trabalhar e pronto. Se você usa o aparelho para se divertir também não tem problema. A diversão faz parte da nossa vida.
Então sem stress quando colocarem o dedo na sua cara e dizer que você está viciado e que não fala mais com as pessoas e etc. O comportamento das gerações muda, simples assim.
Outro dia vi um texto na internet falando que os clientes de restaurante ficam muito tempo no telefone e que a comida esfria e que aí eles reclamam que a comida não está boa ou algo assim. Isso é uma mudança e que se não for no telefone, vai ser no relógio, nos óculos. As pessoas estão mudando e é normal que gerações antigas não entendam isso.
Mas pode ser que você tenha passado um pouco a conta disso e aí sim é doença. Vício mesmo.

Quando procurar ajuda?

Você não pode deixar de viver por conta da tecnologia. Ficar sem comer, dormir nem se socializar de forma alguma com ninguém. Ou ainda ter sintomas físicos como suor, dor de cabeça, crise de ansiedade ou irritação por estar privado do seu aparelho. O principal sintoma talvez seja a perda da sua qualidade de vida.
Você sabia que aqui no Brasil existe o DELETE – Grupo dedicado a pesquisa, informação, orientação e tratamento do uso abusivo das tecnologias (computador/internet, redes sociais, telefone celular, entre outras)?

Detox Tecnológico: Cabeçalho do site do DELETE
Detox Tecnológico: Cabeçalho do site do DELETE

 
Ele fica no Laboratório de Pânico e Respiração (LABPR) localizado dentro do Instituto de Psiquiatria (IPUB) na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) no Campus da Praia Vermelha. Lá no site do instituto você vai ver que a coisa é tão séria que além de Terapia pode ser recomendado também o uso de medicamentos. Há também um e-mail de contato [email protected] Ou então procure um profissional da sua confiança. Nunca é demais lembrar não saia por aí se automedicando ou se autodiagnosticando, procure mesmo um profissional se algo aí não estiver legal.
O DELETE também tem 10 dicas boas que valem a pena ser compartilhadas:

10 Passos do Grupo Delete para o Uso Consciente das Tecnologias (fonte: Delete – Como funciona)

  1. Bom senso para que o uso não se torne abuso no cotidiano;

  2. Fique atento às consequências físicas (como privação de sono, dores na coluna, problemas de visão) e psicológicas (como depressão, angústia, ansiedade) devido ao uso abusivo;

  3. Dose a prática de uso de tecnologias no cotidiano. Verifique se seu desempenho acadêmico ou no trabalho estão sendo prejudicados;

  4. Reflita sobre seus hábitos cotidianos e faça diferente;

  5. Não troque atividades ao ar livre para ficar conectado;

  6. Prefira uma vida social real à virtual, escolhendo relacionamentos/amizades reais ao invés de virtuais;

  7. Pratique exercícios físicos regularmente/Faça intervalos regulares durante o uso das tecnologias;

  8. Não abale o seu humor com publicações virtuais/não acredite em tudo o que é postado;

  9.  Valorize suas relações familiares;

  10. Pense no meio ambiente, recicle os aparelhos e evite a troca frequente sem necessidade.

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Dados do jornal Estado de SP apontam que há no Brasil mais de 4 milhões de viciados em tecnologia.
Por via das dúvidas que tal dar uma aliviada nisso tudo?

Dê um reboot

Fazer um detox digital vai ajudar você a ter uma qualidade de vida melhor, uma saúde melhor e melhores relações sociais. Quer moeda de troca melhor que essas? Estabeleça uma motivação, o que você vai ganhar ao ficar um pouquinho off? E mantenha essa motivação em mente.
Nós vamos continuar falando sobre isso em outros posts, mas se você seguir algumas dicas simples tenho certeza que irá desencanar um pouco mais de tudo isso.
Tente desligar suas notificações, todas elas. Acredite o mundo não vai acabar se você demorar meia hora para ver quantas pessoas curtiram sua foto. Se a informação for importante ou urgente ela vai chegar até você por outras formas.

Detox digital é você desligar seu celular, tablet, notebook e computador por um certo período de tempo. É uma chance de você também recarregar a sua bateria.

Um estudo de 2012 realizado por dois psicólogos da Universidade de Boston(descrito neste post em inglês) demonstrou que o uso do Facebook é impulsionado por duas necessidades primárias: necessidade de auto-promoção e de ser reconhecido ou de ter pertencimento à uma comunidade. Assim transmitir informações e ser reconhecido passa a ser um gatilho. Cada um de nós afirma nossa existência como agentes eficazes no mundo e isso vem com um esguicho de hormônios no nosso centro de recompensa do cérebro. Um dos autores da pesquisa afirma que é por isso que “as pessoas vão responder a um texto enquanto dirigem um veículo de duas toneladas”. Tente avaliar o quão importante na sua vida são necessárias essas recompensas e se na verdade elas não estão mascarando um problema pessoal.
Avise os amigos. Explique a todos que você está ficando um período curto de tempo offline e peça para que entrem em contato com você em outro momento. Ou melhor marque um encontro com todos e convide-os para fazer o mesmo. Deixe sua meta pública, publicar criar compromisso então se você quiser publique aqui nos comentários a sua meta de detox tecnológico, irá fazer uma grande diferença.
Comece pequeno, pode ser um domingo o dia todo ou só meio período. Mas deixe tudo desligado mesmo, numa comoda e longe de você. e aos poucos você sentirá liberdade para ir mais longe.

Tente ter o domingo como seu dia de detox tecnológico

A regra aqui é ter planejamento. Você já avisou os amigos, já sabe em qual período vai aproveitar o tempo desligado. Pode até planejar um passeio, a leitura daquele livro há tempos esquecido num canto qualquer. Quem sabe até cozinhar, mas nada de pegar o tablet para ver a receita 😉
Pode ser que você sinta algum desconforto. Quando eu fiz o meu eu senti também, mas ele vai passar e não demora muito não, o segredo então é ter firmeza. Seu cérebro vai ter fazer negociações internas, vai rolar um pensamento de vou ligar só um minutinho. Não caia nas suas próprias armadilhas mentais e lembre do que motivou você a fazer este detox. Vai passar. E se você não conseguir desta vez, tente de novo, não desista na primeira, você verá que na verdade fica cada vez mais fácil.

Hora de ligar

Na hora que você ligar o aparelho irá receber provavelmente dezenas de e-mails, mensagens e notificações (no meu detox foram mais de 100). Tente perceber quais eram realmente importantes. Tente ressignificar importância para você. E Eureka você vai ver que a maioria nem era tão importante assim e poderia esperar um dia ou dois.
Você ficaria um período totalmente fora do Twitter ou Facebook? Eu falarei com vocês sobre isso no meu próximo post.
 
 

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Sem comentários
  1. Renata Bueno Diz

    Muito legal o texto Armindo! Acho que todos nós sentimos uma certa culpa em relação a este delicioso vício de estar conectado, rs. É importante ter essa consciência e saber que tudo em excesso faz mal. E viva o equilíbrio! o/

Comentários estão fechados.

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