Jornalismo independente é o vira-latas da mídia brasileira

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Ok antes que você brigue comigo eu sei que não é mais adequado chamar nossos amigos cachorrinhos de vira-latas, como como SRD (Sem raça definida), mas aqui quero me remeter de propósito ao termo pejorativo mesmo. Palavra de quem atua há mais de 7 anos como jornalista independente.

Imagem de Rahat_20 por Pixabay

E antes que alguém saque a carta da Síndrome do Vira-Lata essa é a barreira ideal para evitar críticas desse tipo, então nem precisa colocar esse argumento no tabuleiro, mas pode sim jogar o dado para escolher sua força de escudo, esse sim sempre usado com o melhor argumento do mundo e que eu adoro ouvir.

Armindo você tem que entender que é assim.

Desculpa marca eu não sou obrigado a entender nada. Aliás se tem um papel que qualquer jornalista deveria ter é questionar o comportamento atual.

É claro que desde o começo do Blog do Armindo até os dias de hoje muita coisa mudou e evoluiu. Eu coleciono dezenas de causos que conto em palestras e cursos que ministro onde eu já fui humilhado, desprezado, ignorado por ter um blog e não “um veículo de comunicação tradicional”. No Brasil quando falamos em “veículo de comunicação tradicional” você pode ler “grandes grupos de comunicação ligados a mega empresários ou políticos”, que em sua essência parecem ter mais credibilidade do que jornalistas com sólida formação e que atuaram nessa “grande mídia” e que resolvem empreender carreira solo.

É preconceito sim a palavra certa para definir isso, mas muita gente tem medo de tocar nessas feridas. Já eu tenho medo do bicho papão embaixo da minha cama ou de encontrar uma assombração na cozinha quando eu for beber água de madrugada. De criticar algo que está na ponta do meu nariz eu não tenho medo não.

Hoje eu sou considerado por algumas pessoas e marcas um blogueiro reconhecido nas minhas áreas de atuação – e sou muito agradecido a isso – mas isso não facilita a minha vida.

Claro que eu hoje tenho uma certa facilidade, mas ainda tenho vários senões os quais me sinto muito a vontade para falar o nome e sobrenome das marcas. São empresas tais como Warner Movies, Sony Pictures, Samsung, Fiat, Audi, Apple que tratam jornalistas independente -como este que vos fala – como algo inexistente.

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Há outras tantas que nos tratam como uma espécie de mídia café-com-leite. Na minha adolescência os irmãos mais novos que choravam para brincar com os mais velhos recebiam esse título: eles podiam brincar, mas nada que fizessem teriam efeito. Essas marcas até nos dão uma moral mandando um release, deixando ter acesso a algum lançamento, mas só. O acesso a notícias em primeira mão, os melhores porta-vozes para entrevistas vão ficar mesmo só com os grandes veículos e portais. E alguns desses ainda acham que fazem isso como uma benesse:

Olha a gente tá te dando essa migalha aqui, fique muito agradecido por ela e não reclama que a gente te tira dela.

Sim existem as black lists que regulam o comportamento da mídia independente (porque a grande mídia jamais entraria nisso, exceto raras exceções). Uma crítica ao produto, um questionamento indecente, uma nota mal interpretada e você será colocado no cantinho do castigo até aprender a se comportar.

E até as marcas que tem um relacionamento muito bom comigo e com tantos outros veículos “não-tradicionais” só comemoram mesmo quando emplacam uma revista Exame, uma página no jornal impresso Folha de São Paulo. O papel ainda tem um fetiche muito forte no país. Eu vejo o Instagram de várias delas comemorando entrada na mídia e curiosamente nunca vi o Blog do Armindo lá.

E foi o tempo que eu era um veículo “pequeno” já que hoje tenho mensalmente 210 milhões de views no Pinterest onde meu blog é todo republicado. Tenho também minhas notícias republicadas no aplicativo parceiro de notícias Squid, além de outros canais que juntos somaram mais de 2 milhões de visualizações.

Perceba não se trata aqui de retorno efetivo para o cliente em exposição. Em sua maioria (não quero mesmo criar nenhuma generalização nesse artigo) é só vaidade e percepção de status mesmo, basta sair por aí olhando e vendo a quantidade de pessoas que tem uma revista de papel em mãos ou acorda no domingo para ir na banca de revistas pra comprar um jornal cof, cof, cof.

Era pra ser um tratamento puramente igualitário

Num mundo cor-de-rosa utópico dos pôneis era para que qualquer veículo, de qualquer tamanho, e qualquer meio tivesse acesso de forma igualitária às informações disponibilizadas pelas marcas.

E me desculpa marca que paga de legalzona no Meio e Mensagem eu saco vocês no meu dia-a-dia: por fora vocês até parecem uma bela viola, mas por dentro, são apenas, pão bolorento que ainda acham que servem de banquete aos vira-latas.

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