Existia uma corrida silenciosa por um dispositivo capaz de tirar a inteligência artificial do celular. O pioneiro nessa tentativa foi provavelmente o Rabbit R1, cujo lançamento não deu certo. Depois vieram os pingentes de IA, mas nenhum conseguiu ganhar popularidade de fato.
Na última apresentação da Meta, Mark Zuckerberg subiu ao palco e anunciou, entre outras novidades, um dispositivo do tamanho de um chaveiro. Segundo o próprio executivo, é "a joyful little device", um pequeno aparelho alegre, criado para dar acesso ao agente de inteligência artificial Muse.
O Muse ainda não está disponível no Brasil, mas já é um dos aplicativos mais baixados nos Estados Unidos e parece caminhar para se tornar a próxima grande aposta da Meta. A empresa anunciou recentemente integrações com o PayPal, para compras online, e com a Expedia, para viagens e turismo.
Com a inteligência artificial saindo do celular e indo para um chaveiro, o que dá vontade de chamar de Tamagotchi turbinado por IA, mesmo sabendo que é muito mais do que um bichinho virtual, as possibilidades de uso aumentam bastante. Tem potencial para vender muito. Por enquanto, a disponibilidade é restrita aos Estados Unidos, prevista para dezembro.
Nem tudo são flores
A Meta também apresentou novas versões dos Meta Glass sem câmeras. O motivo é direto: a versão anterior ganhou o apelido de "pervert glass" depois de ser usada, principalmente, para filmar mulheres sem consentimento.
Outro recurso mostrado, ainda em desenvolvimento, foram as videochamadas "holográficas". Com o VR Glass, a tecnologia simula a presença da outra pessoa como se ela estivesse de pé, fisicamente, na sua frente. De acordo com a empresa, o sistema usa inteligência artificial avançada para criar em tempo real um avatar holográfico, uma representação fotorrealista digital do usuário, durante chamadas em aplicativos populares como WhatsApp e Zoom. É importante frisar: essa promessa só se sustenta se os óculos de realidade virtual deixarem de ser só isso, uma promessa, algo que nem a Apple conseguiu resolver até hoje.
Vale registrar que a Meta no Brasil não me dá acesso a equipamentos, lançamentos ou informações antecipadas. Tudo que trago aqui vem do acompanhamento da cobertura da mídia especializada dos Estados Unidos.
Sobre o chaveirinho Muse, o alerta vale. Acompanho a Meta desde a época em que ela ainda tinha outro nome, e o projeto por trás desse dispositivo é bem mais ambicioso do que aparenta. Pode ser maior do que parece.




