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Clipping deixa de ser improviso e começa a se transformar em negócio dentro da creator economy

Com vídeos curtos ganhando importância na descoberta de conteúdo, profissionais especializados em cortes passam a atuar também na distribuição e performance, enquanto inteligência artificial amplia a escala de produção

Com vídeos curtos ganhando importância na descoberta de conteúdo, profissionais especializados em cortes passam a atuar também na distribuição e performance, enquanto inteligência artificial amplia a escala de produção

Dias desses tive um papo muito bom com dois jovens empreendedores:  o Paulo Grego, CMO e Antonio Guimarães, CEO e CTO da Real Oficial. Aliás, tem sido uma felicidade conhecer os jovens talentos da GenZ que normalmente são desacreditados, mas que, de fato, estão transformando diversos mercados, principalmente o digital. 

E acho que aqui é exatamente o ponto da Real Oficial de jovens que identificaram um comportamento nas redes sociais e criaram uma empresa que acaba de tracionar um investimento seed importante, além de impactar positivamente a vida de outras pessoas. 

Mas, para entender o que eles fazem, é preciso um contexto. O corte de um podcast, uma entrevista ou uma live, que antes surgia de maneira espontânea nas redes sociais, agora começa a ganhar características de um novo mercado. O clipping, que durante muito tempo esteve associado principalmente à edição de trechos de conteúdos longos, passa a ser encarado também como uma estratégia de distribuição, capaz de testar diferentes histórias, formatos e públicos a partir de uma mesma produção.

Entre os clientes estão os maiores influenciadores e comunicadores digitais do país e um dos podcasts mais acessados do Brasil, o Podpah. 

A mudança acompanha a importância que vídeos curtos assumiram na descoberta de conteúdo em plataformas como TikTok, Instagram e YouTube Shorts. Nesse cenário, o profissional que identifica os momentos com potencial, transforma o material em diferentes formatos e acompanha o desempenho das publicações passa a ocupar uma posição diferente dentro da cadeia de produção digital.

Foi justamente esse movimento que me levou também a testar a plataforma do Real Oficial. A experiência mostrou, na prática, como ferramentas de inteligência artificial podem acelerar a identificação de trechos e a produção de diferentes versões de um conteúdo longo. Os resultados do teste foram positivos e ajudaram a entender por que o clipping começa a ser tratado não apenas como uma etapa de edição, mas como uma atividade ligada à distribuição e à performance.

Para o leitor ter uma ideia, um dos cortes gerados pela plataforma num dos testes que eu fiz teve 5 vezes mais visualizações do que um corte que eu faria manualmente. Não é pouco. É claro que aumentar o número de visualizações de um vídeo é uma matemática mais complexa do que se gostaria, porque envolve horário, criação de comunidade, entre outros fatores. Mas também é inegável que ter uma ferramenta dessas é, na menor das hipóteses, um time saver. 

Mas a plataforma tem muito mais recursos que os cortes, virando quase como um canivete suíço para quem quer atuar nessa área ou tem necessidade de espalhar a abrangência de vídeos longos.

Então, uma das possibilidades é contratar a plataforma deles para fazer essa tarefa, mas há ainda outras ofertas, como a possibilidade de promover campanhas gamificadas com clipadores cadastrados na plataforma. Se esses tiverem uma boa performance, são remunerados. Alguns já ganham valores na casa de 5 dígitos. 

E é assim, oferecendo uma ferramenta para criar cortes verticais de vídeos longos, vendendo a possibilidade de campanhas gamificadas e contando com clipadores associados que a empresa criou, o que podemos chamar de um ecossistema completo dos cortes/clipagem. 

O movimento ainda está em construção, mas já começa a alterar o perfil do profissional que trabalha com conteúdo para redes sociais. O clipper passa a combinar edição, curadoria, entendimento das plataformas e análise de dados. E, com a chegada da inteligência artificial, também surge uma nova discussão: até onde a tecnologia consegue substituir o trabalho manual e onde continua sendo necessária a intervenção humana?

Para entender essa transformação, o Blog do Armindo conversou com o Real Oficial sobre a profissionalização do clipping, os modelos de remuneração, o impacto da IA e os próximos passos desse mercado.

Entrevista

O que mudou para o clipping deixar de ser uma atividade espontânea e começar a ser tratado como profissão e estratégia de distribuição?

O corte começou como uma forma espontânea de compartilhar um momento interessante. O que mudou foi a importância do vídeo curto na descoberta de conteúdo. Para um podcast, uma live ou uma marca, já não basta publicar o conteúdo completo e esperar que o público chegue até ele.

Os cortes permitem testar diferentes histórias, ganchos e públicos a partir da mesma gravação. Quando isso passou a gerar audiência de forma recorrente, surgiu demanda por pessoas capazes de selecionar bons momentos, editar, publicar e entender o resultado do que produzem. Aí o clipping deixou de ser só uma tarefa de edição e passou a integrar a estratégia de distribuição.

Nesse novo modelo, os clipadores podem ser remunerados de acordo com o desempenho. Como funciona essa lógica na prática?

Nesse modelo, a campanha define o conteúdo que pode ser usado, as regras de publicação e o critério de pagamento. Os clipadores produzem e distribuem os cortes, e a remuneração acompanha o desempenho dos vídeos elegíveis.

A métrica mais direta é o número de visualizações válidas, mas ela precisa ser lida junto com as regras da campanha: período de apuração, plataformas aceitas, originalidade do corte e mecanismos para identificar tráfego artificial ou publicações fora do escopo.

Dependendo do objetivo, também faz sentido observar retenção e engajamento. O ponto central é que as condições estejam claras antes da publicação, para que o clipador saiba pelo que será remunerado.

Quando uma campanha envolve muitos clipadores, como equilibrar escala e qualidade sem fazer com que todos produzam exatamente o mesmo conteúdo?

Escala exige dar direção sem fazer todos publicarem o mesmo vídeo. Uma campanha pode indicar temas, mensagens importantes, restrições e exemplos de bons trechos. A partir daí, os clipadores têm espaço para testar ganchos, legendas, ritmo e formatos adequados ao público de cada perfil.

Na Real Oficial, a IA ajuda a encontrar momentos com potencial e a acelerar a produção de versões. Os resultados da campanha mostram quais abordagens merecem ser repetidas ou ajustadas.

O trabalho humano continua essencial para entender contexto, evitar cortes enganosos e perceber por que uma história pode interessar a determinado público.

Quem está entrando hoje na plataforma? Existe um perfil predominante de usuário?

É uma combinação de públicos. Temos creators que querem aproveitar melhor o conteúdo que já produzem, profissionais que editam para clientes e pessoas que estão começando a trabalhar com cortes.

Também vemos clipadores interessados em transformar a atividade em uma fonte de renda. Esses grupos têm necessidades diferentes: alguns priorizam velocidade para publicar no próprio canal; outros precisam produzir em volume para vários perfis.

Por isso, nosso desafio é ajudar cada um a chegar ao resultado que procura, sem tratar todo usuário como se tivesse o mesmo objetivo.

Durante o desenvolvimento desse mercado, uma questão importante é o avanço da inteligência artificial. Uma versão produzida por IA pode ter resultados melhores do que uma edição feita manualmente?

Não existe uma resposta universal. A IA pode analisar muito mais conteúdo e gerar variações com uma velocidade difícil de alcançar manualmente. Isso aumenta as chances de encontrar bons trechos e permite testar mais abordagens.

Mas o desempenho não vem só da edição: depende do gancho, do contexto, do público, do perfil que publica e da distribuição. Um editor experiente pode fazer escolhas criativas que a IA ainda não faria.

Nossa visão é usar IA para acelerar a descoberta e a produção, com pessoas decidindo o que faz sentido publicar e aprendendo com os resultados.

A Real Oficial recebeu investimento seed. Como esse recurso deve impactar a empresa até o final de 2026 e quais são os planos para 2027?

O investimento nos dá mais capacidade para melhorar o produto e sustentar o crescimento. Até o fim do ano, a prioridade é tornar a experiência mais rápida e confiável, melhorar a qualidade dos cortes gerados e ajudar os usuários a transformar produção em resultado.

Também queremos evoluir o lado das campanhas, aproximando quem tem conteúdo para distribuir de quem sabe criar e publicar cortes.

Para 2027, vemos uma oportunidade de ir além da edição: construir uma plataforma que ajude a encontrar oportunidades no conteúdo, produzir diferentes versões, distribuí-las e entender o que funcionou.

É a direção que estamos perseguindo; as prioridades de execução vão acompanhar o que aprendermos com creators, clipadores e campanhas.

Armindo Ferreira

News Influenciador

É jornalista com uma carreira sólida de mais de 22 anos na área – tendo passado pela TV Globo e SBT. Foi ainda finalista de um prêmio Esso e vencedor de um prêmio Unimed de Jornalismo. Hoje cobre três editorias: tecnologia, negócios e marcas. Há mais de 15 anos criou o Blog do Armindo para falar dos assuntos que gosta…