Do ronco dos motores aos algoritmos: como a Lenovo e a Ducati Corse transformaram o MotoGP em um laboratório de alta performance.
Como a Lenovo e a Ducati construíram uma parceria que vai além do patrocínio e o que isso revela sobre o papel da empresa de tecnologia no esporte.
foto: divulgação / Lenovo Ducati Corse
É sempre muito interessante quando marcas me convidam para experiências totalmente inéditas, e esse foi o caso do último final de semana, quando a Lenovo me levou para acompanhar a etapa brasileira do MotoGP, que, depois de 22 anos, voltou ao país, na belíssima Goiânia - GO. Aliás, assim que cheguei no Aeroporto Internacional Santa Genoveva (GYN), eu já notei que a cidade estava totalmente tomada pelo evento. Painéis de LED davam boas-vindas aos turistas e a movimentação era intensa.

A presença da Lenovo na cidade também chamava a atenção. Ou melhor, da Ducati Lenovo Team. Trata-se da elite da engenharia italiana na MotoGP, com a tecnologia de ponta da Lenovo, unindo a potência mecânica bruta à precisão da computação de alto desempenho.

Chegando ao hotel, o sentimento de estar cobrindo algo realmente grande ficou mais forte. Profissionais de diversas partes do mundo hospedados por lá, pista adesivada no chão e mimos especiais no quarto.

Depois de um descanso rápido, foi a hora de ir até o local onde tudo acontece.

Hora de pegar a credencial e irmos até o Hospitality Center da Ducati, onde os cerca de 10 jornalistas e creators presentes foram recebidos por Nicolò Mancinelli, gerente de desenvolvimento de veículos da Ducati Corse e Lara Rodini, diretora global de patrocínios da Lenovo.

Fazendo um deep dive na tecnologia Lenovo que entra na pista.

Num evento em que o barulho de motores de MotoGP é o protagonista absoluto, o assunto mais quente de uma roda de conversa com executivos da Lenovo e da Ducati não era velocidade. Eram dados: 100 gigabytes por fim de semana de corrida, para ser mais exato.
Nicolò Mancinelli, gerente de desenvolvimento de veículos da Ducati Corse, disse isso com a naturalidade de quem está acostumado a lidar com números que fariam gerentes de TI corporativo perder o sono. A telemetria no MotoGP não acontece em tempo real; assim, enquanto as pessoas observam as motos correndo a centenas de quilômetros por hora nas pistas, os engenheiros e mecânicos enxergam uma potente máquina de coleta de dados, com sensores modernos e câmeras. É preciso processar tudo isso rápido o suficiente para que a informação seja usada o quanto antes para o sucesso da equipe.

É nesse contexto que a parceria entre Lenovo e Ducati começa a fazer sentido de verdade. Não como patrocínio, mas como integração operacional. “Gostaria de esclarecer que não se trata de um simples patrocínio, mas de uma parceria real que iniciamos há oito anos. Nós nos consideramos parte integrante das operações diárias da Ducati, trabalhando lado a lado para superar limites e alcançar nossos objetivos em comum”, explicou Rodini.

Patrocínio é visibilidade. Parceria é prova de conceito.
A pressão, nesse caso, é literal. O ambiente de corrida não perdoa latência. Quando Mancinelli descreve a arquitetura que usam, workstations móveis, servidores HPC locais para o processamento principal, e uma segunda estrutura HPC na sede para simulações mais complexas, ele está falando de computação distribuída que muitas das empresas da Fortune 500 não têm. E essa arquitetura precisa funcionar no Autódromo Internacional de Goiânia tão bem quanto funciona em qualquer outra edição do evento. “Trabalhamos com workstations móveis diretamente no suporte de pista. Para o processamento pesado de dados 'on-site', operamos com servidores HPC. Complementamos essa estrutura com um setup de HPC de grande escala na nossa sede, que é fundamental para as nossas simulações de desempenho", explicou Mancinelli.
E olha lá eu prestando atenção em tudo.

Os servidores HPC da Lenovo são o "cérebro" por trás de operações que exigem um poder de processamento massivo, muito além de servidores convencionais. Eles são projetados para trabalhar em clusters (grupos de máquinas interconectadas), permitindo que milhares de núcleos de processamento e GPUs atuem simultaneamente para resolver cálculos complexos em segundos. O grande diferencial da Lenovo nesse segmento é a tecnologia de resfriamento líquido direto, que permite extrair o máximo de performance do hardware sem superaquecimento, garantindo a eficiência necessária para rodar simulações aerodinâmicas em tempo real e análises de telemetria pesada, como as utilizadas pela Ducati Corse nas pistas. Além dos grandes data centers, a Lenovo adapta essa potência para formatos compactos e robustos, capazes de operar em ambientes hostis como os boxes de um esporte de velocidade.
O uso de IA cria sensores virtuais e vai permitir questões complexas por chat.
A inteligência artificial entra aqui como solução para um problema concreto: nenhum ser humano consegue analisar 100 gigabytes antes da próxima sessão de treinos. Os modelos de machine learning criam sensores que não existem fisicamente na moto, inferindo condições a partir dos dados dos sensores reais. É uma aplicação discreta e eficaz de IA.
"A aplicação de IA e Machine Learning é fundamental para o sensoriamento virtual e a detecção preditiva de falhas, antecipando problemas e fornecendo aos engenheiros informações críticas em tempo real", explica Rodini.
Há também aplicações de IA para análise de vídeo. A equipe filma diferentes pontos do circuito, e os modelos identificam automaticamente as linhas de corrida dos competidores, isolam pilotos individualmente e criam sobreposições em forma de "ghost" para comparar o comportamento dos pilotos da Ducati com o de rivais, cujos dados de telemetria a equipe obviamente não tem acesso.
Quando perguntei sobre o risco de a IA tornar as corridas previsíveis, Mancinelli foi direto: os modelos complementam a física e a engenharia, mas não as substituem. Para uma pista nova como Goiânia, onde não existem dados históricos de corrida, a IA não é a primeira ferramenta. A equipe mapeou o traçado em 3D no dia anterior, rodou simulações intensivas durante a madrugada no HPC e gerou um conjunto de dados simulados para usar como linha de base. A física vem antes. Os dados reais calibram depois.
Uma equipe de engenheiros na sede acompanha cada corrida em tempo real, numa espécie de garagem virtual com acesso completo aos dados e capacidade de rodar simulações no HPC da sede enquanto os mecânicos trabalham na pista. É também onde os novos engenheiros aprendem antes de embarcar para o circuito. Uma solução de contingência que virou vantagem competitiva.
E as inovações não param por aí. Está em fase beta um chatbot em que os profissionais poderão fazer perguntas complexas e receber respostas em linguagem natural. O objetivo é ajudar nossos engenheiros e técnicos a pesquisar e resumir informações de anos de relatórios técnicos e dados de forma extremamente rápida. É como ter um 'colega virtual' para quem você pode pedir um resumo dos resultados de todos os testes que fizemos", finalizou Mancinelli.
Eu também perguntei se toda essa tecnologia era usada também para abastecer os ávidos fãs do esporte de estórias que vão além das pistas, e também dados que os amantes desse esporte tanto gostam. E foi um alento ouvir que no final das contas todo esse aparato tecnológico é feito justamente para o fã.
Alta tecnologia a favor das pessoas!
Direto do Centro de Hospitalidade para o Box.
Terminado o papo tão enriquecedor, fomos correndo para a garagem e quem nos recebeu lá foi o diretor de projetos, Riccardo Savin, que pacientemente nos explicou o funcionamento das motos como centros de coleta de dados e como um cabo de dados se conecta ao veículo para fazer o download das informações. Durante a apresentação, vimos uma moto bem pertinho da gente ser ligada. Impossível não se emocionar com o ruído daquela máquina que representa o trabalho de centenas de profissionais.

Continuando a explicação depois da ruidosa e bela interrupção, ele nos explicou que na moto tem um dashboard e que ele pode exibir mensagens pré-prontas ao piloto, uma vez que a comunicação com eles é sempre crítica e diferente da Fórmula 1. Sim, o tempo aqui é crítico o tempo todo, e o estudo da física também.

Enquanto rolava a apresentação do Savin, profissionais analisavam dados o tempo todo em complexos painéis cheios de números e tabelas incompreensíveis para um leigo como eu, mas com certeza um mapa precioso para o sucesso da equipe.

E olha um dos equipamentos da Lenovo por ali…

Vivendo os bastidores do evento.

No dia seguinte, pudemos viver um pouco mais dos bastidores do evento e acompanhamos um pouco dos treinos e da equipe em ação nessa preparação entre uma ida na pista e outra.

É um evento multicultural. Falamos com gente da Alemanha, Itália e até falantes de espanhol de diversas partes do mundo. Nosso almoço não poderia ser mais especial e foi preparado pelo chef italiano da Ducati Corse, macarrão delicioso feito por quem mais entende do assunto no mundo.
E também pudemos conferir a área VIP do evento com uma visão única da pista, logo acima dos boxes. Muito bem frequentado com gente bonita e que também faz parte do show.
Há ali inegavelmente um clima de família. São milhares de pessoas que passam viajando o mundo, dando o seu melhor a cada etapa.
Um jantar de experiência única para encerrar nossa viagem.
Nossa viagem pelo mundo da alta tecnologia da Lenovo no MotoGP encerrou em grande estilo com um menu degustação harmonizado com vinhos nacionais no Íz Restaurante. Todo cardápio da casa é assinado pelo chef Ian Baiocchi, que já trabalhou com os estrelados Alex Atala (D.O.M.) e Helena Rizzo (Maní), além de ter estagiado em templos da culinária espanhola, como o El Celler de Can Roca (eleito várias vezes o melhor do mundo) e o Mugaritz. Ele é amplamente considerado um dos melhores restaurantes de Goiânia, tendo sido eleito o "Melhor do Ano" em 2024 pelo prêmio Curta Mais. Baiocchi oferece no Íz uma cozinha autoral que funde técnicas internacionais (especialmente espanholas e francesas) com ingredientes e tradições regionais de Goiás. Foi uma experiência sensorial de alguém que eleva ao máximo o rigor em tudo que faz para chegar à excelência. As fotos abaixo foram tiradas com o novo Motorola Signature, que também tem excelência em câmera.







Foi curioso perceber que a minha jornada em Goiânia começou entre o ronco dos motores e os servidores HPC da Lenovo, em que cada milissegundo de dado processado define o destino da Ducati na pista, e terminou, curiosamente, em silêncio e reverência diante de um prato no Íz. Há uma poesia silenciosa na alta performance. Ela está no algoritmo invisível da Lenovo que antecipa o comportamento da moto na curva e na precisão cirúrgica com que os sabores são orquestrados no Íz.
O que une o box de uma escuderia italiana ao balcão de Ian Baiocchi é a mesma busca implacável pela excelência: seja na aerodinâmica que corta o vento ou na técnica que transforma o Cerrado em arte, o que fica é a certeza de que, quando o talento extremo encontra a tecnologia de ponta, o resultado é sempre o extraordinário.
E eu aproveito aqui para agradecer os executivos e profissionais da Lenovo (incluindo todo o time de PR, Comms, Marketing e eventos) e da Ducati Corse, que não mediram esforços para nos proporcionar momentos tão especiais em cada detalhe.

Armindo Ferreira
É jornalista com uma carreira sólida de mais de 22 anos na área – tendo passado pela TV Globo e SBT. Foi ainda finalista de um prêmio Esso e vencedor de um prêmio Unimed de Jornalismo. Hoje cobre três editorias: tecnologia, negócios e marcas. Há mais de 15 anos criou o Blog do Armindo para falar dos assuntos que gosta mais. Sempre de um jeito simples e descomplicado, com objetivo de empoderar o leitor para tomar melhores decisões quando o assunto é tecnologia.









