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Da operação ao algoritmo: como IA, automação e dados estão transformando logística e varejo nas empresas

Durante o Seal Summit 2026, executivos discutiram como inteligência artificial, infraestrutura e gestão operacional começam a sair do campo experimental para assumir papel estratégico dentro das empresas.

Atualizado em 15/05/2026 às 16:05, por Armindo Ferreira.

Durante o Seal Summit 2026, executivos discutiram como inteligência artificial, infraestrutura e gestão operacional começam a sair do campo experimental para assumir papel estratégico dentro das empresas.

A inteligência artificial já começou a alterar a lógica operacional de empresas brasileiras, mas o movimento mais relevante talvez esteja longe dos discursos futuristas que dominaram o mercado nos últimos anos. Eu estive em São Paulo para fazer a cobertura do Seal Summit 2026 e, em todos os painéis, percebi uma discussão mais madura sobre eficiência, integração de dados, automação e sustentabilidade operacional dentro de setores como varejo, logística, educação e cadeia de abastecimento.
 

Realizado pela Seal Sistemas, o evento reuniu executivos, clientes e parceiros para discutir aplicações práticas de tecnologia em ambientes corporativos, com forte presença de temas ligados à inteligência artificial, infraestrutura, rastreabilidade, mobilidade corporativa, visão computacional e modernização logística. Entre os destaques do encontro esteve a parceria estratégica com a Infor, multinacional de software de gestão empresarial que vem ampliando sua atuação no mercado brasileiro de armazenagem e supply chain ao lado da Seal.

Ao longo dos painéis, um aspecto chamou atenção: diferentemente do tom excessivamente futurista que costuma marcar discussões sobre IA, os debates no Seal Summit foram conduzidos de maneira muito mais pragmática. Os executivos falavam menos sobre substituição de pessoas e mais sobre eficiência operacional, integração entre sistemas, ganho de produtividade e preparação das equipes para um cenário cada vez mais automatizado.

Wagner Bernardes, CEO da Seal Sistemas, afirma que a tecnologia passou a ocupar um espaço estrutural dentro das operações corporativas e que a discussão atual vai além da simples digitalização de processos. “Tecnologia hoje é a base de tudo quando a gente pensa em melhorar performance dentro dos negócios dos nossos clientes”, disse o executivo em entrevista exclusiva para mim durante o evento. “Ela ajuda a tornar os processos mais fluidos e libera tempo para que as pessoas atuem de maneira mais estratégica dentro da operação.”
 

Segundo Bernardes, a inteligência artificial já deixou de ser tendência para se tornar uma realidade incorporada aos próprios projetos apresentados pelos clientes durante o encontro. Ele lembra que, nas primeiras edições do Seal Summit, as discussões estavam muito concentradas em mobilidade corporativa e infraestrutura. Agora, praticamente todos os cases apresentados envolvem algum nível de IA aplicada à operação.

“O mais interessante é que isso surgiu naturalmente. Mesmo sem direcionamento, praticamente todos os clientes trouxeram aplicações envolvendo IA”, afirmou. “Mas uma IA mais madura, voltada para melhorar processos e apoiar pessoas, não para substituir profissionais.”

A Seal também começa a direcionar sua estratégia para áreas ligadas à infraestrutura necessária para sustentar o avanço da inteligência artificial dentro das empresas. Segundo Bernardes, temas como AI Factories, data centers especializados, eficiência energética, robótica e digital twins passaram a fazer parte da agenda da companhia para os próximos anos.

 

Parceria estratégica com a Infor. 

Dentro dessa expansão, a parceria com a Infor ganhou relevância no posicionamento da Seal no mercado de software logístico e gestão de armazéns. Bernardes avalia que a capacidade da empresa de adaptar soluções globais à realidade brasileira se tornou um diferencial importante para projetos de longo prazo.
 

“A Infor entende o Brasil e entende as empresas brasileiras. Isso faz diferença quando você pensa em operações complexas e projetos de longo prazo”, afirmou. “Além de um produto sólido, eles têm um roadmap de evolução tecnológica muito consistente.”

Parte dessa aplicação prática apareceu no case apresentado pelo Grupo Montekali, empresa do setor varejista que adotou soluções da Infor implementadas pela Seal Sistemas para modernizar sua operação logística. Fabíola D'Andrea, diretora de Gente e Gestão, Operação de Loja e Marketing do Grupo Montekali, afirma que a transformação tecnológica se tornou um dos pilares centrais da estratégia de crescimento da companhia. “Hoje trabalhamos muito apoiados em pessoas, processos e tecnologia para garantir eficiência operacional e sustentabilidade do negócio”, afirmou.
 

A executiva explica que a adoção da solução da Infor permitiu aumentar a acuracidade dos estoques, melhorar a distribuição de produtos e estruturar uma operação mais preparada para suportar crescimento e escala. Os resultados apresentados durante o evento mostraram ganhos relevantes de desempenho logístico e eficiência operacional. “A Infor foi muito importante para preparar nossa operação para crescimento e escala, além de transformar a dinâmica dentro do centro de distribuição. Conseguimos aumentar a assertividade e a acuracidade dos estoques, garantir uma distribuição mais eficiente e melhorar indicadores importantes para o varejo, como disponibilidade de produtos nas lojas, ao mesmo tempo em que ganhamos eficiência operacional e mais tração junto às equipes.”

Apesar da expansão acelerada das discussões sobre inteligência artificial no varejo, a executiva afirma que a empresa ainda mantém uma postura cautelosa em relação à adoção de novas ferramentas. Segundo ela, o foco está em entender de forma objetiva onde a IA efetivamente gera impacto operacional. “É um tema que discutimos bastante, mas sempre avaliando o que realmente agrega valor para a operação e melhora a experiência do cliente”, afirmou.

Os resultados apresentados durante o evento mostraram ganhos relevantes para a operação. Entre eles, aumento no nível de serviço e melhoria dos indicadores logísticos, mesmo em um cenário de expansão da companhia. Marcela Cantino, gerente de contas da Infor, afirma que a busca por previsibilidade operacional tem sido uma das principais demandas das empresas que procuram soluções de gestão logística e supply chain.

“Normalmente os clientes chegam com dores relacionadas à dependência de controles manuais, planilhas, macros e processos muito concentrados em pessoas”, afirmou. “Eles sabem que precisam ganhar eficiência, mas muitas vezes ainda não têm clareza sobre quais processos precisam transformar.”

Segundo a executiva, a implementação do WMS da Infor no Grupo Montekali gerou mudanças importantes nos indicadores operacionais da companhia. Um dos principais avanços foi a redução no tempo de distribuição de pedidos.

Além disso, a operação alcançou nível de serviço de 95,6% mesmo durante um período de expansão da rede, com abertura de novas lojas e crescimento no volume de SKUs processados. “A Montekali não buscava apenas um novo sistema de gestão de armazém. Eles buscavam previsibilidade, controle e proteção do nível de serviço da operação”, afirmou.

Houve ainda melhoria de 67% no picking da operação, e o de conferência/expedição, em que antes 7 colaboradores realizavam cerca de 500 por hora, e após a implementação do WMS da Infor, 5 colaboradores realizavam cerca de 800 por hora.

Outro ponto destacado pela executiva foi o impacto da tecnologia na inclusão e capacitação operacional das equipes. Segundo ela, um colaborador do Grupo Montekali que apresentava dificuldades em processos de separação manual passou a se destacar dentro da operação após a adoção do sistema guiado por bipagem e execução assistida.

“A tecnologia precisa funcionar como facilitadora da operação e não como substituição das pessoas”, disse. “Esse caso mostra como ela também pode apoiar inclusão e desenvolvimento profissional.”

Além da transformação tecnológica, o Grupo Montekali também apresentou iniciativas voltadas à inclusão profissional. A empresa mantém parceria com a Missão Belém para inserção de pessoas em situação de vulnerabilidade dentro da operação logística e varejista. Atualmente, cerca de 8% do quadro da companhia é formado por profissionais vindos do projeto social.

Preparando profissionais para desafios do futuro.

Outro tema recorrente ao longo do evento foi a necessidade de preparar profissionais para um ambiente corporativo cada vez mais impactado pela inteligência artificial. Emerson Felipe, diretor comercial das verticais de educação, mercado financeiro e entretenimento da Seal Sistemas, afirma que a velocidade das mudanças tecnológicas passou a exigir que as próprias empresas assumam também um papel educacional.

“Há dois anos praticamente ninguém falava sobre inteligência artificial generativa. Hoje ela já está na mesa de todas as empresas”, afirmou.

Segundo Emerson Felipe, o desafio atual não está apenas em implementar tecnologia, mas em formar pessoas capazes de operar dentro dessa nova realidade. O executivo avalia que organizações de diferentes setores começam a estruturar iniciativas internas de capacitação ligadas à IA, automação e análise de dados.

“As empresas estão se transformando em instituições de ensino”, disse. “Isso deixou de ser tendência e passou a ser necessidade.”

Na avaliação dele, o próprio Seal Summit acabou assumindo esse papel de multiplicação de conhecimento ao reunir executivos e clientes para compartilhar aplicações reais implementadas dentro das empresas.

“Você tem executivos mostrando cases concretos, compartilhando aprendizados e falando sobre o que efetivamente conseguiram colocar em prática”, afirmou.

A Inteligência Artificial sai da experimentação e vai para a operação concreta.

Ao longo do evento, a percepção predominante foi a de que a inteligência artificial começa a entrar em uma fase menos experimental e mais operacional dentro das empresas brasileiras. O foco deixa de estar apenas na adoção da tecnologia e passa a girar em torno da capacidade de integrar sistemas, qualificar dados, preparar equipes e transformar eficiência tecnológica em resultado concreto de negócio.

Nesse cenário, Seal e Infor tentam ocupar justamente esse espaço entre inovação e execução operacional, em um mercado onde transformação digital deixou de ser apenas uma agenda de tecnologia para se tornar uma discussão diretamente ligada à competitividade das empresas.

Eu aproveito para agradecer à Seal Sistemas e à Infor pela oportunidade de estar com as marcas, apoiando a minha cobertura.


Armindo Ferreira

É jornalista com uma carreira sólida de mais de 22 anos na área – tendo passado pela TV Globo e SBT. Foi ainda finalista de um prêmio Esso e vencedor de um prêmio Unimed de Jornalismo. Hoje cobre três editorias: tecnologia, negócios e marcas. Há mais de 15 anos criou o Blog do Armindo para falar dos assuntos que gosta mais. Sempre de um jeito simples e descomplicado, com objetivo de empoderar o leitor para tomar melhores decisões quando o assunto é tecnologia.