Participei de uma coletiva remota com executivos da Howden, corretora global de seguros que movimenta 30 bilhões de dólares em prêmios no mundo. A conversa reuniu Marta Helena Schuh, diretora de Seguros Cibernéticos e Tecnológicos da Howden Brasil, e Jean Bayon de la Tour, Head of Cyber International da empresa, além do time de comunicação, marketing e Relações Públicas.
O encontro tratou de um cenário que já deixou de ser assunto exclusivo de TI. Segurança cibernética hoje entra direto na pauta de continuidade de negócios, governança e impacto financeiro de qualquer companhia, grande ou pequena. Os executivos trouxeram números concretos para ilustrar esse novo patamar. Segundo estudo da própria Howden, uma empresa com 500 milhões de euros de receita pode gastar 110 milhões de euros em dez anos lidando com as consequências de ataques sem cobertura de seguro, contra 96 milhões com uma apólice cyber ativa.
Outro ponto central foi o papel das pequenas e médias empresas como porta de entrada para ataques que depois se espalham por toda a cadeia produtiva. O exemplo mais citado durante a coletiva foi o caso da Jaguar Land Rover, atacada em setembro de 2025. Um único fornecedor comprometido bastou para travar a produção da montadora por semanas e gerar prejuízo estimado em 1,9 bilhão de libras, o que pode ser considerado o incidente cibernético mais caro da história britânica.
Pelo apresentado, o mercado brasileiro ainda é bem restrito ao adotar esse tipo de solução. “Acreditamos que temos um mercado muito grande para crescer, principalmente com a ANPD, Autoridade Nacional de Proteção de Dados, ficando cada vez mais ativa com os recentes investimentos recebidos", explicou Marta Helena.
O que é o seguro cibernético?
O cyber insurance é uma apólice contratada para cobrir prejuízos causados por ataques digitais, vazamento de dados ou falhas de segurança dentro de uma empresa. Não se trata de um serviço de proteção como um antivírus ou um firewall, e sim de uma cobertura financeira acionada depois que o incidente já aconteceu. Entre os custos que costuma cobrir estão a resposta e contenção do ataque, a recuperação de sistemas, a notificação de clientes afetados quando há vazamento de dados pessoais, honorários jurídicos e multas regulatórias em alguns casos, além da perda de receita durante o período em que a operação fica paralisada. É esse último ponto, a interrupção do negócio, que mais pesa em casos como o da Jaguar Land Rover, em que o custo de ficar parado superou de longe o custo direto do ataque em si.
Novas ameaças.
Levei para a mesa uma pergunta sobre o avanço de agentes de inteligência artificial capazes de executar ataques de forma autônoma, somado ao problema crescente do shadow AI dentro das próprias empresas. A resposta foi cautelosa, segundo os executivos, o tema segue com a mesma lógica histórica que aplicou a outros riscos emergentes ao longo do tempo, adaptando-se aos desafios conforme vão surgindo. “É importante avaliar se o básico está sendo feito”, avaliou Jean Bayon.
Também quis saber se o mercado de saúde, um dos mais valiosos dentro do universo dos crimes digitais, estava no radar, e ele me explicou que alguns setores são mais críticos e, além desse segmento, citou o financeiro, mas, de uma maneira geral, deu para perceber que diversos segmentos podem se beneficiar ao adotar esse tipo de seguro.
Assunto que impacta o consumidor final. De nada adianta ganhar uma ação judicial contra uma empresa que não tem como pagar a indenização. O seguro cibernético garante que esse dinheiro existe.




