O Fiasco do Google no I/O 2026: não impressionou nem o mercado financeiro nem a mídia especializada.
Duas horas de keynote. A palavra "Gemini" foi repetida tantas vezes que um editor do Gizmodo terminou a transmissão "completamente insatisfeito". Anúncios de inovações incrementais não empolgaram o mercado financeiro. E eu, como não faço parte da mídia deslumbrada, também não vi nada demais. O Google I/O 2026 acontece em Mountain View e o primeiro dia foi, tecnicamente, um evento denso. Novo modelo multimodal capaz de gerar vídeo a partir de qualquer entrada. Busca reformulada pela primeira vez em 25 anos, com agentes que monitoram temas e entregam atualizações automáticas. Assistente pessoal autônomo integrado a Gmail, Drive e Chrome. Óculos XR em parceria com uma marca coreana previstos para o segundo semestre. Plataforma para empresas criarem agentes conectados a CRMs e ERPs, disputando diretamente com Microsoft e Salesforce. Tudo sólido. Tudo esperado. Nada que tivesse um fator WOW. . O mercado leu da mesma forma. As ações da Alphabet subiram 2% durante o evento, tocaram nova máxima histórica de 52 semanas e devolveram boa parte do ganho antes do fechamento. Um analista do Bank of America que acompanha o papel disse antes do evento que "surpresas com IA" seriam necessárias para mover os múltiplos. As surpresas não vieram. Cubro tecnologia por 22 anos. Já vi keynote que mudou a forma como o setor inteiro se organizou. O Google I/O 2026 não foi isso. O problema não é qualidade de execução. O Google está executando bem. O problema é que o Google está preso numa armadilha que ele mesmo criou: é a empresa que mais tem a perder com a mudança de comportamento de busca provocada pela IA, e uma das que mais investiu para acelerar essa mudança. O I/O virou um evento de gestão de narrativa tanto quanto de lançamento de produto. Óculos XR eram o candidato mais óbvio ao momento de impacto real. Chegaram sem preço, sem data, como promessa de segundo semestre. O tipo de anúncio que preenche keynote e esvazia conversa. Feito só pra gerar burburinho e dar migalha para os mais entusiasmados, mas de concreto? Nada! O WOW vai ter que esperar.

Armindo Ferreira
É jornalista com uma carreira sólida de mais de 22 anos na área – tendo passado pela TV Globo e SBT. Foi ainda finalista de um prêmio Esso e vencedor de um prêmio Unimed de Jornalismo. Hoje cobre três editorias: tecnologia, negócios e marcas. Há mais de 15 anos criou o Blog do Armindo para falar dos assuntos que gosta mais. Sempre de um jeito simples e descomplicado, com objetivo de empoderar o leitor para tomar melhores decisões quando o assunto é tecnologia.






