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"Para nós, tecnologia é ferramenta de eficiência, não de substituição de relacionamento", diz Claudio Miccieli, diretor de Gestão do Giraffas.

Enquanto o food service brasileiro cresce sobre pressão, o Giraffas chega a R$ 1,07 bilhão em faturamento apostando em tecnologia e análise de dados

Enquanto o food service brasileiro cresce sobre pressão, o Giraffas chega a R$ 1,07 bilhão em faturamento apostando em tecnologia e análise de dados
divulgação

O mercado de alimentação fora do lar movimentou R$ 455 bilhões no Brasil em 2024 e o país figura entre os cinco maiores mercados de food service do mundo.

É um setor em que convivem desde o carrinho de coxinha da esquina até redes internacionais com décadas de investimento em marca e operação. Nesse ambiente competitivo, uma rede brasileira com 44 anos de história, quase 400 unidades espalhadas por 26 estados e cardápio que se orgulha de ser baseado em arroz, feijão e bife, fechou 2025 com R$ 1,07 bilhão em faturamento, o maior da sua história.

O Giraffas cresceu na base da eficiência operacional, num setor em que a conta não fecha para muita gente.

E, mirando uma operação mais integrada, o Giraffas acaba de anunciar R$ 8,5 milhões em investimentos tecnológicos. Para entender o que está por trás desse resultado e onde a empresa quer chegar, eu tive um papo com o Claudio Miccieli, diretor de Gestão do Giraffas.

Papo com Claudio Miccieli, diretor de Gestão do Giraffas.

O Giraffas anuncia um aporte de R$ 8,5 milhões em tecnologia em 2026. O que mudou no cenário da empresa, ou do mercado, para justificar esse volume de investimento agora?

O mercado mudou de forma estrutural. Temos um consumidor mais criterioso, menos tolerante a falhas operacionais e mais atento à relação custo-benefício. Ao mesmo tempo, o ambiente macroeconômico reduziu o espaço para repasses de preço. Nesse contexto, eficiência deixa de ser diferencial e passa a ser condição básica de competitividade. O aporte de R$ 8,5 milhões em tecnologia é uma decisão estratégica para sustentar a margem, produtividade e consistência da experiência em escala. Estamos investindo para operar melhor em um ambiente mais exigente, sem abrir mão da nossa proposta de valor.

Esse movimento indica uma mudança estrutural no modelo de operação da rede ou é uma aceleração de um plano já em curso?

É uma aceleração estruturada de um plano que já vinha sendo implementado. A modernização tecnológica do Giraffas não começa em 2026; o que fazemos agora é ampliar escala e integração. Nosso modelo continua baseado em comida de verdade, preço justo e proximidade com o consumidor. O que evolui é a infraestrutura que sustenta essa proposta:  sistemas mais integrados, dados consolidados e processos mais eficientes.

Os totens já respondem por mais de metade das vendas em algumas unidades. Isso muda o perfil de consumo dentro da loja?

Os totens ampliam conveniência e autonomia e podem impactar positivamente o ticket médio, especialmente ao tornar mais visíveis complementos e personalizações. Não observamos uma mudança de perfil do consumidor, mas uma ampliação de comportamento. O cliente passa a ter mais controle sobre a jornada, enquanto a rede ganha previsibilidade e organização de fluxo. É uma evolução natural da experiência.

Como o Giraffas equilibra automação e atendimento humano sem comprometer a proposta de proximidade com o consumidor?

Para nós, tecnologia é ferramenta de eficiência, não de substituição de relacionamento. O atendimento humano continua central na experiência. A automação reduz filas e organiza fluxo, permitindo que a equipe esteja mais disponível para hospitalidade e qualidade do serviço. O equilíbrio está em usar tecnologia para qualificar o contato humano, não para eliminá-lo.

O equilíbrio está em usar tecnologia para qualificar o contato humano, não para eliminá-lo.

A estratégia de apostar em nostalgia é sustentável no longo prazo? Como a empresa decide entre investir em produtos de apelo emocional versus inovação no cardápio?

A nostalgia é uma estratégia dentro de uma gestão disciplinada de portfólio. Ela fortalece conexão emocional, especialmente no público familiar, e já demonstrou impacto relevante, como o crescimento de 20% na linha infantil em 2025. No entanto, o pilar do negócio continua sendo o cardápio base e a recorrência. A decisão entre apelo emocional e inovação é orientada por dados, testes controlados e rentabilidade. Buscamos equilibrar campanhas de conexão com uma proposta de valor consistente no dia a dia.

De que forma esses investimentos em tecnologia aliviam a pressão operacional sobre o franqueado na ponta?

Ao integrar PDV, canais digitais e dados de venda, reduzimos retrabalho, erros operacionais e perda de informação. Isso gera ganho direto de produtividade e previsibilidade. Sistemas mais inteligentes permitem melhor gestão de estoque, leitura de demanda e acompanhamento de indicadores em tempo real. Em um cenário de custos pressionados, eficiência operacional é fundamental para proteger a rentabilidade do franqueado.

Quando o Giraffas olha para 2026, qual é a principal transformação que a companhia quer entregar? 

Em 2026, queremos consolidar uma operação mais integrada, orientada por dados e preparada para crescer com eficiência. A transformação não é mudar nossa essência, mas fortalecer nossa capacidade de execução. Nosso objetivo é garantir escala com consistência, para que o cliente tenha a mesma experiência em qualquer unidade e o franqueado opere com mais previsibilidade, eficiência e segurança.

Armindo Ferreira

News Influenciador

É jornalista com uma carreira sólida de mais de 22 anos na área – tendo passado pela TV Globo e SBT. Foi ainda finalista de um prêmio Esso e vencedor de um prêmio Unimed de Jornalismo. Hoje cobre três editorias: tecnologia, negócios e marcas. Há mais de 15 anos criou o Blog do Armindo para falar dos assuntos que gosta…