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5 perguntas para Ana Zucato, CEO e cofundadora da Noh

A Ana Zucato é empreendedora e fundadora da Noh, uma fintech especializada em pagamentos compartilhados. Em pouco tempo a empresa conseguiu chamar a atenção do mercado e de investidores.

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Por causa dessas conquistas fiz 5 perguntas para ela:

5 perguntas para Ana Zucato

BLOG DO ARMINDO – Eu imagino que 2022 foi um ano especial para a Noh. Como foi essa jornada até aqui?

ANA ZUCATO – O ano de 2022 foi absolutamente incrível. A gente começou a Noh em dezembro/janeiro deste ano. Basicamente esse foi o nosso ano, porque foi em 2022 que a gente tirou a empresa do papel, arregaçou as mangas e foi buscar clientes, trouxemos muitas melhorias para o aplicativo… Evoluímos para o que chamamos de “nohzão” e “multinohs” que são os grupos para até 10 pessoas dividirem os gastos. De lá para cá já transacionamos mais de 2 milhões de reais, o que pra gente é bastante coisa. 

Eu olho para o que construímos e vejo um time que é enxuto sim, já que somos em 17 pessoas, mas todos muito bem preparados e qualificados para crescer com a empresa.  O que mais me dá orgulho é estar construindo uma cultura extremamente sustentável e poder estar a frente de uma empresa que ouve e fideliza seus usuários pela qualidade do serviço que oferecemos. Temos em mãos um produto extremamente inovador e que por conta disso eu acho que há ainda muitas possibilidades pela frente de conquistar cada vez mais o nosso espaço no mercado. Isso é empolgante ao mesmo tempo desafiador para todos do time. 

BA – As fintechs ganharam uma relevância maior nesse momento da pandemia e surgiram várias. Como se tornar relevante nesse cenário.

AZ – A primeira coisa é resolver um problema muito grande. Na teoria é muito simples, mas não é o que vemos na prática entre as startups. Não adianta você se fechar em uma espécie de “bolha” e não olhar se sua solução faz sentido para o maior número de pessoas possíveis. Eu mesma já tive ideias de negócios que não vingaram por não ter alcançado tantas pessoas como eu inicialmente previa. Os aprendizados são importantes não para desistir, mas para continuar buscando formas de empreender. 

A Noh acho que foi a quarta ou quinta marca que criei e finalmente sinto que estou no lugar certo e com o produto certo para ofertar às pessoas. O problema que a Noh resolve é o problema da divisão de gastos. E se você parar para pensar 85% dos seus gastos são compartilhados, acredite se quiser. É uma dor gigante, tem pessoas que perdem 4 ou 5 horas por mês fazendo o controle manual de contas a ser divididas. A primeira coisa, então, é resolver um problema relevante. E não tem nenhuma outra fintech no Brasil resolvendo esse problema como nós resolvemos. Além disso, nós temos um produto incrível, o que faz com que a gente se destaque no mercado por solucionar uma dor que é de todo o brasileiro. 

BA – O mundo das startups em geral passou por um momento de crise recentemente com demissões e mudanças de rotas. Como você sentiu esse momento?

AZ – Como a Noh não é a primeira startup que eu trabalho, eu entendi há muito tempo como as coisas funcionam e me preparei para períodos de recessão que poderiam vir em menor ou maior grau, como o que vivemos durante a pandemia. Na verdade, para as startups o cenário nunca foi tão seguro, já que existe uma tese sobre a curva de crescimento e permanência desses modelos de negócios onde observamos que a maioria não sobrevive aos dois primeiros anos. Isso porque empreender, não só no Brasil, é desafiador e algo arriscado em qualquer contexto econômico.

Na verdade, para as startups o cenário nunca foi tão seguro, já que existe uma tese sobre a curva de crescimento e permanência desses modelos de negócios onde observamos que a maioria não sobrevive aos dois primeiros anos. Isso porque empreender, não só no Brasil, é desafiador e algo arriscado em qualquer contexto econômico.

ANA ZUCATO

Sendo mulher e empreendedora brasileira eu sempre levo em conta as mudanças do próprio País e acabo me acostumando a viver nesses altos e baixos que são reflexo de uma economia emergente. Olhando para a minha realidade na Noh, nós não tivemos grandes impactos já que nosso time não estava inflado, não precisamos reduzir ou demitir ninguém. Nós só contratamos pessoas quando sentimos a necessidade delas e estamos em um ritmo muito saudável e escalável do negócio que ao meu ver segue se provando bem sucedido e aceito pelas pessoas que usam o app.

BA – Os pagamentos compartilhados são uma tendência? Como as pessoas estão usando a Noh?

AZ – Eu não vejo um futuro com pagamentos individuais. Isso porque me parece uma tendência muito clara do nosso mercado que eu observo também pela descentralização da tecnologia e o quanto as pessoas estão abertas a se conectarem com outras pessoas (vide o crescimento das redes sociais). O futuro ao meu ver é compartilhado sim ou sim. A pergunta então não seria “se”, mas quando. E é claro que a Noh quer liderar esse movimento no Brasil. Aliás, um ponto interessante é que o momento é bastante favorável. O Pix é uma das maiores inovações já criadas pelo Banco Central e, junto com o avanço do Open Banking, é terreno fértil para criar a próxima grande experiência em meios de pagamentos. 

Somos uma empresa nova, a gente ainda tem muitos usuários para conquistar.. temos que convencer as pessoas que somos uma empresa segura, que é um bom lugar para deixar o dinheiro. Que a solução é interessante etc etc. A gente entende que as coisas não são imediatas do dia para a noite. O tamanho da disrupção que queremos fazer é muito grande. O próprio Nubank demorou 10 anos para atingir uma parcela relevante da nossa população. Passinho por passinho eu acredito que a gente chegue lá. 

Com a ampla oferta de produtos digitais individuais, chegou a hora de as fintechs oferecerem produtos financeiros que refletem comportamentos do dia a dia, como gastar em grupo. No geral, tenho visto muitos casais que moram juntos usando a Noh há mais tempo, já que lançamos a solução no início do ano focada em grupos de duas pessoas. A partir da expansão para os “multinohs” com até 10 pessoas,  já observamos a entrada de grupos de amigos que se encontram sempre e famílias que já estão se beneficiando com uma divisão de pagamentos mais simples e automatizada. Seja para dividir os gastos com amigos num happy hour, o futebol às quartas-feiras ou até mesmo os serviços de streaming, a Noh está ali ofertando uma solução única e disruptiva para todo mundo. 

BA – Nesse momento já há um olhar sobre 2023? Quais são as perspectivas para final de ano (Black Friday/Natal) e principalmente para o começo do próximo ano?

AZ – É muito engraçado isso, porque aqui na Noh a gente não planeja o ano do jeito que algumas empresas fazem. Eu olho a Noh no horizonte de vida que ela tem e estabeleço em quanto tempo precisaremos chegar em um x número de usuários ou como devemos crescer e o tempo que essa evolução vai demorar. 

Hoje temos um produto muito completinho e todos os ajustes e updates que estamos trazendo é para aprimorar ainda mais a experiência dos clientes. Então, agora nosso principal objetivo é crescer a base de usuários e, além de aproveitarmos as datas sazonais, também estamos de olho em outras campanhas que possam atrair mais gente para a Noh e propagar ainda mais a nossa marca no mercado. Falando em calendário, estamos de olho na Copa do Mundo e nas viagens de fim de ano que a gente sabe que é um momento mais chato para dividir os gastos. 

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