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5 perguntas para Leonardo Maeda de Carvalho – CEO do Grupo Maeda Recicla

Leonardo Maeda de Carvalho assumiu o controle do Grupo Maeda Recicla aos 30 anos de idade. Atua na operação desde adolescente, há mais de 20 anos, quando começou a ajudar nos negócios do pai. Com seu grande interesse por reciclagem, fez diversos cursos profissionalizantes para conseguir conduzir a operação como o Curso Sebrae de gestão de empresas, contabilidade e estratégia de marketing.

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E por ser um protagonista no universo da reciclagem eu fiz 5 perguntas para ele.

5 perguntas para Leonardo Maeda de Carvalho.

Blog do Armindo – A relação das empresas com o ato de reciclar mudou nos últimos anos?

LM – Sim, a relação das empresas com o ato de reciclar mudou e muito. 2022, por exemplo, marca o ano em que o Ministério do Meio Ambiente emitiu o decreto aprovando o Plano Nacional de Resíduos Sólidos (Planares), com diagnóstico, cenários, metas, diretrizes, estratégias e ações, entre outros, visando à melhoria da gestão e do gerenciamento de resíduos sólidos no Brasil. O documento aponta que no período compreendido entre 2017 e 2018 houve aumento na geração de resíduos sólidos urbanos em todas as regiões do país e, segundo o Panorama da Abrelpe 2018/2019, a geração foi de 217 mil toneladas/dia no país, ou 79 milhões de toneladas/ano, com aumento de quase 1% em relação ao ano anterior. Hoje, apenas pouco mais de 2% desse montante são reciclados. A reciclagem é um dos pontos prioritários do Planares. A meta é que, já em 2024, 14% de todo o lixo produzido no país sejam reciclados e que, em 2040, o índice chegue a quase metade de todos os resíduos produzidos. Um dos grandes desafios para se atingir essas metas é a desigualdade da coleta seletiva Brasil afora.

Mas hoje, devido aos incentivos, as empresas estão mais inclinadas a estudar e compreender o tema. Em 14 de julho, o Congresso Nacional derrubou alguns dos vetos da Presidência da República, o que ajuda no fomento à indústria de reciclagem no Brasil, pois a decisão traz um incentivo fiscal, o que acaba incentivando ainda mais a reciclagem e as práticas sustentáveis. Com o texto, agora  passa-se a admitir a dedução de valores despendidos com o apoio de projetos ambientais aprovados pelo Ministério de Meio Ambiente. Outro ponto importante que devo destacar é a instituição do Certificado de Crédito de Reciclagem (Recicla+), um decreto governamental, que de acordo com o Ministério da Economia, ajudará empresas a cumprirem as metas de logística reversa a um custo até 80% menor que o modelo convencional.

BA: Há ainda muitas dúvidas sobre o que pode ser reciclado ou não? As empresas de uma maneira geral poderiam reciclar mais?

LM – Sim, há muitas dúvidas ainda do que pode ser reciclado e de como entregar esse material. Por exemplo, muita gente não sabe que isopor é reciclável, mas é. Ele é um material composto de 98% de ar e 2% de plástico, ou seja, é 100% reciclável e deve ser incluído junto aos demais resíduos de plástico.

As embalagens (tanto de vidro como de plástico) não precisam estar profundamente limpas, mas há a necessidade de enxaguar aquelas embalagens que ficam com resíduos, mesmo que seja com a água do enxágue da louça. Esse enxague prévio do material pode evitar odores desagradáveis e a presença de moscas, ratos e baratas.

Outro exemplo são as caixas de comida. Mesmo com gordura elas são recicláveis. Contudo, há uma lei que prevê que essas embalagens precisam ser transformadas em uma caixa de papelão de uso genérico e não podem entrar em contato novamente com comida. Aqui o problema é outro. A questão maior é que a maioria das cooperativas de reciclagem não coletam caixas de pizza usadas ou embalagens que tiveram contato com comida.

BA: Quando comparamos com outros países o Brasil como o Brasil se comporta nesse cenário da reciclagem?

LM – O Brasil é o 4º pior país do mundo em reciclagem, segundo ranking divulgado há alguns dias pelas Universidades de Yale e Columbia dos EUA e o lançamento de plástico no oceano é um dos fatores mais preocupantes, por exemplo. Se continuarmos do jeito que estamos, com um uso maciço de plásticos, em 2050, os oceanos abrigarão mais detritos plásticos do que peixes, informaram dados do Fórum Econômico Mundial de Davos.

Se continuarmos do jeito que estamos, com um uso maciço de plásticos, em 2050, os oceanos abrigarão mais detritos plásticos do que peixes, informaram dados do Fórum Econômico Mundial de Davos.

Leonardo Maeda

BA: Como vocês estão enxergando a questão do lixo eletrônico? A empresa já atua ou pretende atuar nesse segmento?

LM – Nós ainda não fazemos a coleta de lixo eletrônico. Mas estamos sempre olhando e investindo no mercado. Recentemente, notei uma alta demanda na reciclagem de plástico e em janeiro de 2023 vou inaugurar minha planta exclusiva para fazer o pré-beneficiamento do material. Então tudo é questão de oportunidade.

De qualquer forma, é importante lembrar que o lixo eletrônico também deve ser descartado corretamente e não no lixo normal. Hoje em dia, encontrar pontos de coleta para o descarte de eletrônicos é muito mais simples do que parece. Eles estão localizados em comércios de rua e shoppings e é possível identificá-los por meio de sites especializados. Além disso, muitas marcas grandes contam com canais de descarte e urnas de coleta localizadas nas assistências técnicas autorizadas ou nas próprias lojas em todo o Brasil.

BA: Como as discussões sobre ESG podem impactar os negócios do grupo Maeda? As perspectivas para a empresa em 2023 são otimistas?

LM – Sim, as perspectivas para 2023 são muito boas. Como mencionei, foram derrubados os vetos presidenciáveis à lei 14.260/21, que atrapalhavam o fomento à indústria de reciclagem no Brasil. Ao derrubar o veto, além do ProRecicle, a lei impõe uma alíquota máxima de dedução do imposto de renda de até 6% para pessoas físicas e de até 1% para pessoas jurídicas nos primeiros cinco anos após a entrada em vigor. Cabe destacar que esse percentual de dedução também inclui potenciais incentivos para o projetos de proteção à criança e ao adolescente, projetos culturais e projetos esportivos, sendo que os percentuais são os máximos permitidos por lei.

A derrubada dos vetos segue outras importantes inovações legislativas como a instituição do Certificado de Crédito de Reciclagem (Recicla+) e o Plano Nacional de Resíduos Sólidos.

O Certificado de Crédito de Reciclagem abre caminhos para o aumento dos índices de reciclagem do país, pois traz renda extra para os agentes de reciclagem e busca aumentar a compensação ambiental. Segundo o Ministério Público do Meio Ambiente e da Economia, a nova medida prevê a injeção de investimentos privados de R$14 bilhões de reais por ano para o setor da reciclagem. O programa tem como objetivo aumentar o investimento na cadeia de reciclagem, para que o setor produtivo consiga cumprir as metas de logística reversa.

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