“Pânico, O Filme” (2022) é uma justa homenagem aos fãs da franquia e funciona muito bem. Já assisti antes do lançamento, confira o que eu achei…

Em 1996 vemos na grande tela a jovem loira Casey ( interpretada pela Drew Barrymore) parar de fazer pipoca para atender o telefone de um estranho que faz uma pergunta que marcou uma geração de filmes de terror:

Do You Like Scarry Movies (Você gosta de filme de Terror?)

E a gente nem imaginava que dali para frente iríamos ver o surgimento do Ghostface com suas mortes que pareciam seguir uma fórmula de bolo que foi repetida por diversas vezes, e até satirizada pelo divertido filme Todo Mundo em Pânico.

E esse foi um lançamento que marcou demais a minha vida, a relação com o cinema, com a locadora de VHS e com filmes de terror. Eu sabia quem eram os personagens e seus estereótipos, suas motivações e até as sacadas do diretor de fazer você achar que o assassino viria, ele não aparece, você respira aliviado e então ele surge de um jeito inesperado atacando a vítima. E sempre tinha a mais bonita da turma, o atleta, a mais puritana, o casal inconsequente… Eu gostava tanto do primeiro Pânico que até o roteiro inteiro do filme eu baixei e ficava lendo os diálogos como se fosse um livro.

E até todas as versões que surgiram e que não agradaram tanto os fãs eu curti. E por falar nos fãs eles viraram uma legião em fóruns da internet criando histórias paralelas (as chamadas fanfics), teorias e claro críticas a cada novo produto baseado na saga de Sidney Prescott e todos ao seu redor.

Então surge essa nova versão de 2022 – que eu pude assistir em antecipado – com nova direção e roteiristas, e bem, com certeza em algum momento numa salinha eles pensaram: “como vamos lidar com todo esse legado de fãs, inclusive os tóxicos e criar algo que agrade a nova geração?”.

E a resposta para essa pergunta é o que você verá durante todo o novo filme Pânico que consegue com louvor homenagear os fãs como eu e ainda dar um fôlego para novos filmes com personagens interessantes e de forma simbólica se despedindo de personagens que participam desse filme de uma forma muito especial.

É um filme em que tudo funciona bem, a trilha sonora impecável, a direção que sabe bem o que está fazendo e até consegue junto com a direção de fotografia trazer um pouco da estética da década de 90 sem perder a modernidade de casas trancadas pelo celular e serviços de rastreamento por GPS.

O jovem elenco é muito carismático e você consegue se conectar com eles, mesmo com pouco tempo de tela.

Outra coisa muito interessante é como a direção faz você ir do riso solto num diálogo bem elaborado até cenas brutais e viscerais de assassinato com muito mas muito sangue. E no final das contas esse tem sido um conceito que eu tenho usado muito ao falar de entretenimento de vídeo, ou seja, de quantas emoções conseguimos ter ao ver um produto audiovisual e o quanto ele nos entrega de volta o valor do ingresso. E aqui tenho a certeza que vale cada centavo.

Se eu gosto de Pânico… quase nada

A Metalinguagem e as tiradas com a internet são um ponto alto.

Mas sem dúvida alguma o ponto alto desse filme é o roteiro com sacadas maravilhosas incluindo duras críticas (fantasiadas de humor) ao momento de Hollywood, a importância dos fãs nesses cenários e até a movimentos que existem nos fóruns de discussão sobre os filmes. Quem conhece bem a internet sabe que tudo que foi falado ali é muito cirúrgico e muito acertado.

É um filme que consegui rir de si mesmo quando necessário, de se auto referenciar, e de fazer justas homenagens a fãs como eu. E talvez em algum momento o uso dessa metalinguagem fique um pouquinho excessivo e cansativo, mas eu entendo que é uma linha tênue difícil de acertar a medida.

Se o leitor não assistiu a nenhum Pânico anterior e principalmente se tem alguma restrição com cenas de assassinato que envolvem muito sangue e de uma forma muito clara, talvez não seja um filme indicado.

Por conta de tudo isso eu dou 9/10 máscaras do Ghostface ao filme.

E eu aproveito para agradecer demais os amigos da Paramount Pictures do Brasil pela oportunidade ver essa filme tão especial para mim na cabine de imprensa.

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